Que intervalos países recomendam para doses da AstraZeneca? | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 14.07.2021

Conheça a nova DW

Dê uma olhada exclusiva na versão beta da nova DW. Sua opinião nos ajudará a torná-la ainda melhor.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Saúde

Que intervalos países recomendam para doses da AstraZeneca?

Avanço da variante delta, inicialmente detectada na Índia e que é mais contagiosa, mudou várias estratégias nacionais de imunização. Vários países estão reduzindo o intervalo entre primeira e segunda doses.

Vacina da AstraZeneca

No Brasil, Fiocruz recomenda 12 semanas entre as duas doses do imunizante da AstraZeneca

A Fiocruz, que é responsável pela produção da vacina AstraZeneca no Brasil, manteve a recomendação de 12 semanas para o intervalo entre aplicação das duas doses do imunizante. A decisão foi divulgada na terça-feira (13/07), em meio a um movimento em pelo menos oito estados do país para antecipar a aplicação da segunda dose da vacina.

Durante os ensaios clínicos, no final do passado, o intervalo estudado foi de três semanas entre as doses. A recomendação inicial passada aos países foi de 28 dias. Mas, com o início das campanhas nacionais de imunização, a estratégia logo mudou.

Países começaram a prorrogar o intervalo, para até 12 semanas, com o objetivo de proteger o maior número de pessoas possível, até que os estoques de doses pudessem ser reforçados. A estratégia teve o aval da fabricante.

Neste intervalo, a vacina mostrou eficácia superior a 80% em evitar infecções sintomáticas de covid-19. Contra as variantes alfa e delta, a proteção é de 66% e 60%, respectivamente.

Nos primeiros testes, a vacina mostrou 100% de eficácia em evitar hospitalizações pela doença. Diante da variante delta do coronavírus, inicialmente detectada na Índia e atualmente predominante na Europa, a eficácia contra casos severos de covid-19 é estimada em 92%.

Mudança no intervalo entre as doses

É justamente a variante delta que está levando muitos países a mudarem sua estratégia para a vacina da AstraZeneca.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) sugeriu em junho que o intervalo entre as doses deveria ser encurtado por conta da predominância das novas variantes no continente, como a delta.

"Nós vimos, com base nos dados do Reino Unido, que a primeira dose da vacina da AstraZeneca é eficaz contra a variante delta, mas uma segunda dose aumentou a proteção de maneira significativa. Visto que a proteção com a primeira dose é baixa no confronto com a variante alfa, que estamos vendo circular muito na Europa, seria importante que o intervalo entre as duas doses fosse encurtado", disse o chefe da Estratégia de Vacinas e de Ameaças Biológicas à Saúde da EMA, Marco Cavaleri.

No Reino Unido, primeiro país a começar a aplicar a vacina da AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, a estratégia está em vigor: o intervalo entre as doses foi reduzido de 12 para oito semanas.

O movimento foi acompanhado por vários países europeus, como Portugal e Espanha. Na França, é possível atualmente receber a segunda dose entre três e sete semanas após a primeira.

Na Alemanha, a atual recomendação é diferente: também devido ao avanço da variante delta, quem tomou uma primeira dose da AstraZeneca deve buscar o mais rapidamente possível (intervalo mínimo de quatro semanas) receber uma segunda dose dos imunizantes da Moderna ou da Pfizer/Biontech

Fora da Europa, países também estão reduzindo o intervalo, para pelo menos oito semanas, como é o caso da Austrália. A medida é válida para regiões como Sydney, onde há um surto da variante delta.

Na Índia, onde a vacina da AstraZeneca é produzida sob o nome de Covishield pelo Instituto Serum, a recomendação foi no sentido contrário: o intervalo foi ampliado de entre oito e 12 semanas para entre 12 e 16 semanas.

O objetivo da política de imunização na Índia, país de 1,3 bilhão de habitantes, é garantir pelo menos uma dose para o maior número de pessoas possível, já que ainda não há vacina suficiente para todos.

Na África, onde a maioria dos países recebeu doses da AstraZeneca da iniciativa solidária internacional Covax, John Nkengasong, diretor dos Centros Africanos para Controle e Prevenção de Doenças, disse que aqueles que receberam AstraZeneca como primeira dose poderiam receber a vacina da Johnson & Johnson como segunda. O motivo é a falta de doses da AstraZeneca.

Como o intervalo afeta a eficácia

O intervalo de 12 semanas foi estabelecido porque a vacina da AstraZeneca parece oferecer melhor proteção quanto maior for o intervalo entre as doses - pelo menos contra o vírus original que emergiu de Wuhan, na China.

Contra essa variante do vírus, duas doses de AstraZeneca com menos de seis semanas de intervalo conferiram 55,1% de eficácia contra casos sintomáticos de covid-19, mas alongando esse intervalo para 12 semanas ou mais, a proteção subiu para 81,3%.

Com a segunda dose aplicada de seis a oito semanas após a primeira, a eficácia da vacina contra doenças sintomáticas subiu para 60%; entre nove e 11 semanas, foi para 63,7%. Todos estes dados foram coletados antes do surgimento da variante delta.

A eficácia da vacina é uma medida muitas vezes entendida de forma errada: se uma vacina é 95% eficaz, não significa que 95% das pessoas estão protegidas contra doenças. Em sim que um grupo de pessoas que receberam a vacina pode esperar uma redução de 95% no número de casos sintomáticos em relação a um grupo que não recebeu.

rpr/lf (ots)