Portugueses escolhem chefe de Estado em meio à crise econômica | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 23.01.2011
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Mundo

Portugueses escolhem chefe de Estado em meio à crise econômica

Reeleição de Cavaco Silva já no primeiro turno, dada como certa pelas sondagens eleitorais, reforçará a ambivalência entre a Presidência conservadora e o governo minoritário do socialista José Sócrates.

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Cavaco Silva, que deve se reeleger neste domingo

Mais de 9,6 milhões de eleitores estão aptos a votar neste domingo (23/01) para eleger o presidente de Portugal, numa disputa em que a reeleição do atual mandatário, o social-democrata Aníbal Cavaco Silva, de 71 anos, é dada como certa por analistas e pelas pesquisas eleitorais. Ele pode angariar mais de 60% dos votos já no primeiro turno. Na eleição anterior, há cinco anos, obteve 50,5%.

A eleição para um cargo eminentemente representativo não despertaria o interesse internacional se não fosse a crise econômica que afeta Portugal, frequentemente colocado no mesmo grupo de Grécia, Irlanda e outros países da zona do euro em dificuldades. Durante a campanha, Cavaco Silva partiu para o confronto, associando o governo do primeiro-ministro, o socialista José Sócrates, à crise e afirmando que a enorme dívida externa e o desemprego criaram uma situação explosiva no país.

"São eleições em que os candidatos, principalmente Cavaco Silva, fazem uma campanha em torno do conflito. Isto é, quando ele agudiza as críticas públicas ao governo, é evidente que está a afinar o discurso para ver como vai se comportar como presidente da República nos meses em que será obrigado a aturar Sócrates. Por que ambos sabem que vão ser obrigados a entender-se", afirmou à Deutsche Welle o jornalista português especializado em política Carlos Magno.

Estabilidade

Uma clara vitória de Cavaco Silva pode ter como consequência uma convivência mais difícil entre o chefe de Estado conservador e o chefe de governo socialista. O presidente se veria reforçado em sua posição e poderia pressionar Sócrates. Apesar de ocupar um cargo eminentemente representativo, o presidente pode dissolver o Parlamento e convocar novas eleições.

Mas Cavaco Silva disse que usaria esse recurso apenas numa situação extrema. "Vocês me conhecem, eu defendo a estabilidade política", declarou. "Cavaco praticamente já venceu", disse o analista político Viriato Soromenho Marques, da Universidade de Lisboa, à agência de notícias Reuters. "Teremos uma continuidade das políticas [econômicas], com austeridade a pleno vapor para evitar uma quebra [do país]."

Analistas afirmam que, de qualquer forma, permanecerá insolúvel o problema central do governo português: um governo de minoria que necessita buscar apoio para cada lei que quiser aprovar no Parlamento, e isso num momento de grandes desafios econômicos.

Nova derrota para os socialistas

A eleição deste domingo deverá ainda marcar uma nova derrota para os socialistas. Há cinco anos, o candidato socialista à Presidência, Mário Soares, não teve chances na disputa com Cavaco Silva, um economista visto em Portugal como o pai do "milagre econômico" dos anos 1980 e 90. Nas eleições parlamentares de 2009, o primeiro-ministro, José Sócrates, perdeu a maioria absoluta e desde então comanda um governo de minoria.

Os socialistas demoraram muito para definir seu candidato, que acabou sendo Manuel Alegre, de 74 anos, um renomado poeta português. De acordo com as últimas sondagens eleitorais, ele obteria entre 15% e 20% dos votos. Ao todo, seis candidatos disputam a preferência do eleitorado português nesta eleição, que a imprensa local já definiu como desinteressante e de menor nível de debates desde o retorno da democracia.

Uma situação que deverá se refletir no comparecimento às urnas. A campanha eleitoral não empolgou os portugueses, e a previsão de especialistas é de que haverá uma abstenção recorde.

AS/dpa/rtr/dw/afp
Revisão: Carlos Albuquerque

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