Trump diz a migrantes que EUA estão ″lotados″ | Notícias internacionais e análises | DW | 06.04.2019
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Mundo

Trump diz a migrantes que EUA estão "lotados"

Durante visita à cidade fronteiriça, presidente americano afirma que seu país não pode mais aceitar requerentes de refúgio. Em vez de fechar fronteira com México, Trump ameaça agora taxar importação de carros mexicanos.

USA Präsident Trump besucht die amerikanisch-mexikanische Grenze in Calexico (AFP/S. Loeb)

Presidente americano durante visita à cidade fronteiriça de Calexico

O presidente americano, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (05/04) durante uma visita à fronteira com o México que o país está "lotado" e não pode mais aceitar requerentes de refúgio.

"O sistema [migratório] está lotado, não podemos aceitá-los, seja por refúgio, seja por que querem. Não podemos aceitá-los, peço desculpas, mas deem meia-volta", afirmou o presidente em Calexico, na Califórnia.

Trump parecia fazer referência a um programa que o governo americano começou a implementar neste ano, batizado como "Protocolo de Proteção de Migrantes". O projeto prevê que os agentes que atuam na fronteira exijam que os imigrantes centro-americanos e que tentam entrar nos EUA esperem no México a análise do pedido de refúgio.

No entanto, Trump deu a entender que quer que o México deporte os imigrantes que esperam no território do país a conclusão do procedimento de pedido de refúgio nos EUA.

"Quando está lotado, está lotado. Não podemos aceitá-los. Que voltem para o México, e o México os devolverá a seus países", completou o presidente americano, se referindo aos imigrantes.

A ideia contradiz as leis internacionais sobre asilo, que impedem devolver o migrante ao país do qual ele fugiu.

No lado mexicano da fronteira, cerca de 200 pessoas protestaram contra o presidente. Elas balançaram bandeiras dos EUA e do México e carregaram cartazes com inscrições como "Pare a separação das famílias" e "Se você construir o muro, minha geração vai derrubá-lo".

Na cidade fronteiriça, Trump se encontrou com funcionários da polícia de fronteira americana, que afirmaram que o fluxo de migrantes seria incontrolável e que a capacidade estaria esgotada.

Trump anunciou que muitas novas barreiras de fronteira serão construídas nos próximos meses. Ele falou novamente de uma emergência e lamentou as graves deficiências no sistema migratório dos Estados Unidos.

As declarações do presidente foram feitas poucas horas depois de ele ter pedido ao Congresso para eliminar totalmente o sistema de asilo nos EUA.

"O Congresso tem que atuar [...] É preciso se desfazer de todo o sistema de asilo porque ele não funciona. E francamente, também deveríamos nos desfazer dos juízes. Não podemos ter um caso judicial cada vez que alguém põe os pés em nosso território", disse o presidente a jornalistas na Casa Branca.

Segundo a atual legislação americana, os imigrantes ilegais que entram no país e reivindicam refúgio têm direito a uma audiência num tribunal de imigração, desde que sejam aprovados numa primeira entrevista. Na ocasião, um funcionário americano avalia se o candidato tem um "medo crível" de perseguição em seu país de origem.

Antes de deixar Washington, o republicano havia se distanciado de suas ameaças anteriores de fechar a fronteira com o México. Segundo Trump, desde que havia falado sobre essa opção, as autoridades mexicanas passaram a agir com mais veemência contra imigrantes ilegais e impedir que continuassem sua viagem para os Estados Unidos.

Em vez de fechar a fronteira, Trump afirmou que agora pretende tributar as importações de automóveis do México com taxas de importação de 25%, caso o país não aja contra a migração ilegal e o contrabando de drogas.

CA/efe/dpa/afp/rtr

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