STF autoriza investigação de Pazuello por colapso em Manaus | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 26.01.2021

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Brasil

STF autoriza investigação de Pazuello por colapso em Manaus

Supremo atende a pedido do procurador-geral da República e abre inquérito para apurar conduta do ministro da Saúde em relação à falta de oxigênio e leitos durante pandemia na capital amazonense.

 Eduardo Pazuello

Explicações de Pazuello foram consideradas insuficientes pela PGR

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta segunda-feira (25/01) a abertura de um inquérito para investigar a conduta do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no colapso da saúde pública de Manaus, onde, em meio à pandemia de covid-19, faltou oxigênio em hospitais.

A autorização foi concedida pelo ministro após um pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), em resposta a denúncias apresentadas por vários partidos políticos, e pressupõe que Pazuello "tinha dever legal e possibilidade de agir para mitigar os resultados". A conduta dele "pode caracterizar omissão passível de responsabilização cível, administrativa e/ou criminal".

O procurador-geral da República, Augusto Aras, argumentou que o Ministério da Saúde recebera informações sobre um possível colapso do sistema de saúde na capital do Amazonas ainda em dezembro, mas só enviou representantes à região em janeiro deste ano.

O que disse a PGR

De acordo com as denúncias da oposição, o ministro da Saúde teve conhecimento com vários dias de antecedência de que o sistema de saúde de Manaus entraria em total colapso por falta de leitos e de oxigênio para atender os doentes com covid-19 e não adotou qualquer medida imediata para evitar o agravamento da situação.

Aras fez o pedido depois de ouvir as explicações do ministro e considerá-las insuficientes. Pazuello admitiu, num relatório enviado à Procuradoria Geral, que a empresa White Martins, responsável pelo abastecimento de oxigênio hospitalar no estado do Amazonas, alertara o Ministério da Saúde, em 8 de janeiro, de que não tinha capacidade para responder à elevada demanda por oxigênio.

Apesar do alerta, somente em 12 de janeiro o Ministério da Saúde colocou em marcha uma operação para enviar oxigênio para Manaus, em aviões militares, e mesmo assim em quantidade insuficiente para evitar o colapso que se deu a partir de 14 de janeiro, quando parte dos doentes ligados a máquinas começou a morrer por asfixia.

A PGR mencionou também a distribuição por parte do Ministério da Saúde de 120 mil unidades de hidroxicloroquina como medicamento para tratamento de covid-19, "inclusive com orientações para o tratamento precoce da doença, todavia sem indicar quais os documentos técnicos serviram de base à orientação". A hidroxicloroquina não tem eficácia comprovada contra a covid-19.

Lewandowski deu cinco dias para a Polícia Federal recolher o depoimento de Pazuello e concedeu ainda um prazo inicial de 60 dias para a conclusão das investigações.

Colapso em Manaus

O colapso sanitário de Manaus, que elevou significativamente as mortes por covid-19, obrigou o governo do Amazonas a montar uma operação para transportar dezenas de doentes com covid-19 para outras cidades.

A escassez de oxigênio nos hospitais da região causou a morte por asfixia de mais de 50 pessoas nos últimos dias, principalmente nas cidades do interior, segundo cálculos do Ministério Público.

O número de enterros nos cemitérios de Manaus chegou ao recorde de 1.333 nos primeiros 20 dias de janeiro.

Pazuello, um general de 58 anos, é o terceiro ministro da Saúde do presidente Jair Bolsonaro. Os dois anteriores, médicos de profissão, entraram em colisão com o presidente durante a pandemia.

as/lf (Lusa, AFP)

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