Trump e Xi concluem encontro "muito bem-sucedido" na China
15 de maio de 2026
O Air Force One decolou nesta sexta-feira (15/05) de Pequim com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a bordo, encerrando assim uma visita de Estado de menos de 48 horas à China, a segunda que realiza ao país asiático desde 2017.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, compareceu ao aeroporto para se despedir do mandatário americano, que manteve durante sua estadia duas reuniões com seu homólogo chinês, Xi Jinping, centradas em comércio, Taiwan, tecnologia e Irã.
A despedida teve um formato semelhante ao da chegada na quarta-feira à noite, com um tapete vermelho ladeado por soldados e um grupo de jovens uniformizados que carregavam pequenas bandeiras da China e dos Estados Unidos.
Trump se despediu das autoridades chinesas e americanas presentes na pista e, após subir as escadas do Air Force One, virou-se para fazer seu característico gesto com o punho fechado antes de entrar na aeronave.
Visita "muito bem-sucedida"
Antes de deixar Pequim, Trump manteve nesta sexta-feira uma reunião em formato reduzido com Xi em Zhongnanhai, o complexo situado ao lado da Cidade Proibida onde reside a cúpula dirigente do Partido Comunista Chinês (PCCh). Segundo a agência estatal Xinhua, o americano classificou sua visita como "muito bem-sucedida” e "inesquecível”.
De acordo com o comunicado chinês, o presidente americano afirmou que ambas as partes alcançaram "uma série de consensos importantes", conseguiram "múltiplos acordos" e resolveram "não poucos problemas".
O governante americano afirmou que "muito de bom resultou" da visita a Pequim, incluindo "alguns acordos comerciais fantásticos" que são "ótimos para ambos os países".
Xi, por sua vez, classificou a visita como "histórica” e "emblemática” e afirmou que ambos os líderes estabeleceram uma nova orientação para a relação bilateral, descrita como uma "relação de estabilidade estratégica construtiva China–EUA”, destinada, segundo Pequim, a orientar os vínculos nos próximos "três anos ou mais”.
O ponto central da visita ocorreu na quinta-feira, quando Xi recebeu Trump com honras no Grande Palácio do Povo, onde ambos mantiveram uma reunião de mais de duas horas antes de visitarem juntos o Templo do Céu e participarem de um banquete de Estado.
Nesse primeiro encontro, Xi alertou sobre o risco de "choque” ou até mesmo "conflito" caso a questão de Taiwan seja mal administrada e defendeu que "não há vencedores” em uma guerra comercial, enquanto Trump destacou sua boa relação pessoal com o líder chinês.
Pompa e elogios
Em uma cúpula marcada por pompa e elogios mútuos, Xi alertou Trump de que as divergências em relação a Taiwan — uma ilha autogovernada reivindicada por Pequim como seu próprio território — poderiam levar os Estados Unidos e a China a confrontos ou conflitos.
"Se a situação for mal conduzida, os dois países podem entrar em confronto ou até mesmo em conflito, levando toda a relação entre a China e os EUA a uma situação extremamente perigosa", disse Xi, segundo a emissora CCTV.
Questionado se havia tratado do tema, Trump não respondeu enquanto posava para fotos com Xi após a cúpula. Taiwan também não foi mencionada no resumo divulgado pela Casa Branca.
Mais tarde, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a política dos EUA em relação a Taiwan "permanece inalterada" e que seria "um erro terrível" se a China tomasse Taiwan pela força.
Trump autorizou, em dezembro, um pacote de armamentos de 11 bilhões de dólares para Taiwan, mas não deu prosseguimento à entrega.
Trump também concentrou-se no comércio e em acordos para que a China adquira mais produtos agrícolas e aviões de passageiros, estabelecendo um conselho para tratar das divergências entre ambos e evitar a repetição da guerra comercial deflagrada no ano passado, após os aumentos tarifários impostos por Trump.
Compra de petróleo e aviões dos EUA
Nas primeiras horas após o fim da visita, a Casa Branca não divulgou detalhes de quaisquer acordos firmados durante a cúpula de Trump com Xi em Pequim.
Trump falou à Fox News sobre soja, aviões e petróleo em uma entrevista concedida após sua reunião de duas horas com Xi, na quinta-feira.
"Temos opiniões muito semelhantes sobre como queremos que isso termine", disse o presidente, referindo-se à questão do Irã. "Não queremos que eles possuam uma arma nuclear."
Entre outras coisas, Trump afirmou à Fox News que Xi Jinping concordou com a compra de 200 aeronaves da Boeing e que isso garantirá muitos empregos nos Estados Unidos. De acordo com a Fox News, as aeronaves em questão são jatos de passageiros Boeing 737.
Analistas haviam previsto anteriormente uma encomenda de até 500 aeronaves adicionais para a China. Consequentemente, em Wall Street, Nova York, o preço das ações da Boeing caiu temporariamente mais de 4%.
Além disso, a China teria manifestado interesse na compra de petróleo dos Estados Unidos. O país asiático importava quantidades menores de petróleo dos EUA antes de Trump impor tarifas no ano passado. A China é uma grande compradora de petróleo do Irã.
Segundo Trump, a China também manifestou interesse na importação de soja dos EUA. Em meio à disputa comercial com os Estados Unidos, a China havia reduzido drasticamente as importações de soja, voltando-se, em vez disso, cada vez mais para o Brasil.
Conflito com o Irã
Além das questões comerciais, o último dia da visita de Trump à China concentrou-se no conflito com o Irã. De acordo com o presidente americano, a China ofereceu assistência para manter o Estreito de Ormuz aberto para o transporte de petróleo e gás.
Sobre o conflito no Irã, ele disse: "Queremos que eles ponham um fim nisso, pois a situação lá é uma loucura. Um pouco louca. E isso não é bom; não pode acontecer".
Como grande comprador de petróleo iraniano, a China tem interesse na rápida reabertura do Estreito de Ormuz. Um quinto dos embarques globais de petróleo e gás passa por este estreito.
Desde o início da guerra com o Irã, o Estreito de Ormuz tem sido amplamente bloqueado por Teerã. Por sua vez, as forças militares dos EUA estão bloqueando os portos iranianos situados ao longo desta rota de navegação.
md (EFE, AP, AFP, Reuters)