Por que a taxa de mortalidade por coronavírus é mais baixa na Alemanha? | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 20.03.2020
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Coronavírus

Por que a taxa de mortalidade por coronavírus é mais baixa na Alemanha?

Segundo a OMS, uma combinação de fatores pode estar por trás do número de mortes por covid-19 relativamente baixo em relação a outros países. Mas surto na Alemanha ainda está no início, aponta especialista.

Teste coronavírus

Teste precoce pode ser fator por trás do baixo número de mortes por covid-19 na Alemanha

Apesar de estar entre os países mais afetados pela pandemia de covid-19, a Alemanha registrou um número surpreendentemente baixo de mortes em comparação com seus vizinhos europeus.

Os últimos números oficiais publicados pela agência de controle e prevenção de doença na Alemanha, o Instituto Robert Koch (RKI), na manhã desta sexta-feira (20/03), apontaram 13.957 infecções confirmadas, e 31 mortes.

Essa é uma taxa de mortalidade de apenas 0,22%, significativamente menor que a da China (4%), Reino Unido (3,9%), França (2,9%) e Itália (8,3%).

É importante destacar que os números do RKI diferem dos contabilizados pela Universidade Johns Hopkins, usados como uma das referências para apurar o número de casos do coronavírus Sars-Cov-2, pois o instituto alemão apenas reporta os casos recebidos via canais oficiais. A universidade, por sua vez, tenta manter uma contagem global em tempo real, considerando números reportados pela mídia e autoridades de saúde. A DW leva em conta dados de ambas as instituições.

Segundo o levantamento da Universidade Johns Hopkins, a Alemanha já tem mais de 18 mil casos e 52 mortes, o que resulta numa taxa de mortalidade de 0,28%.

"É difícil desvendar os fatores", admitiu Richard Pebody, médico responsável pela gestão de doenças contagiosas para a Europa da Organização Mundial da Saúde (OMS), na terça-feira. "Não temos uma resposta verdadeira e provavelmente é uma combinação de diferentes fatores."

A seguir, algumas das explicações apresentadas por especialistas.

Com 25 mil leitos de UTI completos, com suporte respiratório, a Alemanha está bem equipada em comparação com seus vizinhos europeus. A França possui apenas cerca de 7 mil, e a Itália, cerca de 5 mil.

No Reino Unido, os números mais recentes do Serviço Nacional de Saúde (NHS) mostram que existem pouco mais de 4 mil leitos de cuidados intensivos em todo o país. O ministro britânico da Saúde, Matt Hancock, disse no domingo que o Reino Unido possui 5 mil ventiladores mecânicos.

Christian Drosten, diretor do Instituto de Virologia do Hospital Charité de Berlim, apontou que o teste precoce também pode ser outro fator para explicar o baixo número de mortes na Alemanha. "Reconhecemos a doença muito cedo neste país. Estamos à frente em termos de diagnóstico e detecção."

Em janeiro, os pesquisadores do Charité estiveram entre os primeiros a desenvolver um teste para o vírus. A Alemanha possui também uma rede de laboratórios independentes, muitos dos quais começaram a realizar testes para o novo coronavírus em janeiro, quando os primeiros casos foram registrados no país.

O alto número de laboratórios aumentou a capacidade de triagem em todo o país, e o instituto RKI estima que 12 mil pessoas podem ser testadas por dia na Alemanha, onde fazer um exame para o coronavírus é mais fácil do que em outros países. Qualquer pessoa que esteja apresentando sintomas, tenha entrado em contato com um caso confirmado ou tenha retornado recentemente de uma zona de risco pode requisitar ser testada.

Em comparação com outros países, o vírus também afetou uma parcela mais jovem e saudável da população alemã. "Na Alemanha, mais de 70% das pessoas identificadas como infectadas até agora têm entre 20 e 50 anos", explicou Lothar Wieler, presidente do RKI.

Como na Escandinávia, algumas das primeiras infecções na Alemanha foram identificadas em pessoas que haviam retornado recentemente de férias de esqui na Itália ou na Áustria. 

No entanto, num país onde quase um quarto da população tem mais de 60 anos, há temores de que o número de mortes aumente rapidamente à medida que o vírus se espalhe ainda mais.

Outra explicação mencionada por especialistas italianos pode ser que a Alemanha, diferentemente de outros países, tende a não testar aqueles que já morreram. "Não consideramos os testes post-mortem um fator decisivo. Trabalhamos com o princípio de que os pacientes são testados antes de morrerem", disse o RKI à agência de notícias AFP.

Isso significa que, se uma pessoa morre em quarentena em casa e não vai ao hospital, há uma grande chance de ela não ser incluída nas estatísticas, apontou Giovanni Maga, do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália, à emissora Euronews.

Nina Weber, repórter de saúde da revista Der Spiegel, observa que, considerando especialmente os números da Alemanha, é muito cedo para determinar a taxa de mortalidade da covid-19. Isso porque o surto no país ainda está no início, ou seja, numa fase na qual se detectam infecções, mas a doença ainda não está muito avançada na maioria das pessoas.

Para evitar que os hospitais se sobrecarreguem, como no norte da Itália ou no leste da França, o governo alemão também disse que planeja dobrar os leitos de terapia respiratória.

Até hotéis e grandes espaços de eventos devem ser reaproveitados como clínicas improvisadas para pacientes com sintomas menos graves, para que hospitais possam ser liberados para tratar aqueles que estão gravemente doentes.

CA/dpa/afp/ots

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