Por que a variante delta é tão perigosa | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 17.06.2021

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Coronavírus

Por que a variante delta é tão perigosa

Variante do coronavírus descoberta na Índia causa sintomas diferentes dos provocados por outras cepas, é significativamente mais contagiosa e aparentemente aumenta o risco de hospitalização.

Representação tridimensional do vírus causador da covid-19

Entre as diversas variantes do vírus Sars-Cov-2, a delta é originária da Índia

variante delta (B.1.617.2), detectada pela primeira vez na Índia, é muito mais infecciosa do que as variantes do coronavírus difundidas anteriormente.

Testes de laboratório sugerem que a variante, da linhagem B.1.617,  se multiplique mais no organismo, e estima-se que o risco de infectar membros da própria família seja 60% maior, de acordo com uma análise divulgada pela autoridade sanitária britânica Public Health England (PHE). Isto aumenta o risco para pessoas imunizadas apenas com a primeira dose da vacina contra o vírus.

"Suspeita-se que a variante delta se difunde mais rapidamente ou é transmitida mais facilmente que a variante alfa [inicialmente identificada no Reino Unido]", disse a virologista Sandra Ciesek num podcast da emissora pública alemã NDR. "Ainda não está bem claro, mas teme-se, com base em dados preliminares da Inglaterra e da Escócia, que uma infecção pela variante delta também leve a um aumento do risco de hospitalização, ou seja, de internação hospitalar."

De acordo com um estudo feito por pesquisadores escoceses e publicado na revista Lancet, uma infecção pela variante delta duplica o risco de hospitalização. 

Vacinas protegem contra a variante delta?

O estudo publicado na Lancet aponta ainda que as vacinas parecem ser um pouco menos eficazes contra a variante delta.

Segundo os pesquisadores escoceses, a vacina da Pfizer-Biontech tem até 79% de eficácia contra a variante delta, em comparação com 92% no caso da variante alfa. E a proteção da vacina da AstraZeneca contra a delta é de 60% em comparação com 73% no caso da variante alfa.

Assistir ao vídeo 02:03

Brasileiro com variante indiana do coronavírus voa de São Paulo ao Rio de Janeiro

Já de acordo com uma análise da PHE, aqueles totalmente vacinados com os imunizantes da Pfizer-Biontech ou da AstraZeneca estão bem protegidos contra cursos severos da doença. A eficácia seria tão alta no para a variante delta quanto para a variante alfa. O risco de hospitalização foi reduzido em mais de 90% em comparação com pessoas não vacinadas.

Aqueles que receberam apenas uma dose de vacina estão significativamente menos protegidos. Especialmente com a vacina da AstraZeneca, que normalmente já protege bem após a primeira vacinação, o efeito protetor contra a variante delta foi visivelmente menor após a primeira dose, de acordo com a avaliação.

Quais são os sintomas da variante?

A variante delta também é considerada de alto risco porque aparentemente causa sintomas um pouco diferentes dos das variantes do coronavírus anteriormente conhecidas. As pessoas afetadas reclamam de dor de cabeça, nariz escorrendo e garganta dolorida.

Febre também está entre os sintomas, mas a perda do olfato e do paladar não, conforme relataram infectados a um aplicativo britânico que monitora os sintomas da covid-19. Isso significa que para alguns jovens a doença se manifesta como uma gripe mais forte, explicou Tim Spector, do King's College de Londres.

Quão rápido a variante se espalha?

A variante delta se espalha muito rapidamente. Isso pode ser visto no Reino Unido, onde cerca de 58% dos adultos já receberam as duas doses de vacina necessárias para a proteção total.

"Atualmente é como se [...] houvesse um aumento de cerca de 50% a cada semana", disse Ciesek. "A incidência de sete dias no Reino Unido, que ainda estava abaixo de 20 no início de maio, aumentou novamente para mais de 70 novas infecções por 100 mil habitantes em sete dias. Por esta razão, o primeiro-ministro, Boris Johnson, adiou por quatro semanas o levantamento de todas as medidas de prevenção na Inglaterra, inicialmente planejado para 21 de junho.

De acordo com Karl Lauterbach, especialista em saúde do Partido Social-Democrata (SPD) da Alemanha, a sazonalidade da variante delta é muito mais pronunciada do que se supunha originalmente. Ou seja, o risco de infecção é muito menor no verão, disse, citando um estudo da Universidade de Oxford.

rw/lf (Reuters, ARD)

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