Por precaução, 9 países europeus suspendem vacina de Oxford | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 11.03.2021

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Coronavírus

Por precaução, 9 países europeus suspendem vacina de Oxford

Agência Europeia de Medicamentos reafirma segurança do imunizante. Espanha e França anunciam que seguirão aplicando a vacina, e instituto alemão avalia o caso.

Pessoa carrega seringa com vacina da AstraZeneca

EMA identificou apenas 30 casos de tromboembolismo entre 5 milhões de pessoas vacinadas com a AstraZeneca

Nove países europeus suspenderam nos últimos dias, de forma temporária e parcial, a aplicação da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca. Autoridades de saúde nacionais e da União Europeia estão investigando se alguns casos de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas, que podem provocar trombose ou embolia pulmonar, estariam relacionados ao imunizante.

Em reação à decisão dos países, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) afirmou nesta quinta-feira (11/03) não haver indícios de que a vacina de Oxford teria provocado os casos de tromboembolismo e que o imunizante é seguro para uso. O órgão está realizando uma investigação aprofundada e divulgará mais detalhes nos próximos dias.

Segundo a EMA, foram registrados até quarta-feira (10/03) 30 casos de tromboembolismo entre as 5 milhões de pessoas que já receberam doses da vacina de Oxford na Área Econômica Europeia, que inclui os 27 países da União Europeia mais Islândia, Noruega e Liechtenstein. A agência afirma que o número de casos de trombose e embolia identificados entre as pessoas que receberam a vacina não é maior do que o registrado na população em geral.

A virologista Polly Roy, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, afirmou à DW que acredita que os coágulos identificados em pessoas vacinadas provavelmente não ocorreram devido à vacina. "Talvez elas tenham algum outro problema", afirmou.

Áustria levantou preocupação

O primeiro país a tomar a decisão de suspender o uso de um lote da vacina de Oxford foi a Áustria, no domingo (07/03), enquanto investigava a morte de uma mulher de 49 anos por trombose múltipla e a internação de uma mulher de 35 anos por embolia pulmonar, que está em recuperação. Ambas haviam tomado a vacina na mesma clínica de Viena.

As autoridades austríacas informaram não ter evidências de que o imunizante teria causado os quadros de tromboembolismo, mas que haviam tomado a decisão como precaução. A formação de coágulos sanguíneos não é um dos efeitos colaterais associados à vacina de Oxford.

Depois do anúncio da Áustria, Estônia, Lituânia, Luxemburgo e Letônia também decidiram interromper temporariamente a vacinação, e foram acompanhados por outros países.

Nesta quinta, a Dinamarca anunciou a suspensão do uso da vacina de Oxford por 14 dias para investigar os relatos de casos de coágulos sanguíneos. No mesmo dia, Itália, Islândia e a Noruega também suspenderam temporariamente o uso do imunizante. Alguns países interromperam o uso de qualquer dose da AstraZeneca, enquanto outros suspenderam apenas o uso de doses do mesmo lote de onde vieram as vacinas aplicadas nas duas mulheres austríacas.

"No momento, não é possível concluir se há uma relação. Estamos agindo rápido, isso precisa ser investigado em profundidade", disse o ministro da saúde dinamarquês, Magnus Heunicke, em mensagem no Twitter. Na Dinamarca, foram registrados alguns casos e uma morte devido a coágulos sanguíneos entre pessoas vacinadas.

Divergência entre países

Na Islândia, não foram encontrados casos de pessoas que desenvolveram coágulos sanguíneos após serem vacinadas, mas o país decidiu suspender o uso do imunizante de Oxford enquanto aguarda a investigação da EMA. O Instituto de Saúde Pública da Noruega informou ter identificado alguns casos de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas, mas disse que eles ocorreram "especialmente em pessoas idosas, nas quais frequentemente há outras doenças relacionadas".

A ministra da saúde da Espanha, Carolina Darias, afirmou que seu país seguirá aplicando a vacina e que não havia encontrado nenhum caso de coágulo sanguíneo relacionado ao imunizante. O ministro da saúda da França, Olivier Veran, também disse que seguiria a recomendação da EMA e não suspenderia o uso da vacina de Oxford.

O instituto alemão Paul Ehrlich, responsável pela regulação e aprovação de medicamentos na Alemanha, afirmou ao jornal televisivo Tagesschau que entrou em contato com a EMA e a agência de medicamentos da Dinamarca e que estava investigando a situação. 

O epidemiologista Karl Lauterbach, especialista do Partido Social-Democrata (SPD), afirmou no Twitter que, na sua opinião, a vacinação não deveria ter sido interrompida na Dinamarca com base em um caso, e que os danos à confiança na vacina seriam "imensos". Ele afirmou que a vacina de Oxford é segura e que ele a tomaria. 

As doses usadas nas duas mulheres na Áustria que desenvolveram coágulos pertencia ao lote ABV5300, que tem um milhão de doses e foi distribuído para 17 países europeus: Áustria, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Estônia, França, Grécia, Islândia, Irlanda, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Polônia, Espanha e Suécia.

A EMA disse ser "improvável" que haja algum problema na qualidade nesse lote, mas que ele está sendo investigado, assim como todos os casos de tromboembolismo e outros relacionados a coágulos sanguíneos identificados após a vacinação.

Programa de vacinação

O uso do imunizante de Oxford foi aprovado para uso na Europa em 29 de janeiro. Inicialmente, porém, alguns países do bloco restringiram seu uso em pessoas com menos de 65 anos devido à falta de dados sobre a eficácia em idosos.

A Alemanha foi um dos países que inicialmente recomendou o uso da vacina apenas para as pessoas com idade entre os 18 e os 64 anos, o que contribuiu para o aumento da rejeição ao imunizante no país. Em 4 de março, a Comissão Permanente de Vacinação da Alemanha (Stiko) liberou o uso da vacina também para pessoas de 65 anos ou mais, a partir da análise de mais dados disponíveis. Além dessa vacina, a Alemanha tem usado em sua campanha os imunizantes da Pfizer-Biontech e da Moderna.

A União Europeia, que está envolvida em disputas com a AstraZeneca sobre a entrega insuficiente de vacinas, tem sido duramente criticada pela lentidão de suas campanhas de vacinação, ficando bem atrás do índice de imunização da população de países como Israel, Estados Unidos e Reino Unido.

De acordo com o site Our World in Data, da Universidade de Oxford, a UE, com uma população de cerca de 450 milhões de pessoas, havia administrado até terça-feira apenas cerca de 43 milhões de doses. Para comparação, os Estado Unidos, com população de cerca de 328 milhões, já havia aplicado aproximadamente 93 milhões de doses.

A Europa também vive uma alta nos casos de covid-19, à medida que novas variantes do coronavírus se espalham pelo continente. Somente na semana passada, foram 1 milhão de novos casos, um aumento de 9% em relação à semana anterior.

Nesta quinta-feira, a EMA autorizou o uso na União Europeia da vacina de dose única da Johnson & Johnson. O bloco já encomendou 400 milhões de doses do imunizante.

A vacina de Oxford também é uma das usadas no Brasil até o momento, por meio de uma parceria com a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz). O outro imunizante sendo aplicado nos brasileiros é a chinesa Coronavac, produzida em parceria com o Instituto Butantan.

bl (ots, DW)