Teerã enfrenta protestos após reconhecer derrubada de avião | Notícias internacionais e análises | DW | 12.01.2020
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Mundo

Teerã enfrenta protestos após reconhecer derrubada de avião

Governo iraniano vê aumentar as tensões domésticas e internacionais após admitir ter abatido acidentalmente Boeing ucraniano. Embaixador britânico detido temporariamente nega participação em protesto antigovernamental.

Multidão em vista do alto durante a noite

Manifestação de universitários em Teerã em homenagem às vítimas do voo PS 752

Crescem as tensões tensões domésticas e internacionais contra Teerã após o governo iraniano admitir ter derrubado acidentalmente um avião ucraniano, matando todas as 176 pessoas a bordo. Neste domingo (12/01), o embaixador do Reino Unido em Teerã, Robert Macaire, negou ter participado de um protesto antigovernamental. O diplomata foi detido temporariamente no dia anterior, acusado de incitar manifestações contra o governo.

"Posso confirmar que não participei de nenhuma manifestação. Fui a um evento anunciado como uma vigília para as vítimas da tragédia do voo PS 752", disse Macaire em uma mensagem no Twitter, referindo-se ao Boeing abatido por engano pelo Irã.

O diplomata ficou detido por mais de uma hora, informou o Ministério do Exterior britânico, que repudiou o ocorrido. "A prisão do nosso embaixador em Teerã sem motivo nem explicações é uma flagrante violação da legislação internacional", afirmou em nota o ministro britânico do Exterior, Dominic Raab.

O reconhecimento da derrubada da aeronave pela Guarda Revolucionária do Irã ocorreu dias após a tragédia, levantando questões sobre o motivo pelo qual o governo rejeitara as acusações de que o avião havia sido alvejado logo após a decolagem do Aeroporto Internacional Iman Khomenei, em Teerã.

Também levanta questões sobre o porquê de o Irã não ter fechado o aeroporto e o espaço aéreo na quarta-feira, quando se preparava para retaliar os EUA com um ataque de mísseis a uma base iraquiana que abriga tropas americanas.

O general Amir Ali Hajizadeh, chefe da força aeroespacial da Guarda Revolucionária, disse no sábado que o avião da Ukrainian International Airlines foi confundido com um míssil de cruzeiro dos EUA em um momento em que as defesas aéreas do país estavam em alerta máximo.

Assumindo total responsabilidade pelo "erro humano", ele ressaltou que havia notificado as Forças Armadas na quarta-feira, imediatamente após tomar conhecimento de que o Boeing 737 havia sido abatido, mas ponderou que os militares precisavam de tempo para conduzir uma investigação.

"O atraso na divulgação de informações não teve como objetivo ocultar o problema, mas é procedimento de rotina que a equipe geral analise o caso primeiro, e todas as informações foram coletadas na manhã de sexta-feira após as apurações. E então, ficou claro o que havia acontecido", disse Hajizadeh a repórteres, de acordo com a agência de notícias estatal Fars, em uma tentativa de dissipar as especulações de que as Forças Armadas iranianas tentaram deliberadamente ocultar sua responsabilidade.

Equipes de salvamento em local de queda de avião

Equipes de salvamento no local da queda do avião ucraniano, a sudoeste de Teerã

Ele acrescentou que as autoridades da aviação civil não são as culpadas por negar que o avião tenha sido derrubado por defesas aéreas porque não foram informadas pelos militares.

Protestos contra o governo

A derrubada do Boeing enfraquece a narrativa do governo iraniano de que demonstrou força ao ameaçar as forças americanas na região, em resposta ao ataque de drone dos EUA em Bagdá que matou o general iraniano Qassim Soleimani.

Também tira o fôlego do sentimento nacionalista que o governo procurava capitalizar após a morte de Soleimani, com centenas de milhares de pessoas participando de cortejos em homenagem ao general. Em outra tragédia, dezenas de pessoas foram mortas em um tumulto durante o funeral do militar.

Após militares e governo reconhecerem a derrubada e pedirem desculpas no sábado, milhares de iranianos foram às ruas na capital, Teerã, e em cidades como Shiraz, Esfahan, Hamedan e Orumiyeh, exigindo que os responsáveis pelo acidente sejam responsabilizados.

Vídeos postados no Twitter e cuja autenticidade não foi comprovada mostram manifestantes queimando imagens de Soleimani e exigindo que o líder supremo, aiatolá Ali Khameini, deixe o cargo, enquanto em outros filmes, policiais dispersam manifestantes com gás lacrimogêneo.

Mehdi Karroubi, um líder do chamado Movimento Verde, de 2009 e 2010, e que agora vive em prisão domiciliar, pediu a Khamenei que renuncie devido ao gerenciamento da crise da derrubada do avião ucraniano.

Em um comunicado publicado na internet, o ex-presidente do Parlamento e ex-candidato à presidência questionou a respeito do momento em que Khamenei foi informado do incidente e da causa do atraso na notificação ao público sobre as reais razões da tragédia.

EUA alertam contra repressão

Em sua primeira declaração pública após o Irã ter admitido a derrubada do avião, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, postou um vídeo no Twitter mostrando manifestantes em Teerã.

"A voz do povo iraniano é clara. Eles estão fartos das mentiras do regime, da corrupção, da inaptidão e da brutalidade da IRGC [Guarda Revolucionária] sob a cleptocracia de Khamenei. Estamos do lado do povo iraniano que merece um futuro melhor", escreveu.

A amplitude dos protestos do sábado é difícil de ser mensurada, mas ocorreu menos de dois meses depois que as autoridades iranianas esmagaram brutalmente grandes manifestações antigovernamentais, matando centenas de pessoas.

O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou contra "outro massacre de manifestantes pacíficos", avisando no Twitter: "O mundo está assistindo".

O republicano  também enviou mensagens em inglês e em persa ao "povo corajoso e sofredor" do Irã. "Estou ao seu lado desde o início de minha presidência e meu governo continuará ao seu lado", enfatizou. "Estamos acompanhando de perto seus protestos e somos inspirados por sua coragem".

MD/afp/ap/rtr/efe

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