Que perigo representam torcedores russos durante a Copa? | Siga a cobertura dos principais eventos esportivos mundiais | DW | 18.06.2018
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Copa de 2018

Que perigo representam torcedores russos durante a Copa?

Muitos se perguntam se hooligans voltarão a ocupar manchetes durante o Mundial de 2018, reforçando imagem negativa da torcida russa. Autoridades do país adotaram medidas de segurança para evitar confrontos.

Hooligans russos e ingleses entrara em confronto na Eurocopa 2016

Hooligans russos e ingleses entrara em confronto na Eurocopa 2016, em Marselha

Assim que a Rússia foi nomeada sede da Copa do Mundo 2018, os torcedores do país passaram a sofrer pressão por parte dos órgãos públicos, relata o fundador de um grupo de aficionados do futebol no serviço de mensagens Telegram. Em entrevista à DW, ele usa o pseudônimo Vlad MDS.

Quando ocorreram pancadarias em massa entre hooligans russos e ingleses na Eurocopa 2016, em Marselha, as autoridades suspenderam o diálogo com os torcedores. A partir daí, só os órgãos de segurança se ocupavam deles, relata Aleksandr Shprygin, presidente da União Pan-Russa de Torcedores.

Após uma briga envolvendo cerca de 200 torcedores dos clubes moscovitas Spartak e ZSKA, no fim de janeiro de 2016, foram abertos pela primeira vez processos criminais para um tipo de confusão que até então costumava ser punido apenas com multas.

O fanatismo entre os torcedores de futebol existe na Rússia desde a década de 1970, e aumentou depois da dissolução da União Soviética. No fim dos anos 90, eram frequentes pancadarias com centenas de participantes, bem no meio de cidades.

"No começo do novo milênio, o movimento de torcedores chegou ao auge na Rússia", lembra Shprygin. E mais ou menos por essa época a agência governamental antiextremismo assumiu o combate aos entusiastas violentos do futebol.

Segundo Vlad MDS, o Kremlin também passou a perseguir outras metas: "As autoridades queriam estabelecer uma boa relação com os grupos de torcedores de alguns times de futebol, a fim de utilizar a lealdade deles para seus próprios fins."

Na segunda metade da década de 2000, os torcedores se retiraram literalmente das vistas dos órgãos de segurança, indo para os bosques na periferia urbana. As brigas em massa diminuíram significativamente de porte, limitando-se a dez ou 30 participantes de cada lado. Na época, fundaram-se diversas associações de aficionados, inclusive a União Pan-Russa.

"O ministro do Esporte estava em contato constante conosco, e a União Pan-Russa de Torcedores foi aceita na Federação Russa de Futebol. [O presidente Vladimir] Putin se encontrou duas vezes conosco, e também os presidentes da Fifa e da Uefa. Eu cheguei a participar da comissão organizadora do Mundial de 2018, em Moscou", lembra Shprygin. Mas aí tudo mudou.

Repressão intensificada

Segundo o presidente da associação esportiva, os acontecimentos de meados de 2016 na cidade francesa de Marselha foram um ponto de virada.

"A União Pan-Russa foi responsabilizada pelo comportamento dos torcedores na França, e expulsa da Federação Russa de Futebol", conta Shprygin. A organização suspendeu, então, suas atividades.

Funcionários do Centro de Combate ao Extremismo e do serviço secreto FSB têm conversado constantemente com líderes de outros movimentos de torcida. No caso de infrações dentro ou fora dos estádios, há batidas policiais, realizam-se prisões, interrogatórios e também processos criminais.

"São medidas preventivas para a Copa do Mundo", explicou Vlad MDS antes do início do Mundial. Ele está convencido de que há colaboradores dos órgãos de segurança infiltrados entre os torcedores radicais.

Por pressão das autoridades, muitos torcedores abandonaram o movimento e se recolheram, e diversos grupos regionais interromperam temporariamente suas atividades, diz. "Possivelmente eles partiram do princípio de que depois do Mundial as autoridades vão relaxar em relação à vigilância", supõe o líder de torcida.

Viagem ao exterior como álibi

Ambos os entrevistados pela DW acreditam que não haverá confrontos perigosos durante a Copa do Mundo deste ano.

"Em todo lugar onde esporte, emoções e massas se juntam, é claro que podem acontecer pancadarias isoladas", comenta Shprygin. Mas, com as atuais medidas de segurança, será impossível uma batalha de rua como a vista na Eurocopa 2016, considera.

"A polícia russa vai reagir diferentemente da de Marselha, que simplesmente ficou assistindo à pancadaria. Aqui, eles vão impedir que se formem grupos maiores", diz.

É possível que parte dos representantes do movimento de torcidas tenham saído do país por ocasião do Mundial. "Muitos torcedores russos foram aconselhados a tirar férias no exterior durante a Copa do Mundo, para terem álibis caso aconteçam confrontos", revela Vlad MDS.

No entanto, a imagem negativa dos torcedores russos que se formou nos últimos anos entre os europeus pode estar justamente ligada à moda de "ir para a Europa se atracar", especula Shprygin. Muitos acreditam que podem se misturar à multidão e permanecer anônimos no continente.

Entre esses amantes do futebol russos, impera uma sensação de "relativa impunidade", descreve Vlad MDS. "Para os torcedores, agora é mais confortável ir brigar na tranquila e pacífica Europa do que enfrentar a realidade russa, em que todo mundo sabe o que os espera."

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