Trump diz ser pró-vida, mas a favor de aborto em caso de estupro | Notícias internacionais e análises | DW | 19.05.2019
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Estados Unidos

Trump diz ser pró-vida, mas a favor de aborto em caso de estupro

Presidente quebra o silêncio em meio a onda conservadora que tenta limitar o direito ao aborto em vários estados americanos. Mulheres saem às ruas no Alabama contra lei mais restritiva dos EUA, aprovada nesta semana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

No Twitter, Trump disse ser "fortemente pró-vida, com três exceções"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quebrou o silêncio neste fim de semana sobre as duras leis de aborto aprovadas recentemente em alguns estados do país.

Em mensagens publicadas no Twitter, o republicano disse ser "fortemente pró-vida", mas admitiu ser favorável ao aborto em caso de estupro, incesto ou risco de vida à mãe.

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"Como a maioria das pessoas sabem, e para as que querem saber, sou fortemente pró-vida, com três exceções – violação, incesto e proteção da vida da mãe –, a mesma posição adotada por Ronald Reagan", escreveu o presidente na noite deste sábado (18/05).

A declaração de Trump vem dias depois de os legisladores do Alabama terem aprovado uma lei, na terça-feira, para acabar com quase todas as possibilidades de aborto, podendo assim se tornar o estado com a legislação de aborto mais restritiva dos Estados Unidos.

Pela lei aprovada, o aborto passa a ser um crime grave em qualquer estágio da gravidez, e quase não há exceções, nem mesmo em casos de estupro ou incesto. A prática só é permitida em caso de risco grave para a vida da mãe. As penas vão de 10 anos (por tentativa de aborto) a 99 anos de prisão (se concluído) para o médico que o praticar. Não há punição para as gestantes.

Neste domingo, milhares de defensores dos direitos da mulher realizam manifestações em várias cidades do Alabama em protesto contra a nova lei. Manifestantes se reúnem na capital, Montgomery, e em cidades como Birmingham, Anniston e Huntsville.

"As pessoas deveriam ter o direito de tomar a decisão que é melhor para seus corpos sem a interferência do Estado", dizem os organizadores da marcha no Facebook.

Na sexta-feira, foi a vez de o estado do Missouri aprovar uma lei restringindo o aborto. O texto torna a prática ilegal a partir da oitava semana de gravidez.

O Alabama e o Missouri juntam-se a seis outros estados que têm agido para limitar seriamente o direito ao aborto, previsto na Constituição americana: Arkansas, Kentucky, Mississippi, Dakota do Norte, Ohio e Georgia, todos controlados politicamente pelos republicanos.

Contudo, também em estados dominados pelos democratas começam a surgir movimentos para convencer os legisladores mais conservadores a apresentarem leis que combatem o direito ao aborto, como é o caso de Nova York e Illinois.

A questão da interrupção voluntária da gravidez deverá estar no centro da próxima eleição presidencial americana, em 2020.

Por trás dessa onda antiaborto nos Estados Unidos, estão movimentos cívicos ligados a organizações religiosas cristãs, de inspiração ultraconservadora, que é igualmente uma das mais importantes bases de apoio eleitoral de Trump.

O objetivo desses movimentos é ameaçar a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que legalizou o aborto em todo o território nacional em 1973, por meio de uma sentença que fez jurisprudência, conhecida como o caso Roe vs. Wade.

A sentença determinou que as mulheres têm o direito constitucional de terminar a gravidez antes de um feto poder sobreviver fora do útero, um período estimado em cerca de 24 semanas de gestação. 

Os ativistas pró-vida acreditam que esse direito possa ser limitado por leis estaduais que criem constrangimentos e que, em última instância, possam levar a Suprema Corte a rever a jurisprudência criada pelo caso Roe vs Wade.

EK/afp/ap/lusa/dw

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