Quem ganha com uma guerra comercial EUA-China? | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 17.08.2017
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China x EUA

Quem ganha com uma guerra comercial EUA-China?

Trump manda investigar prática de plágio industrial dos chineses e acena com possíveis sanções. Pequim rebate, e ameaça retaliação. Para especialistas, disputa só tem perdedores.

Donald Trump exibe memorando por sindicância sobre a China. Representante de comércio Robert Lighthizer é o 2º a partir da dir.

Trump exibe memorando por sindicância sobre a China; representante de comércio Lighthizer é o 2º a partir da dir.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encarregou seu representante de comércio, Robert Lighthizer, de investigar o procedimento da China relativo à propriedade intelectual. No país, é sabida, impera tanto um baixo grau de consciência do que é ilícito como grande disposição a copiar designs e tecnologias.

O fato é conhecido também na Alemanha, maior economia da Europa, onde aqueles que roubam propriedade intelectual – seja cadeira de escritório, aparelho de medir pressão ou torneira misturadora – recebem todos os anos o Plagiarius, um troféu em forma de anão com o nariz dourado. E a China sempre consta entre os laureados com o antiprêmio.

Os EUA também condenam essa atitude. Por isso Trump quer examinar de perto as práticas comerciais chinesas. Caso Lighthizer constate irregularidades, anunciou, o país asiático está arriscado a sofrer sanções. A reação não se fez esperar: já no dia seguinte Pequim ameaçou os EUA com medidas retaliatórias. A China "não vai ficar inativa".

Europa apreensiva

Representantes do setor na Alemanha estão apreensivos. "Uma briga entre as duas maiores economias do mundo teria efeitos negativos também para a economia alemã", declarou o presidente da Câmara de Indústria e Comércio da Alemanha (DIHK), Eric Schweitzer, ao jornal Neue Osnabrücker Zeitung.

Por outro lado, há bons motivos para não levar a questão tão a sério: Trump já anunciou muitas coisas, mas concretizou bem poucas. Além disso, ele deverá precisar de Pequim como parceiro político, caso o conflito com a Coreia do Norte se agrave.

Marco Wagner, do Commerzbank, menciona uma terceira atenuante: nem todas as firmas americanas são a favor de restrições comerciais contra os chineses. "Existe um bom número de empresas que quer vender licenças para a China. E é óbvio que elas não acham uma boa ideia todas essas restrições ao país asiático."

Questão de dimensões

Ainda assim, existe um risco residual de que a disputa comercial aconteça. Ela poderá tomar dimensões diversas: se os americanos só embargarem as importações da China, é bem possível que a economia alemã saia lucrando. Pois haverá um "desvio de comércio", explica Wagner, e "o aço não será mais importado da China, mas sim de outras partes do mundo" – por exemplo, da Alemanha.

Se Trump for além de alfinetadas contra as importações chinesas, entretanto, aí a influência sobre a economia alemã poderá ser negativa. Os alemães dependem de todos os seus parceiros comerciais estarem bem, de que não haja bloqueios, para que atenda à demanda de sua clientela internacional.

Uma olhada nos números revela por que o sinal de alerta de Eric Schweitzer: a China vende para os EUA mercadorias no valor de 426 bilhões de dólares, 18,3% do volume total de suas exportações e 21,4% das importações americanas.

Trata-se principalmente de bens de consumo, os quais, como aponta a presidência da DIHK, são manufaturados com máquinas não só exportadas da Alemanha para China, mas até mesmo produzidas por sucursais de firmas alemãs que atuam naquele país asiático.

Guerra sem vencedores

Entre os impactos das taxas aduaneiras sobre os bens de consumo chineses conta também, naturalmente, o efeito cumulativo nos Estados Unidos. As taxas encarecem as importações e "a grande maioria dos consumidores americanos sofrerá com essa política, em especial os grupos de renda mais baixa", afirma o professor Stefan Kooths, diretor do Centro de Prognósticos do Instituto de Economia Mundial de Kiel. Pois "o milionário em Manhattan não depende de importações de camisetas baratas".

E aí, se os preços dos bens de consumo realmente subirem, será que os americanos ainda poderão comprar automóveis na proporção atual? – perguntam-se os especialistas da DIHK.

A economia da Alemanha troca tanto com a China quanto com os EUA um volume comercial de quase 170 bilhões de euros, totalizando mais de 15% do comércio exterior alemão total. O presidente da Câmara de Indústria e Comércio da Alemanha, Eric Schweitzer, está convencido de que uma guerra comercial sino-americana só teria perdedores.

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