1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
Viúva com a mão no rosto. Réum em primeiro plano, com o rosto desfocado
Kateryna Shelipova encontrou o marido executado a poucos metros de casaFoto: Jamie Wiseman/Solo Syndication/Daily Mail/picture alliance
ConflitosUcrânia

Russo julgado na Ucrânia pede perdão à viúva de vítima

19 de maio de 2022

Soldado de 21 anos se declarou culpado e disse que disparou sob ordens de dois superiores, matando idoso civil desarmado. Vadim Shishimarin é o primeiro militar russo a responder por crime de guerra na Ucrânia.

https://www.dw.com/pt-br/russo-julgado-na-ucr%C3%A2nia-pede-perd%C3%A3o-%C3%A0-vi%C3%BAva-de-v%C3%ADtima/a-61869803

O primeiro soldado russo a ser julgado por crimes de guerra na Ucrânia desde o início da invasão pediu perdão nesta quinta-feira (19/05) à viúva da vítima e disse que disparou sob ordens de dois oficiais superiores. Os promotores pedem que ele cumpra uma pena de prisão perpétua.

No dia anterior, o réu, Vadim Shishimarin, de 21 anos, já havia se declarado culpado perante o tribunal pela morte de um civil ucraniano de 62 anos desarmado. 

Nesta quinta, em depoimento, Shishimarin disse que um oficial insistiu que o idoso, que empurrava uma bicicleta e falava ao celular, poderia identificar sua localização para as forças ucranianas e, por isso, deveria ser executado.

Aparentando estar deprimido, Shishimarin afirmou que, a princípio, desobedeceu a ordem de seu comandante imediato de atirar no civil desarmado, mas não teve outra escolha a não ser seguir a determinação quando ela foi repetida por outro oficial.

"Sei que você não pode me perdoar, mas estou implorando por perdão", apelou Shishimarin à viúva.

A mulher, Kateryna Shelipova, disse que seu marido, Oleksandr Shelipov, saiu para verificar o que estava acontecendo do lado de fora de casa. Quando o tiroteio cessou, Shelipova encontrou o marido executado a tiros, a poucos metros de onde mora.

"Ele era tudo para mim. Ele era meu defensor'', disse.

Shelipova declarou ao tribunal que Shishimarin merece uma sentença de prisão perpétua por matar seu marido, mas acrescentou que não se importaria se ele fizesse parte de uma possível troca de prisioneiros com a Rússia, pelos defensores ucranianos rendidos da siderúrgica Azovstal, em Mariupol. O julgamento terá seguimento nesta sexta-feira.

A procuradora-geral da Ucrânia, Iryna Venediktova, disse que seu gabinete prepara casos contra 41 soldados russos por crimes de guerra, que incluem bombardear infraestrutura civil, matar civis, estupros e saques. Não está claro quantos dos suspeitos estão sob poder dos ucranianos e quantos seriam julgados à revelia.

Entenda o caso

Shishimarin é acusado de matar um civil desarmado de 62 anos, em 28 de fevereiro, apenas quatro dias após o início da invasão da Ucrânia pela Rússia. 

De acordo com a acusação, Shishimarin comandava uma pequena unidade dentro de uma divisão de tanques. Ele teria atirado da janela de um carro roubado, com um fuzil Kalashnikov, enquanto fugia com outros quatro soldados a bordo de um veículo. "O homem morreu no local, a apenas algumas dezenas de metros de sua casa", disse um comunicado do gabinete de Venediktova. 

Shishimarin e os outros soldados fugiam em um carro após sua caravana de tanques ter sido atacada na região de Sumy, no norte da Ucrânia. O civil de 62 anos empurrava uma bicicleta perto de sua casa e teria testemunhado o roubo do automóvel.

No início de maio, as autoridades ucranianas anunciaram a detenção do sargento russo, divulgando um vídeo em que Shishimarin, natural da região siberiana de Irkutsk, no leste da Rússia, dizia ter ido lutar na Ucrânia para "apoiar financeiramente a mãe".

O Kremlin disse na quarta-feira que não tinha "nenhuma informação sobre o caso". "As possibilidades de apoio também são muito limitadas devido à falta de uma missão diplomática no local", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

TPI envia missão à Ucrânia

Na terça-feira, o Tribunal Penal Internacional (TPI) anunciou o envio de uma equipe de 42 especialistas à Ucrânia para investigar possíveis crimes cometidos pelas tropas russas desde o início da invasão ao país, em 24 de fevereiro. 

Segundo o procurador-geral do TPI, Karim Khan, a equipe inclui cientistas forenses e outros funcionários de apoio e trata-se da "mais importante missão em termos de efetivo já enviado de uma só vez ao território".

Os peritos devem entrevistar testemunhas, recolher e analisar indícios, além de apoiar os investigadores nacionais na obtenção de provas que possam ser usadas em futuros processos perante o Tribunal. A equipe, que também conta com membros cedidos pela Holanda, trabalhará em conjunto com especialistas forenses franceses que já estão na Ucrânia.

ONU aprova investigação

Na quinta-feira passada, o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou uma resolução para iniciar uma investigação sobre possíveis crimes de guerra cometidos pela Rússia na Ucrânia. 

A ONU já havia estabelecido uma comissão de inquérito em março. Agora, o grupo terá como foco investigar, sobretudo, suspeitas de crimes de guerra nas regiões de Kiev, Tchernihiv, Kharkiv e Sumy. O objetivo também é recolher provas e estabelecer responsabilidades para que os autores físicos e morais das execuções sejam julgados por um tribunal competente.

le (AP, Lusa, ots)