Rússia desiste de mísseis em Kaliningrado após anúncio de Obama | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 18.09.2009
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Mundo

Rússia desiste de mísseis em Kaliningrado após anúncio de Obama

Após desistência do controverso sistema de defesa aérea na República Tcheca e na Polônia, Rússia desistiu de posicionar mísseis em Kaliningrado. Governo de Varsóvia e oposição republicana reprovaram decisão de Obama.

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Russos saudaram anúncio de Obama

Um dia após o anúncio da desistência norte-americana de instalar o controverso sistema de defesa contra mísseis no Leste Europeu, fontes militares russas informaram que Moscou abriu mão de estacionar em Kaliningrado mísseis capazes de transportar ogivas nucleares.

A reação positiva foi veiculada nesta sexta-feira (18/09) pela agência russa de notícias Interfax. Os mísseis seriam estacionados no enclave russo – localizado entre Polônia e Lituânia –, caso os planos do antigo presidente norte-americano George W. Bush fossem concretizados.

Em Bruxelas, Dimitri Rogozin, representante da Rússia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), disse que o anúncio norte-americano implicaria que a Rússia não precisaria mais responder à reconhecida ameaça.

"Se vemos radares e mísseis instalados na Polônia e na República Tcheca, temos que fazer alguma coisa como resposta militar", disse Rogozin. "Se não há radares e mísseis na República Tcheca e na Polônia, não precisamos encontrar resposta alguma", acresceu.

Belgien NATO Russland Treffen Generalsekretär Anders Fogh Rasmussen

Rasmussen: 'Novo capítulo nas relações Otan-Rússia'

Novo capítulo nas relações com Otan

A Otan, por sua vez, procura uma cooperação mais estreita com os russos. Entre outros temas, o secretário-geral da organização, Anders Fogh Rasmussen, sugeriu a Moscou uma interligação dos sistemas de escudo antimíssil dos EUA, da Otan e da Rússia. "Gastamos energia demais naquilo que nos separa", declarou Rasmussen nesta sexta-feira em Bruxelas, em seu primeiro discurso após ter assumido o cargo de secretário-geral da Otan.

Rasmussen propôs a Moscou iniciar um novo capítulo nas relações que ficaram congeladas por um ano devido ao conflito no Cáucaso. O político dinamarquês salientou que ambos os lados já cooperaram, no passado, em questões de sistema de defesa contra mísseis de curto alcance.

"A Otan e a Rússia têm muita experiência em sistemas de defesa contra mísseis. Agora, devemos trabalhar para aproveitar essa experiência em prol de uma vantagem comum", disse Ramussen. Segundo diplomatas da Otan, já está sendo avaliado em Bruxelas que consequências a decisão norte-americana tem para o planejamento de sistemas de escudo antimíssil da Otan.

Elogios de Putin

PK Barack Obama zu Raketenabwehr

Republicanos desaprovam decisão de Obama

O chefe de governo russo, Vladimir Putin, saudou a desistência de Obama do projeto no Leste Europeu como "um passo corajoso". Na cidade de Sotchi, Putin declarou que esse passo deve ser seguido da suspensão das barreiras comerciais entre a Rússia e os Estados Unidos.

O primeiro-ministro russo disse ainda que o fato de os EUA terem desistido da instalação de radares na República Tcheca e do estacionamento de mísseis de defesa na Polônia seria "bom e muito certo".

Crítica republicana e polonesa

Enquanto o anúncio de Obama teve eco positivo na maior parte da comunidade internacional, ele foi duramente criticado pela oposição norte-americana. "Ele capitulou diante das exigências russas", disse o deputado republicano Howard McKeon.

O deputado John Boehner, líder da bancada republicana na Câmara dos Representantes, afirmou que o passo tomado por Obama "pouco mais faz do que legitimar a Rússia e o Irã em detrimento dos nossos parceiros na Europa".

O presidente polonês Lech Kaczynski também se demonstrou preocupado. Segundo Kaczynski, o sistema de escudo antimíssil seria uma garantia contra o surgimento de uma possível "zona cinza de segurança" ao leste da Polônia, país-membro da Otan.

O sistema de defesa norte-americano seria uma chance de elevar as relações estratégicas entre a Polônia e os EUA, disse o presidente polonês, acrescendo que espera agora "sugestões novas e concretas" por parte dos Estados Unidos.

CA/afp/dpa

Revisão: Roselaine Wandscheer

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