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PolíticaFrança

Popularidade de Macron atinge seu nível mais baixo

14 de setembro de 2025

Novo premiê Sébastien Lecornu cancela plano de suspender feriados enquanto busca ampliar apoio para aprovar o orçamento do próximo ano, após agência de classificação de riscos rebaixar nota de crédito da França.

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Novo premiê da França, Sebastién Lecornu (esq.), cochicha para o presidente Macron com a mão encobrindo a boca
Novo premiê da França, Sebastién Lecornu (esq.), e presidente Macron enfrentam crises em várias frentesFoto: Ludovic Marin/AFP/Getty Images

Em meio a uma grave crise de popularidade e frente a um prognóstico econômico sombrio para o país, a aprovação do presidente francês, Emmanuel Macron, atingiu o menor nível registrado desde que ele assumiu o poder, em 2017.

Segundo com uma pesquisa do instituto Ipsos publicada neste domingo (14/09) no jornal La Tribune de Dimanche, a popularidade de Macron caiu 7 pontos percentuais em relação a julho deste ano, derrubando o índice de aprovação de seu governo para apenas 17%.

O semanário francês destaca que, mesmo dentro de sua própria base eleitoral, Macron teve uma queda sem precedentes de 18 pontos.

A pesquisa indica que novo primeiro-ministro francês recém nomeado por Macron, Sébastien Lecornu, já possui um alto índice de reprovação, mesmo sendo uma figura política bastante desconhecida no país. Segundo o Ipsos, 44% dos entrevistados dizem não conhecer bem o novo premiê e 40% têm opiniões negativas sobre o novo chefe de governo. Apenas 16% o aprovam.

Aceno à esquerda

Neste sábado, Lecornu fez um aceno à esquerda ao descartar o plano de seu antecessor – o ex-premiê François Bayrou – de cortar dois feriados como forma de ajudar a reduzir o déficit no país.

"Quero que os trabalhadores sejam poupados. É por isso que decidi reverter a abolição planejada dos dois feriados", disse Lecornu, ao lançar um apelo ao diálogo para encontrar soluções e meios de financiar o orçamento de 2026.

Ao pressionar por cortes significativos para reduzir o déficit e a dívida do país, Bayrou calculou que a abolição de dois feriados teria agregado 4,2 bilhões de euros (R$ 26 bilhões) ao orçamento de 2026.

Lecornu afirmou que a partir desta semana serão realizadas consultas sobre a descentralização da administração francesa, a racionalização de agências governamentais e a transferência de mais responsabilidades para os conselhos locais.

Ele também propôs a fusão ou a extinção de alguns órgãos governamentais e a revogação de privilégios vitalícios concedidos a ex-membros do gabinete.

Questionado se consideraria implementar um imposto sobre os super-ricos – proposta rejeitada pelo governo anterior –, ele respondeu que estava somente disposto a trabalhar na "questão da justiça fiscal".

François Bayrou e Sébastien Lecornu durante cerimônia de posse do novo premiê
François Bayrou (esq.) deixou a crise do orçamento para seu sucessor, Sébastien LecornuFoto: Christian Liewig/SIPA/picture alliance

François Bayrou renunciou ao cargo depois de perder uma moção de confiança na Assembleia Nacional. Sua queda se deve, entre outros fatores, a uma tentativa de aprovar um orçamento mais austero para o país.

Fitch rebaixa nota de crédito da França

Os anúncios feitos pelo novo premiê vieram um dia após a agência de classificação de risco Fitch rebaixar a nota de crédito da França.

A agência americana, uma das principais instituições globais que avaliam a solidez econômica e a capacidade dos países em cumprir suas obrigações financeiras, também alertou que a montanha de dívidas da França deve continuar aumentando até 2027, a menos que medidas urgentes sejam tomadas.

Líderes políticos da direita e da esquerda atribuíram a culpa a Macron e pediram um rompimento com suas políticas.

A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, pediu neste sábado uma "ruptura com o macronismo", denunciando as políticas do presidente como "incompetência tóxica".

Jean-Luc Mélenchon, o principal liderança da esquerda, que já havia exigido o impeachment de Macron, também pediu "o fim do macronismo e de suas políticas prejudiciais à França e ao seu povo".

Orçamento de 2026 no centro da crise

O rebaixamento complica ainda mais a tarefa de Lecornu de elaborar um orçamento para o próximo ano à frente do que provavelmente será um governo minoritário.

"A derrota do governo em uma moção de confiança ilustra a crescente fragmentação e polarização da política interna", observou a Fitch em sua avaliação. A agência considerou improvável que o déficit fiscal fosse reduzido para 3% do PIB até 2029, como desejava o governo de Bayrou.

A partir de agora, como os aliados de Macron no Parlamento não têm maioria absoluta, provavelmente terão que fazer concessões que podem minar qualquer iniciativa de corte de gastos e aumento de impostos, com o cargo de Lecornu também potencialmente em jogo.

O déficit orçamentário da França representou 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, e a dívida do país, 113% do PIB, em contraste com os limites estabelecidos na zona do euro, de 3% para o déficit e 60% para a dívida.

"A Fitch projeta que a dívida aumentará de 113,2% em 2024 para 121% do PIB em 2027, sem um horizonte claro para a estabilização da dívida nos anos subsequentes", advertiu a agência. "O crescente endividamento público da França limita a capacidade de resposta a novos choques sem uma maior deterioração das finanças públicas."

O instituto nacional de estatísticas Insee divulgou nesta quinta-feira que a projeção para o PIB é de crescimento de 0,8% em 2025; 0,1 ponto percentual a mais do que a estimativa anterior do governo.

A França, a segunda maior economia da zona do euro, possui o terceiro maior índice de endividamento da União Europeia (UE), depois da Grécia e da Itália.