Populismo dificulta combate à corrupção, afirma Transparência | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 25.01.2017
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Mundo

Populismo dificulta combate à corrupção, afirma Transparência

Organização cita Hungria e Turquia como exemplos de piora e manifesta preocupação com a chegada ao poder de Trump. "Ele disse que iria drenar o pântano, mas os primeiros sinais indicam que prefere regá-lo", afirma ONG.

A ascensão de políticos populistas em todo o mundo pode minar o combate à corrupção, afirmou nesta quarta-feira (25/01) a organização anticorrupção Transparência Internacional (TI), alertando para um possível retrocesso nos Estados Unidos sob o novo presidente Donald Trump.

"O populismo é o remédio errado", disse a Transparência Internacional ao divulgar seu Índice de Percepção da Corrupção, que classifica as nações de acordo com o nível de percepção de corrupção no setor público. O índice classificou 176 países numa escala de zero a cem, onde zero significa percepção de elevada corrupção e cem, de baixa corrupção.

O Brasil ocupa a 79ª posição no ranking, com 40 pontos, dois a mais do que no ranking de 2015, mas o país caiu três colocações em comparação com a lista daquele ano. O ranking é baseado em relatórios do Banco Mundial, do Banco Africano de Desenvolvimento, da Economist Intelligence, entre outros órgãos.

"Em países com líderes populistas ou autocráticos, muitas vezes vemos democracias em declínio e um padrão perturbador de tentativas de reprimir a sociedade civil, limitar a liberdade de imprensa e enfraquecer a independência do judiciário", disse o presidente da Transparência Internacional, José Ugaz. "Em vez de combater o capitalismo de comadre, esses líderes costumam instalar sistemas corruptos ainda piores."

A Transparência Internacional afirmou que Turquia e Hungria, "países que viram a ascensão de líderes autocráticos", caíram no ranking da percepção de corrupção nos últimos anos.

A ONG também se mostrou preocupada em relação aos Estados Unidos, onde Trump assumiu a presidência na semana passada após uma campanha eleitoral na qual criticou a elite política e prometeu erradicar a corrupção em Washington. O diretor de pesquisa da Transparência, Finn Heinrich, afirmou não ter esperanças de que o bilionário nova-iorquino cumprirá suas promessas devido aos inúmeros conflitos de interesse, seus ataques à imprensa e sua recusa em divulgar sua declaração de imposto de renda.

"Todo o seu gabinete está repleto de conflitos de interesses. Quando você vê que Trump colocou seu genro como consultor isso não cheira bem", disse Heinrich. "Ele disse que iria drenar o pântano. Os primeiros sinais indicam que prefere regá-lo." Os EUA caíram duas posições no ranking e ocupam o 18º lugar, com 74 pontos.

Nova Zelândia e Dinamarca compartilham o primeiro lugar, com uma pontuação de 90 pontos, com Finlândia, Suécia, Suíça e Noruega completando a lista dos seis países menos corruptos do mundo. Do outro lado, a Somália completou dez anos como o país de percepção de corrupção mais elevada, seguida por Sudão do Sul, Coreia do Norte e Síria.

O Catar sofreu a maior queda, somando dez pontos a menos do que no índice anterior, o que a Transparência Internacional atribuiu às acusações de corrupção envolvendo a candidatura do país para sediar a Copa do Mundo de 2022.  

PV/afp/dpa/ap

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