Princesa saudita é condenada por agressão em Paris | Notícias internacionais e análises | DW | 12.09.2019
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Mundo

Princesa saudita é condenada por agressão em Paris

Filha do rei da Arábia Saudita foi acusada de ordenar que segurança amarrasse e agredisse um encanador. Trabalhador havia sido chamado para consertar uma pia no apartamento da princesa na capital francesa.

Advogado de toga

O advogado do trabalhador agredido, Georges Karouni, disse que decisão mostra "que todos são iguais perante a lei"

Um tribunal francês condenou nesta quinta-feira (12/09) a princesa saudita Hassa bint Salman a 10 meses de prisão com suspensão condicional de pena e ao pagamento de uma multa de 10 mil euros. Ela foi considerada culpada de ordenar em 2016 uma série de agressões e o sequestro de um encanador que havia sido chamado para consertar uma pia no banheiro do seu apartamento em Paris. 

Hassa, a única filha do rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, não compareceu à audiência. Apesar da suspensão condicional da pena, a sentença foi mais dura do que a inicialmente solicitada pelo Ministério Público francês, que havia pedido uma sentença suspensa de seis meses e uma multa de 5 mil euros - um valor irrisório para os membros da família bilionária que controla a Arábia Saudita.

Pela lei francesa, nesse tipo de condenação suspensa, a pena de prisão só deve ser cumprida se o condenado cometer um novo crime em um determinado período.

Os promotores acusaram a princesa de 43 anos de ordenar que um de seus guarda-costas espancasse Ashraf Eid, um encanador de origem egípcia radicado na França. A agressão ocorreu após a princesa notar que o trabalhador estava tirando fotografias com seu telefone celular. Segundo a vítima, Hassa o acusou de tirar as fotografias com a intenção de vendê-las à imprensa. 

De acordo com a denúncia, ela então ordenou que um de seus seguranças, chamado Rani Saidi, amarrasse as mãos do encanador. Eid contou que levou socos e chutes e foi forçado a beijar os pés da princesa.

O encanador disse aos investigadores que apenas tirou fotos da pia, que ficava no banheiro, e que elas eram necessárias para realizar seu trabalho. Ele ainda contou que durante as agressões a princesa Hassa disse: "Você vai ver como se fala com uma princesa, como se fala com a família real".

Eid ainda alegou que só recebeu permissão para deixar o apartamento após várias horas. Antes disso, seu telefone foi destruído. Ainda segundo sua versão, a princesa gritou para seu segurança: "Mate esse cachorro, ele não merece viver".

A defesa da princesa negou que ela tenha cometido qualquer ato ilegal. Seu advogado, Emmanuel Moyne, disse que toda a investigação foi baseada em "falsidades". O segurança Rani disse que havia dois vídeos de Hassa bint Salman no aparelho do encanador. O funcionário da princesa também negou ter ameaçado ou agredido Eid ou tê-lo sequestrado.

 Já o advogado do trabalhador agredido, Georges Karouni, saudou após o julgamento a "coragem" do seu cliente. Segundo ele, a decisão mostra "que todos são iguais perante a lei". 

A princesa e o segurança chegaram a ser levados para uma delegacia à época da agressão, depois que o trabalhador prestou queixa. Saidi permaneceu dois meses em detenção, mas a princesa foi liberada poucas horas depois e deixou o país imediatamente.

Hassa, que também é meia-irmã do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, não voltou à França desde então. Um mandado de prisão internacional chegou a ser expedido contra ela em novembro de 2017.

Seu guarda-costas, Rani Saida, esteve presente no julgamento. Ele foi considerado culpado por agressão, sequestro e roubo e sentença a oito meses de prisão (também suspensos) e ao pagamento de uma multa de 5 mil euros.

JPS/dpa/dw/lusa

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