Premiê da Nova Zelândia afirma que jamais dirá nome do atirador de Christchurch | Notícias internacionais e análises | DW | 19.03.2019
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Mundo

Premiê da Nova Zelândia afirma que jamais dirá nome do atirador de Christchurch

Em discurso no Parlamento, Jacinda Ardern diz que autor do massacre em mesquitas não deve ter a notoriedade que desejava alcançar e critica redes sociais por difusão de imagens do atentado.

Primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, discursa no Parlamento

Primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, discursa no Parlamento

Em discurso emocionado no Parlamento da Nova Zelândia, a primeira-ministra Jacinda Ardern disse nesta terça-feira (19/03) que vai se recusar a dizer o nome do atirador que matou 50 pessoas em duas mesquitas na cidade de Christchurch para não dar a ele a notoriedade que desejava ter ao cometer as atrocidades.

Ela afirmou que a população deve se lembrar para sempre das vítimas do ataque da semana passada, mas que o nome do extremista jamais deve ser mencionado. "Ele é um terrorista. Ele é um criminoso. Ele é um extremista. Mas, sempre que eu me pronunciar, ele permanecerá sem nome", disse Ardern. "É possível que ele tenha procurado notoriedade, mas nós, na Nova Zelândia, não lhe daremos nada, nem mesmo seu nome."

O atirador, de origem australiana, demitiu o advogado que havia sido designado pelo Estado para defendê-lo, optando por representar a si próprio nos tribunais. A atitude levantou suspeitas de que ele possa usar o julgamento como uma plataforma para promover suas opiniões.

Ardern disse à imprensa que fará todo o possível para evitar que o atirador tenha a oportunidade de se autopromover na corte, mas acrescentou que não cabe a ela decidir se o julgamento deve ou não ocorrer a portas fechadas.

A intenção de ganhar notoriedade ficou evidente após o atirador enviar um manifesto ao escritório de Ardern e de outras figuras importantes minutos antes de realizar o massacre, e por ele ter transmitido ao vivo o ataque à mesquita Al Noor.

A transmissão das imagens gerou uma onda de condenações e revolta. O Facebook afirma que removeu 1,5 milhão de versões do vídeo na rede social nas primeiras 24 horas após o ataque. Ardern, porém, lamentou que a filmagem ainda estivesse online quatro dias após o atentado e atribuiu a responsabilidade por isso ao Facebook.

"Mantivemos contato com o Facebook, e eles nos atualizaram de seus esforços para removê-las", disse a primeira-ministra. "Nossa opinião é a de que não pode e não deve ser distribuído, disponibilizado ou estar apto a ser visto."

Ela disse ter estado em contato com a chefe de operações da rede social, Sheryl Sandberg, e que conversou com a primeira-ministra britânica, Theresa May, sobre a importância de uma iniciativa global para restringir a distribuição desse tipo de conteúdo digital.

"Não podemos simplesmente ficar sentados e aceitar que essas plataformas simplesmente existam e que o que é dito nelas não é de responsabilidade do espaço onde é dito. Eles são os publishers [quem publica] e não apenas o mensageiro", disse.

Ardern mencionou a revolta e os questionamentos gerados pelo fato de o ataque ter ocorrido num país que se orgulha de ser tolerante, pacífico e diversificado. "Há muitas questões que precisam de respostas e a garantia que posso lhes dar é que elas virão", disse a primeira-ministra. "Vamos avaliar o que sabíamos, poderíamos ou deveríamos ter sabido. Não podemos permitir que isso ocorra novamente."

A primeira-ministra, amplamente elogiada por lidar de forma solidária e determinada com a tragédia, disse que jamais imaginou que teria um dia de dar voz ao sofrimento de toda uma nação. Nesta segunda-feira, ela disse que seu governo anunciará em breve leis mais rígidas para a posse de armas e que haverá um inquérito sobre o papel das agências de inteligência para verificar se elas deveriam ter dado atenção maior a eventuais sinais de alerta e, possivelmente, evitado o ataque.

Há preocupações de que as autoridades estivessem com o foco demasiadamente voltado para a comunidade muçulmana, tentando detectar e evitar possíveis perigos, sem dar a atenção devida a outros fatores de risco. O Escritório de Comunicações de Segurança, a agência neozelandesa de inteligência, confirmou que não recebeu nenhuma informação relevante antes do ataque.

Ardern aproveitou o discurso para elogiar a coragem de Naeem Rashid, de origem paquistanesa, que morreu ao tentar desarmar o atirador, e o heroísmo de Abdul Aziz, que o atacou com uma máquina de cartões de crédito e que teria, dessa forma, salvado muitas vidas na mesquita de Linwood, onde sete pessoas foram assassinadas.

Ela lembrou também de Hati Mohemmed Daoud Nabi, de 71 anos, que abriu uma das portas da mesquita e, ao se deparar com o atirador, lhe disse "olá, irmão, seja bem-vindo". Estas acabaram sendo suas últimas palavras. "É claro que ele não tinha ideia do ódio que o aguardava atrás da porta, mas suas boas-vindas nos dizem muito – que ele era parte de uma fé que acolhe todos os membros e demonstra abertura e carinho".

Ela encerrou seu discurso com a saudação em árabe al salam alaikum, que significa "que a paz esteja sobre vós".

Segundo as autoridades, 30 pessoas ainda estão em tratamento nos hospitais, nove delas em estado grave. Uma menina de 4 anos de idade foi transferida para um hospital em Auckland, em estado crítico. Seu pai está no mesmo hospital e apresenta quadro clínico estável.

RC/ap/rtr

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