Tunisia realiza suas primeiras eleições presidenciais livres | Notícias internacionais e análises | DW | 23.11.2014

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Mundo

Tunisia realiza suas primeiras eleições presidenciais livres

Candidato do principal partido secular é favorito para ganhar votação. Primeiros resultados devem ser divulgados na terça. A chamada Revolução dos Jasmins, ocorrida no país, foi estopim das revoltas da Primavera Árabe.

Quase quatro anos após o início da chamada Revolução dos Jasmins, que deu início à Primavera Árabe, mais de 5,2 milhões de tunisianos puderam neste domingo (23/11) participar pela primeira vez de eleições diretas e livres para presidente. Apenas 32% dos eleitores, no entanto, compareceram às urnas.

A votação ocorreu em 11 mil colégios eleitorais espalhados pelo país. Filas se formaram em alguns locais antes da abertura da votação na capital do país, Tunes. Milhares de policiais e soldados foram mobilizados para garantir a segurança, temendo que a eleição pudesse ser perturbada por militantes islâmicos.

Em 50 locais de votação próximos à fronteira com a Argélia, onde há presença de grupos armados, o horário de votação foi reduzido de dez para cinco horas. Por razões de segurança, a fronteira do país com a Líbia foi fechada por alguns dias.

"Hoje é um dia histórico, a primeira eleição presidencial na Tunísia realizada sob as normas da democracia avançada. Se Deus quiser, será uma grande festa da democracia", declarou o primeiro-ministro do país, Mehdi Jomaa, no início do dia.

Eleição tem 27 candidatos

O candidato mais velho também é o com maiores chances: Béji Caid Essebsi, 87 anos. Ele concorre pelo principal partido secular do país, o liberal Nidaa Tounes (Chamada da Tunísia), que conquistou a maioria dos assentos no Parlamento nas eleições realizadas em outubro.

Bildergalerie Präsidentenwahlen Tunesien

Favorito Essebsi votou logo após a abertura dos locais de votação

O Nidaa Tounes surge como principal oponente do partido islamista moderado Ennahda, que venceu as primeiras eleições parlamentares no país após a queda do presidente Bem Alin, em 2011. O Ennahda, porém, não indicou um candidato à presidência. O partido justificou que a decisão foi tomada para proteger a Tunísia de "uma polarização ou divisão maior".

Sob os gritos de "Viva a Tunísia", Essebsi votou em um subúrbio de Tunes logo após a abertura dos locais de votação. Entre os 27 candidatos a presidente, outros que também são considerados com chances são o atual presidente interino, Moncef Marzouki, e o político de esquerda Hamma Hammami.

Caso nenhum candidato conquiste a maioria dos votos, a corrida presidencial irá para o segundo turno, marcado para a próxima sexta-feira. Os primeiros resultados preliminares devem sair apenas na terça-feira.

Processo de democratização

A eleição presidencial é o terceiro importante passo no processo de democratização da Tunísia. Além da eleição para o Parlamento em outubro, o país começou o ano com uma nova Constituição. Segundo ela, a Tunísia não é uma democracia totalmente presidencialista ou parlamentarista, apresentando uma mistura dos dois sistemas.

O presidente tem seu poder reduzido. Nenhum chefe de Estado pode permanecer por mais de dois mandatos de cinco anos no cargo. O último presidente antes da Revolução dos Jasmins foi Zine el-Abidine Ben Ali, que governou o país por 24 anos e foi derrubado em decorrência dos protestos.

Entre os países da Primavera Árabe, a Tunísia foi o primeiro a alcançar a democracia, após a fase de transição. Com uma nova Constituição, que reconhece a liberdade de expressão e religião, além da igualdade entre homens e mulheres, o país é considerado um exemplo no mundo árabe, enquanto o caos tomou conta dos vizinhos Líbia, Síria e Iêmen. No Egito, ativistas de direitos humanos se queixam do crescente poder do Exército.

CN/dpa/rtr/afp

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