Protestos contra restrições terminam em confrontos em Paris | Notícias internacionais e análises | DW | 25.07.2021

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Coronavírus

Protestos contra restrições terminam em confrontos em Paris

Milhares de pessoas contrárias às novas regras impostas pelo governo saíram às ruas em mais de 100 cidades francesas. Itália, Grécia e Austrália também registraram manifestações.

Manifestantes entraram em conflito com a polícia em Paris, neste sábado (24/07), após protestos contra novas regras do governo francês para conter a disseminação do coronavírus.

Na capital francesa, cerca de 11 mil pessoas saíram às ruas para protestar, sobretudo, contra a vacinação obrigatória de profissionais da saúde e contra a exigência de um passe sanitário para acessar museus, cinemas, restaurantes e eventos culturais e esportivos.

Os manifestantes gritavam, entre outras coisas, "liberdade, liberdade" e exigiam a saída do presidente Emmanuel Macron. Os protestos tiveram a participação dos "coletes amarelos", que ganharam notoriedade em atos contra Macron desde 2018, e do vice-presidente do partido ultradireitista Reunião Nacional, Florian Philippot, que chamou Macron de "tirano", acusando-o de impulsionar uma política de "apartheid".

Ao final dos atos, tumultos eclodiram em vários pontos da cidade, principalmente perto da Champs-Elysées, e manifestantes tiveram de ser contidos pela polícia com gás lacrimogêneo e canhões de água. O ministro do Interior francês, Gerald Darmanin, condenou a violência contra a polícia e disse que nove pessoas foram presas.

De acordo com o Ministério do Interior da França, cerca de 160 mil pessoas participaram de protestos em Paris e em mais de 100 cidades francesas, incluindo Toulouse, Lyon, Estrasburgo, Lille, Nice e Marselha. Foi o segundo sábado seguido de protestos – na semana passada, cerca de 114 mil pessoas foram às ruas.

Apesar das manifestações, pesquisas indicam que a maioria dos franceses são a favor das medidas de controle. Um levantamento do Instituto Elabe divulgado em 13 de julho mostrou que 76% dos franceses concordam com a vacinação obrigatória. A expansão do passe de saúde também tem a aprovação da maioria.

A França vive uma alta vertiginosa nos casos de covid-19, impulsionados pela disseminação da variante delta. Na sexta-feira, cerca de 21.500 novas infecções foram registradas – há três semanas, eram aproximadamente 4.500 por dia.

Foto mostra muitas pessoas, com a torre Eifel ao fundo. Algumas portam bandeiras da França.

Em Paris, cerca de 11 mil pessoas saíram às ruas para protestar

Novas regras

Desde quarta-feira a França passou a exigir a apresentação de um passe sanitário a todos aqueles que desejem acessar cinemas, teatros, museus e qualquer evento ou espetáculo, cultural ou esportivo, que reúna mais de 50 pessoas.

O documento traz um código QR que, ao ser escaneado na entrada do estabelecimento, informa se a pessoa está completamente vacinada contra a covid-19, se teve a doença nos últimos seis meses ou se tem um teste negativo para o coronavírus feito nas últimas 48 horas. 

As mudanças foram implementadas por decreto, mas os parlamentares devem decidir ainda neste domingo sobre a nova legislação.

Se aprovado pelos deputados e senadores, o passe de saúde também será obrigatório a partir de agosto para frequentar bares e restaurantes, entrar em grandes centros comerciais, visitar hospitais e casas de repouso e utilizar transporte público de longa distância (aviões, trens, ônibus e barcos).

Desde o anúncio da obrigatoriedade do passe sanitário na semana passada, milhões de franceses agendaram a primeira dose da vacina. Até o fim de julho, o governo espera ter aplicado ao menos a primeira dose em 40 milhões dos 67 milhões de habitantes. Na sexta-feira, 58% da população francesa já havia recebido ao menos uma dose de vacinas contra a covid-19 e 48% estava completamente vacinada.

Protestos na Itália e na Grécia

Na Itália, milhares de pessoas também protestaram contra medidas de restrição no sábado. Grandes manifestações foram relatadas em Roma, Milão, Turim, Gênova e Nápoles.

A partir de 6 de agosto, a Itália também exigirá um passe sanitário obrigatório para acesso a espaços fechados como bares, restaurantes, piscinas, pavilhões esportivos, museus, cinemas e teatros.

Na Grécia, os protestos contra a vacinação obrigatória para certos grupos reuniram cerca de 5 mil pessoas e terminaram em confrontos violentos. Em Atenas, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água contra os manifestantes, após ser atingida por coquetéis molotov.

Foto mostra policial em um cavalo, em frente a manifestantes. A cena parece um confronto.

Em Sydney, mais de 50 pessoas foram presas

Dezenas de presos na Austrália

Além da Europa, protestos contra as restrições foram registrados, também, na Austrália. Em Sydney centenas de pessoas saíram às ruas para protestar contra o confinamento decretado para combater a pandemia de covid-19, violando a obrigação de permanecer em casa, em vigor até 30 de julho. De acordo com a polícia, 57 pessoas foram presas.

Em comunicado, a polícia do estado de Nova Gales do Sul, cuja capital é Sydney, disse que "reconhece e apoia" o direito de reunião pacífica e de liberdade de expressão, mas afirmou que o protesto violou as atuais ordens de saúde pública.

Atos também foram registrados em Melbourne, onde seis pessoas foram detidas.

le (lusa, afp, dpa, rtr)

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