Russos acusados de envenenar ex-espião dizem que viajavam como turistas | Notícias internacionais e análises | DW | 13.09.2018
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Mundo

Russos acusados de envenenar ex-espião dizem que viajavam como turistas

Em entrevista concedida após apelo de Putin, acusados de tentar matar Serguei Skripal afirmam terem sido vítimas de uma "fantástica coincidência" durante férias na Inglaterra. Governo britânico contesta declarações.

Alexander Petros e Ruslan Boschirov em entrevista à canal russo

"Amigos sugeriram que visitássemos Salisbury", disseram suspeitos em entrevista

Dois homens apareceram em um canal público de televisão na Rússia nesta quinta-feira (13/09) para se defender de acusações do Reino Unido de que teriam tentado matar o ex-espião russo Serguei Skripal por envenenamento na cidade de Salisbury. Os homens afirmaram que faziam apenas turismo no local.

Procuradores identificaram dois russos como autores do ataque: Alexander Petrov e Ruslan Boshirov, contra os quais o Reino Unido emitiu mandados de prisão. Ambos estariam operando com identidades falsas e foram acusados de envenenar Skripal e sua filha Yulia com um agente nervoso, em março deste ano.

O incidente provocou uma crise diplomática entre Moscou e Londres, que apontou os homens como supostos agentes da inteligência militar russa.

Apresentando grande semelhança física em relação a imagens dos dois suspeitos divulgadas pela polícia britânica, a dupla veio a público no canal de televisão estatal russo RT.

Eles afirmaram que Petrov e Boshirov são suas identidades verdadeiras. Eles seriam apenas empresários que decidiram passar as férias no exterior e foram vítimas de uma "fantástica coincidência".

"Nossos amigos sugeriram há bastante tempo que visitássemos essa maravilhosa cidade", disse um dos homens a respeito de Salisbury. Petrov afirmou que lhes haviam recomendado visitar a catedral de Salisbury, famosa por sua torre de 123 metros de altura. 

Por conta do mau tempo, eles teriam ficado menos de uma hora na cidade. "É claro que fomos lá para ver o Stonehenge, o Old Sarum, mas não conseguimos por conta da lama em toda parte", disse um deles, se referindo a pontos turísticos na região de Salisbury.

Eles afirmaram que podem ter se aproximado da casa de Skripal por acaso, mas disseram não conhecer sua localização.

Eles também negaram ter transportado o agente nervoso num vidro de perfume falso. "A alfândega verifica tudo, eles teriam perguntas sobre por que homens estariam carregando perfume feminino em sua bagagem. Nós não o tínhamos."

Além disso, a dupla disse merecer desculpas dos reais autores do crime, caso eles fossem encontrados.

A editora da RT Margarita Simonyan disse que a ideia de realizar uma entrevista foi da dupla, que teria ligado para o seu celular. A entrevista teria sido gravada na noite desta quarta-feira.

Suspeitos de tentativa de assassinato de Sergei Skripal (picture-alliance/Met Police UK)

Imagens dos suspeitos divulgadas pela Scotland Yard

Autoridades britânicas contestaram a veracidade das declarações. "O governo tem clareza de que esses homens são funcionários da inteligência militar russa – a GRU – que usaram uma arma química ilegal e devastadoramente tóxica nas ruas do nosso país", afirmou o governo em comunicado nesta quinta-feira.

Os homens vieram a público após o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmar que os suspeitos apontados pelo Reino Unido não são criminosos e foram identificados como civis. Putin pediu que os homens se apresentassem e falassem sobre si.

De acordo com o governo britânico, Petrov e Boshirov teriam sido enviados para matar Skripal, ex-espião russo que teria dado informações à inteligência britânica. Skripal foi preso na Rússia antes de ser libertado em uma troca de espiões em 2010.  O agente nervoso empregado, o Novichok, foi desenvolvido pelos militares soviéticos durante a Guerra Fria.

O governo britânico sempre acusou a Rússia de ter orquestrado o ataque, algo que o Kremlin nega. Em represália, Reino Unido e aliados, incluindo Estados Unidos e nações europeias, expulsaram à época dezenas de diplomatas russos, enquanto Moscou fez o mesmo com diplomatas estrangeiros. Ao todo, as ordens de expulsão atingiram mais de 300 funcionários em vários países.

Da última vez em que o Reino Unido acusou dois russos de um assassinato, um deles acabou lançando uma carreira política. Andrei Lugovoi, um dos principais suspeitos no assassinato do ex-funcionário da KGB Alexander Litvinenko com uma substância radioativa polônio, em 2006, foi eleito para o parlamento em 2007 pelo partido nacionalista LDPR, que tem fortes laços com o Kremlin.

Lugovoi afirma que o envenenamento de Skripal não tem nenhuma relação com a Rússia e culpa os britânicos por dar abrigo ao que chama de desertores.

Outros casos também mostram que russos acusados de crimes no exterior obtiveram o apoio da classe política e empresarial na Rússia e se tornaram celebridades locais.

PJ/afp/rtr/ap

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