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Vladimir Putin
Putin também traçou paralelos entre o apoio de Washington à Ucrânia e a visita a Taiwan da presidente da Câmara dos EUA, Nancy PelosiFoto: Sergei Bobylev/TASS/dpa/picture alliance

Putin acusa EUA de alongarem guerra para manter hegemonia

16 de agosto de 2022

Discursando para militares da América Latina, Ásia e África, presidente russo acusa Washington de tentar desestabilizar o mundo e usar o povo ucraniano como "bucha de canhão" e prevê fim de "ordem unipolar".

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O presidente russo, Vladimir Putin, acusou nesta terça-feira (16/08) os Estados Unidos de incentivarem o prolongamento da guerra na Ucrânia como parte do que descreveu como um esforço de Washington para manter sua "hegemonia" global, e previu que "a era da ordem mundial unipolar aproxima-se de seu fim".

Em uma mensagem em vídeo transmitida durante uma conferência internacional de segurança em Moscou, da qual participavam militares de países da América Latina, Ásia e África, Putin repetiu seu argumento de que enviou tropas para a Ucrânia após Washington ter supostamente transformado o país em um baluarte "anti-Rússia".

"Eles precisam de conflitos para manter sua hegemonia", afirmou Putin. "É por isso que eles transformaram o povo ucraniano em bucha de canhão. A situação na Ucrânia mostra que os Estados Unidos estão tentando prolongar o conflito, e eles agem exatamente da mesma forma tentando fomentar conflitos na Ásia, África e América Latina."

A alegação de Moscou de que a invasão à Ucrânia seria uma medida preventiva para garantir a segurança do território russo é repetida à exaustão pelo Kremlin desde o início da guerra, mas há sinais de que o objetivo de Putin é expandir o território de seu país para criar uma conexão terrestre entre a Rússia e a península da Crimeia, anexada em 2014, com a possibilidade de uma expansão ainda mais a oeste.

Mapa mostra tropas russas no leste da Ucrânia

O discurso de Putin nesta terça-feira também se insere em uma estratégia para tentar reunir apoio de outros países contra as sanções impostas por países do Ocidente a Moscou e a empresas e integrantes da elite russa. No final de junho, o presidente russo já havia usado a cúpula anual dos Brics, grupo que inclui também Brasil, Índia, China e África do Sul, para culpar o Ocidente pela crise econômica global e buscar apoio desses países para contornar as sanções. Na ocasião, Pequim também criticou fortemente as sanções do Ocidente.

Comparação com Taiwan

Putin traçou ainda paralelos entre o apoio de Washington à Ucrânia e a recente visita a Taiwan da presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, sugerindo que ambos seriam parte de uma tentativa americana de fomentar instabilidade global.

"A aventura americana em Taiwan não foi apenas uma viagem de uma política irresponsável. Foi parte de uma estratégia deliberada e consciente dos EUA destinada a desestabilizar a situação e criar caos na região e no mundo inteiro, uma demonstração evidente de desrespeito pela soberania de outro país e de suas próprias obrigações internacionais", disse Putin nesta terça-feira.

Taiwan é uma ilha autogovernada, com um regime democrático e politicamente próximo de países do Ocidente, e uma importante produtora de chips eletrônicos. A China considera a ilha parte de seu território e vem dando sinais de que pretende forçar uma reunificação.

Pelosi foi a Taipei no início de agosto, a mais alta autoridade americana a visitar a ilha em 25 anos, apesar de o governo Joe Biden ter recomendado a ela que não fizesse a viagem no momento, devido ao custo-benefício envolvido. Após a visita, a China conduziu extensos exercícios militares ao redor da ilha.

O líder russo alegou que "as elites globalistas ocidentais" estavam tentando "transferir a culpa de seus próprios fracassos para a Rússia e a China", acrescentando que "não importa o quanto os beneficiários do atual modelo globalista tentem agarrar-se a ele, ele está condenado".

Oferta de armas e cooperação militar

Na segunda-feira, Putin já havia estendido a mão para governos da América Latina, Ásia e África ao afirmar que a Rússia estava preparada para fornecer equipamentos militares e fechar acordos de cooperação para desenvolvimento tecnológico-militar com os países desses continentes.

"A Rússia valoriza sinceramente laços historicamente fortes, amigáveis ​​e verdadeiramente baseados em confiança com os Estados da América Latina, Ásia e África, e está pronta para oferecer armas de última geração a seus aliados e parceiros. De armas pequenas a veículos blindados, artilharia antiaérea e veículos aéreos não tripulados", afirmou Putin, ressaltando que "quase todas foram usadas ​​repetidamente em operações de combate reais".

Há dúvida, porém, sobre a capacidade de a indústria bélica russa fornecer equipamentos militares a outros países enquanto perdurar a guerra na Ucrânia, iniciada há quase seis meses e sem sinais de trégua, impondo severas perdas de equipamentos e humanas para os dois lados em conflito.

Essa fala de Putin foi feita na abertura dos Jogos Internacionais do Exército, em Moscou, organizados anualmente pelo Kremlin. Neste ano, participam do evento delegações de 37 países.

O presidente russo também ofereceu parcerias para a formação de militares estrangeiros na Rússia. "Milhares de profissionais militares de todo o mundo são orgulhosos ex-alunos das universidades e academias militares de nosso país", disse.

bl/lf (AP, AFP)