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ComércioEuropa

UE adia acordo com EUA após nova tarifa global de Trump

23 de fevereiro de 2026

Europeus querem mais certezas em meio a batalha da Casa Branca com Suprema Corte sobre legalidade de taxas impostas a parceiros comerciais.

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Terminal de carga acumula contêineres em Nova Jersey, nos EUA, com prédios ao fundo
Acordo comercial negociado entre UE e EUA enfrenta paralisações por causa de tensões geopolíticasFoto: Charly Triballeau/AFP

O Parlamento Europeu adiou nesta segunda-feira (22/02) a votação sobre a implementação de um acordo tarifário com os Estados Unidos. A relação comercial entre europeus e americanos vive um momento de incerteza, diante da atual batalha da Casa Branca com a Justiça dos EUA quanto às bases para a imposição de taxas sobre parceiros comerciais.

"Queremos ter clareza por parte dos Estados Unidos de que eles estão respeitando o acordo", disse o eurodeputado Bernd Lange após consultas com outros legisladores. O acordo já havia sido adiado em janeiro em razão das tensões sobre a Groenlândia.

No ano passado, os dois lados concordaram com uma tarifa máxima de 15% para a maioria das importações da União Europeia (UE) para os Estados Unidos. O acordo juridicamente vinculativo, posteriormente elaborado com os EUA, ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu.

A política comercial do presidente Donald Trump sofreu, entretanto, um duro golpe na sexta-feira. A Suprema Corte dos EUA decidiu que a base legal usada para muitas das tarifas impostas a quase todos os parceiros comerciais era injustificada.

Por 6 votos a 3, os magistrados rejeitaram o uso de uma lei de poderes de emergência para impor as amplas tarifas "recíprocas" de Trump, aplicadas a quase todo o mundo em abril do ano passado – chegando, em alguns casos, a 50%. 

Na prática, a decisão estabelece limites ao poder do presidente para impor tarifas sem a aprovação do Congresso, afetando diretamente as sobretaxas adotadas contra o Brasil.

Nova taxa global

Após o revés no tribunal, Trump anunciou tarifas de importação mundiais de 10%, antes de elevá-las para 15% no sábado, afirmando se apoiar numa legislação separada e ainda não testada. 

"Qualquer país que queira 'brincar' com a decisão ridícula da Suprema Corte, especialmente aqueles que vêm 'explorando' os EUA por anos, e até décadas, será confrontado com uma tarifa muito mais alta — e pior — do que aquela com a qual acabaram de concordar”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social.

Lange disse que isso poderia significar uma taxa de 30% sobre alguns grupos de produtos, apesar do limite de 15% previsto no acordo tarifário UE–EUA. A Comissão Europeia, por sua vez, disse que precisa de um quadro claro sobre as implicações da decisão da Suprema Corte para os EUA para tomar novas decisões.

"Estamos tentando manter a previsibilidade para as empresas e para os consumidores diante de uma imprevisibilidade substancial", disse um porta-voz da Comissão.

O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, participou de uma reunião com os ministros do Comércio do G7 nesta segunda-feira. Ele deve se reunir com os embaixadores da UE para discutir os últimos desdobramentos nas relações comerciais do bloco com Washington.

ht/ra (AP, dpa)