Serviço diplomático da UE gera disputa entre países-membros e Comissão Europeia | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 06.03.2010
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Mundo

Serviço diplomático da UE gera disputa entre países-membros e Comissão Europeia

Países-membros da União Europeia (UE) querem fortalecer papel da nova diplomata-chefe do bloco, Catherine Ashton. Grau de autonomia do Serviço Europeu de Ação Exterior (SEAE) é tema de discussão em encontro de ministros.

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Catherine Ashton recebe respaldo de países-membros como diplomata-chefe da UE

Os países-membros da União Europeia disputam com a Comissão da UE influência dentro da nova estrutura diplomática do bloco europeu. Em encontro de ministros do Exterior da UE, que se realiza neste sábado (06/03) em Córdoba, na Espanha, diversos países-membros se mostraram preocupados com uma influência demasiada da Comissão sobre a diplomacia da comunidade.

"Um serviço diplomático europeu que estiver atado à coleira de outras instituições europeias não terá o êxito que nós, alemães, desejamos", declarou o ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle. A Alemanha é um dos países que defende uma maior autonomia para o Serviço Europeu de Ação Exterior (SEAE), o novo órgão diplomático da UE. Diversos países europeus reclamam de não terem sido suficientemente consultados no processo de criação dessa nova estrutura de relações exteriores.

Luta de poder no novo órgão de diplomacia da UE

A alta representante da UE para Política Externa, Catherine Ashton, apresentou aos ministros seus planos para o serviço diplomático europeu, previsto pelo Tratado de Lisboa, em vigor desde dezembro passado. O SEAE deverá ter embaixadas europeias em 130 países e empregar até 8 mil funcionários. Um terço do quadro de funcionários deverá ser nomeado pelos países-membros, um terço pelo Conselho da UE e um terço pela Comissão Europeia.

No documento apresentado aos ministros, a diplomata-chefe da UE defende uma representação igualitária dos governos nacionais e da Comissão Europeia no SEAE. Diante do descontentamento dos países em relação à sua proposta, Ashton declarou considerar importante as críticas feitas em Córdoba, a fim de poder criar um órgão que faça jus a todos.

O principal ponto de discórdia é o temor de que a comissão dirigida por Durão Barroso possa adquirir uma influência demasiada sobre o SEAE. Essa preocupação foi manifestada indiretamente pelo Reino Unido e pela Suécia. Os ministérios do Exterior de ambos os países haviam feito diversas exigências que visam fortalecer os governos nacionais em relação ao grêmio de comissários.

A Comissão Europeia já dispõe de aproximadamente 5 mil funcionários encarregados de assuntos de Política Externa, além de ter representações próprias em 130 países em todo o mundo. Essa estrutura deverá ser incorporada pelo novo serviço dirigido por Ashton.

Os ministros do Exterior da Letônia, Lituânia, Eslovênia e de Chipre advertiram do risco de se atropelarem os países pequenos no processo de constituição do SEAE. Eles exigem que o novo órgão seja constituído conforme um princípio de equilíbrio geográfico.

Alta representante marca presença no exterior

O Ministério Alemão das Relações Exteriores defende o fortalecimento do cargo de alto representante para Política Externa da UE, mas também ressaltou que a proposta de Ashton ainda requer muitos ajustes a serem amplamente discutidos.

Anteriormente, Catherine Ashton havia sido criticada pelo governo francês, por ter comparecido à posse do presidente da Ucrânia, Victor Yanukovich, em fevereiro, em vez de participar de um encontro dos ministros da Defesa da UE. Outros países, inclusive a Alemanha, defenderam a atitude da nova diplomata-chefe da comunidade.

Ashton comunicou em Córdoba que pretende passar uma semana no Oriente Médio a partir de meados de março. Entre outros, ela vai visitar a Faixa de Gaza, controlada pelo movimento radical islâmico Hamas desde junho de 2007, após uma guerra civil contra as forças do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

Ashton pretende se encontrar com os governos palestino e israelense, a fim de sondar possibilidades de retomada do processo de paz. A diplomacia europeia não mantém laços diplomáticos com o Hamas, reconhecendo apenas o presidente Abbas como interlocutor dos territórios palestinos.

SL/dpa/ap
Revisão: Carlos Albuquerque

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