Polônia assume a presidência rotativa da UE pela primeira vez | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 01.07.2011
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Mundo

Polônia assume a presidência rotativa da UE pela primeira vez

Em meio à crise do euro, agenda polonesa enfatiza solidariedade entre os países-membros, em detrimento de interesses nacionais. País fica à frente do Conselho Europeu nos próximos seis meses.

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Húngaro Viktor Orban passa a presidência à Donald Tusk (d)

A animação 3D de três minutos mostra como a Polônia, membro recente da União Europeia (UE), se vê: como um elemento estável do bloco. O filme promocional da nova presidência do Conselho Europeu, que passa a vigorar nesta sexta-feira (01/07), é marcado pelo romantismo polonês – desde a música até o roteiro.

Na animação, um jovem tira uma loira bonita e um pouco triste para dançar em meio a uma área residencial elegante, que poderia ser em Varsóvia, Berlim ou Paris. O filme é encenado num cenário de bastidores agitados: paredes de um prédio se rompem, por vezes o terreno parece instável. Confiante, o dançarino conduz a dama por meio de toda a crise. A metáfora dificilmente é acidental.

O vídeo comunica o que o chefe de governo polonês, Donald Tusk, anunciou após a apresentação do filme no Parlamento: a Polônia gosta de assumir responsabilidades e quer ser uma força motriz na UE, em bons e maus momentos. O país já é uma das poucas lideranças que defendem os interesses europeus, enfatizou o líder.

Democracia para os vizinhos

Durante sua presidência da UE, a Polônia quer fortalecer valores europeus comuns e a solidariedade dentro do bloco. Além disso, o governo em Varsóvia anunciou que vai enfrentar os interesses nacionalistas e se posicionar a favor da unidade de ação e pensamento. Não só energia, segurança e política de defesa são temas importantes para a Polônia, mas também os vizinhos – no leste e no sul, é o que mostra o programa dos próximos seis meses.

O acordo sobre a entrada da Croácia no bloco será acelerado pela presidência polonesa, assim como uma aproximação com a Ucrânia. A ideia de um fundo europeu para a democracia também é um tópico da agenda polonesa. O fundo deve apoiar clubes, sindicatos e ONGs e, desta maneira, fortalecer a sociedade civil dos 16 Estados-membros da UE.

Apelos aos próprios cidadãos

No entanto, Varsóvia enviou sinais não apenas para fora do país. O governo também apela aos próprios cidadãos e, principalmente, à oposição – apesar das diferenças, os próximos seis meses devem ser vistos como um período importante e como uma chance única. Ataques pesados e acusações somente prejudicariam a reputação e o prestígio do país internacionalmente, diz a crítica vinda do lado do governo.

Exatamente esse apelo à coesão não encontrará muito respaldo junto à oposição porque, nos próximos meses – no meio da presidência polonesa do Conselho Europeu –, a Polônia vai eleger um novo Parlamento. Já agora os adversários políticos de Tusk se posicionam e não demonstram consideração por nada nem por ninguém. A oposição prevê até que o governo fará o país passar vergonha à frente da UE.

Nessas circunstâncias, o governo tenta controlar o nervosismo e convencer os cidadãos do significado da presidência do Conselho Europeu. "Se não usarmos essa presidência positivamente, as próximas gerações não irão nos perdoar", diz Tusk. O ministro polonês do Exterior, Radoslaw Sikorski, vai além: "Nesse momento falhas serão muito mais visíveis e poderão trazer consequências muito maiores."

Aproveitar a chance

O cidadão comum observa os fatos com um certo distanciamento. Há setores da sociedade descontentes: o sindicato Solidariedade, por exemplo, chama a atenção para o aumento dos preços, o alto índice de desemprego e os cortes sociais. Ainda assim, a sensação geral no país é de satisfação com o desenvolvimento da nação. Pesquisas mostram que os poloneses estão orgulhosos do papel de liderança na União Europeia e que veem esse momento como uma oportunidade para o país.

Não se pode dizer se a Polônia será, nós próximos seis meses, uma boa parceira de dança para a UE. O filme de divulgação do jovem cineasta polonês Tomasz Baginski quer passar essa impressão. Agora ele passa a direção para o seu país, que tem a chance de se apresentar no palco europeu.

Autora: Rosália Romaniec (np)
Revisão: Alexandre Schossler

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