Premiê volta ao Líbano após renúncia inesperada | Notícias internacionais e análises | DW | 21.11.2017
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Mundo

Premiê volta ao Líbano após renúncia inesperada

Saad Hariri estava na Arábia Saudita quando anunciou sua demissão semanas atrás e, desde então, não havia retornado a seu país. Ele deve se reunir nesta quarta com presidente libanês, que ainda não aceitou renúncia.

Libanon Rückkehr Saad al-Hariri (Reuters/M. Azakir)

Hariri aterrissou no aeroporto internacional de Beirute na noite desta terça-feira

O primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, retornou a Beirute nesta terça-feira (21/11), mais de duas semanas após ter informado, de forma inesperada, sua renúncia ao cargo. O chefe de governo estava na Arábia Saudita quando fez o anúncio da renúncia e não pisava no Líbano desde então.

A televisão libanesa exibiu imagens ao vivo da chegada de Hariri ao aeroporto internacional de Beirute, onde ele aparece descendo de um avião em meio a um forte esquema de segurança.

O premiê não falou com os jornalistas que o aguardavam no terminal. Após deixar o local, seguiu para sua residência, no centro de Beirute, mas antes visitou o túmulo de seu pai, Rafiq Hariri, que também foi primeiro-ministro do país. Ele morreu em 2005 num atentado com carro-bomba.

Antes de chegar à capital libanesa, Hariri fez paradas nesta terça-feira no Egito e no Chipre, onde se encontrou com os presidentes de cada país, Abdel Fattah al-Sisi e Nicos Anastasiades, respectivamente, para debater a crise no Líbano e na região do Oriente Médio.

Hariri havia passado duas semanas em Riad após seu anúncio de demissão, e depois viajou à França a convite do presidente Emmanuel Macron. No sábado passado, os dois líderes se reuniram no Palácio do Eliseu, em Paris, onde debateram também a crise política que assola o Líbano desde o anúncio de renúncia do premiê.

Na capital francesa, o chefe de governo libanês já havia antecipado que voltaria a Beirute nesta semana para participar das celebrações do Dia da Independência, em 22 de novembro. A cerimônia é normalmente comandada pelo presidente, primeiro-ministro e chefe do Parlamento libanês.

Em Beirute, Hariri deve também se encontrar, nesta quarta-feira, com o presidente do país, Michel Aoun, para tratar das questões acerca de sua renúncia. Aoun se recusou a aceitar oficialmente a renúncia do premiê até que ele retornasse ao país e fizesse o pedido pessoalmente.

Em entrevista na televisão em 12 de novembro, Hariri deu a entender que ainda pode rever sua decisão, mas apenas se o grupo militante xiita Hisbolá assumir o compromisso de respeitar a política do governo libanês e não se envolver em conflitos regionais.

Renúncia inesperada

O primeiro-ministro anunciou sua renúncia em 4 de novembro passado durante uma visita à Arábia Saudita, gerando uma crise política no Líbano. Na ocasião, ele disse temer ser assassinado, atacou o Hisbolá e criticou a ingerência do Irã em seu país.

Grupos políticos libaneses, por outro lado, acusam a Arábia Saudita de ter obrigado Hariri a renunciar, como forma de atingir indiretamente o Hisbolá, aliado do governo libanês. O presidente Aoun também duvidou que a decisão de Hariri tenha "refletido sua vontade".

O premiê, por outro lado, rechaçou tais alegações e disse ter escrito sua carta de renúncia com "a própria mão". Ele ainda concordou que "teria sido melhor" ter renunciado a partir do Líbano, mas alegou correr perigo em seu país.

O anúncio de renúncia de Hariri trouxe o temor de que o Líbano, país de frágeis equilíbrios entre as suas diversas comunidades, caia de novo na violência.

EK/dw/rtr/dpa/ap/afp/efe

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