Queiroz reaparece discutindo indicações para cargos em Brasília | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 24.10.2019
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Brasil

Queiroz reaparece discutindo indicações para cargos em Brasília

Áudio divulgado por jornal mostra que mesmo após escândalo de movimentação financeira ex-assessor ligado à família Bolsonaro segue atuante, desta vez no Congresso Nacional.

Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro

Queiroz é próximo da família Bolsonaro desde a década de 1980. Após eclosão de escândalo passou a levar uma rotina reclusa

Um áudio divulgado nesta quinta-feira (24/10) pelo jornal O Globo mostra o ex-PM Fabrício Queiroz tratando de indicações para cargos no Congresso Nacional. Pivô do escândaloque atingiu um dos filhos de Jair Bolsonaro no final de 2018, Queiroz afirma a um interlocutor como proceder para emplacar indicados para cargos em comissões e gabinetes parlamentares, e não apenas em posições relacionadas à família do presidente.

"Tem mais de 500 cargos lá, cara, na Câmara, no Senado. Pode indicar para qualquer comissão, alguma coisa, sem vincular a eles [família Bolsonaro] em nada. Vinte continho pra gente aí caía bem pra c. entendeu? Não precisa vincular a um nome. Chega lá e pô, cara, no gabinete do Flávio faz fila de deputados e senadores, o pessoal para conversar com ele. Pô, é só chegar, meu irmão, nomeia fulano aí pra trabalhar contigo. Salariozinho bom desse aí, cara, pra gente que é pai de família, p. que pariu, cai igual uma uva", diz Queiroz.

O jornal não apontou com quem Queiroz estava falando, mas indicou que a gravação foi feita em junho deste ano, pelo menos sete meses depois de o ex-assessor passar a manter uma rotina reclusa para escapar dos holofotes. Amigo pessoal de Jair Bolsonaro, Queiroz ocupou por mais de uma década um cargo de assessor no gabinete do filho mais velho do presidente, Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ele foi exonerado em 16 de outubro do ano passado, pouco depois de Flávio ter sido eleito senador e Jair Bolsonaro ter passado para o segundo turno do pleito presidencial.

Em dezembro, a imprensa revelou que um relatório do antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que Queiroz movimentou 1,2 milhão de reais em uma conta bancária entre 2016 e 2017 e recebeu vários depósitos de outros assessores de Flávio, muitas vezes em datas próximas do pagamento dos salários na Alerj.

A movimentação logo levantou a suspeita de que ele era o administrador de um esquema de "rachadinha", prática em que servidores de gabinetes devolvem parte de seus salários a parlamentares. Depois disso, Queiroz apareceu raramente e em algumas ocasiões deu explicações contraditórias sobre a movimentação.

Chegou a afirmar que elas seriam resultado de um esquema de compra e venda de carros, apesar de não ter registros das transações ou dos carros, e depois admitiu que recebia parte dos salários, mas disse que eles eram usados para contratar assessores informais de Flávio, sem o conhecimento do então deputado.

Queiroz também afirmou que foi o responsável pela contratação no gabinete de Flávio da mulher e da mãe de um ex-policial suspeito de integrar uma organização criminosa de pistoleiros que atua na zona oeste do Rio de Janeiro. As ligações de Queiroz com milicianos lançaram mais sombras sobre a família Bolsonaro, que por anos expressou simpatia por esses grupos.  

Nos meses seguintes, Queiroz levou uma rotina discreta. Em agosto, a revista Veja revelou que ele estava morando no bairro paulista do Morumbi.  

Ao jornal O Globo, o advogado de Queiroz, Paulo Klein, afirmou que seu cliente não cometeu nenhum crime ao discutir indicações para cargos em Brasília. Segundo Klein, Queiroz ainda continua a deter "algum capital político".

"A defesa técnica de Fabrício Queiroz vê com naturalidade o fato dele ser uma pessoa que ainda detenha algum capital político, uma vez que nunca cometeu qualquer crime, tendo contribuído de forma significativa na campanha de diversos políticos no estado do Rio de Janeiro. Portanto, a indicação de eventuais assessores não constitui qualquer ilícito ou algo imoral, já que, repita-se, Fabrício Queiroz jamais comeu qualquer ato criminoso", disse Klein.

Já Flavio Bolsonaro disse ao jornal que negou aceitar indicações do ex-assessor. Ele ainda afirmou que não tem contato com Queiroz desde 2018.

O presidente Bolsonaro, por sua vez, afirmou durante sua viagem à China que ainda não havia ouvido o áudio e que não sabe nada sobre as atividades do ex-assessor. A filha de Queiroz, Nathalia de Melo Queiroz, uma personal trainer, trabalhou oficialmente por dois anos, entre 2016 e 2018, no gabinete de Jair Bolsonaro em Brasília quando ele ainda era deputado. 

"O Queiroz cuida da vida dele, eu cuido da minha", afirmou Bolsonaro.

A suspeita de prática de rachadinha chegou a resultar na abertura de uma investigação contra Flávio por parte do Ministério Público do Rio de Janeiro, com base no relatório do Coaf. No entanto, em julho, uma decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, suspendeu todas as investigações no país que tinham como base dados fiscais compartilhados pelo Coaf sem autorização do Poder Judiciário. A decisão beneficiou diretamente o filho mais velho do presidente. 

JPS/ots

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