Políticos e mercados reagem surpresos a anúncio sobre referendo grego | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 01.11.2011
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Mundo

Políticos e mercados reagem surpresos a anúncio sobre referendo grego

Planejado pelo primeiro-ministro da Grécia, referendo sobre o pacote de ajuda da UE ameaça permanência do país na zona do euro. George Papandreou também se submete a voto de confiança no Parlamento. Bolsas caem.

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Papandreou quer que gregos decidam sobre futuro do país

Líderes políticos europeus e mercados financeiros globais reagiram com surpresa ao anúncio do primeiro-ministro grego, George Papandreou, de que planeja realizar um referendo sobre o acordo de resgate da dívida grega. Ele anunciou a medida diante do Parlamento na segunda-feira (31/10), justificando que seria "um ato supremo de democracia e de patriotismo" se os eleitores decidissem sobre o destino do próprio país. Além disso, Papandreou pretende se submeter a um voto de confiança do Parlamento na próxima sexta-feira.

Na madrugada da última quinta-feira, os países da zona do euro haviam convencido os bancos a reduzirem em 50% a dívida da Grécia e acertado um novo pacote de ajuda ao país, no montante de 130 bilhões de euros. A ajuda, no entanto, está condicionada a novas contenções de gastos, atingindo ainda mais a população já revoltada com as medidas de austeridade.

Caso o "não" vença o referendo, a Grécia corre o risco de não receber mais ajuda do exterior – o que concretizaria a falência do país – e de até mesmo não mais permanecer na zona do euro. Por outro lado, Papandreou teria o respaldo da população, já que as medidas impopulares tomadas até agora geraram muitos protestos e greves.

Nesta terça-feira, uma deputada da maioria socialista de Papandreou abandonou a bancada parlamentar em protesto ao referendo. Com a saída de Milena Apostolaki, a maioria do governo grego diminui para apenas dois deputados. Os socialistas ocupam 152 das 300 cadeiras no Parlamento em Atenas. Segundo ela, o referendo planejado pelo premiê "cria divisões" na Grécia.

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Greve causou acúmulo de lixo nas ruas da Grécia

Reações políticas e financeiras

A reação da Alemanha, país que financia grande parte dos fundos de resgate para a Grécia, foi de irritação. Após um telefonema entre Berlim e Paris nesta terça-feira, a Alemanha e a França emitiram uma nota conjunta em que pressionam por uma "total e completa" implementação das resoluções tomada no encontro de cúpula da última semana.

"A Alemanha e a França desejam que, em consonância com os parceiros europeus e o Fundo Monetário Internacional (FMI), seja adotado logo um cronograma para a implementação das decisões", prossegue o comunicado. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, teriam agendado uma reunião nesta quarta-feira em Cannes, com a presença também de representantes de instituições europeias e do FMI.

Também está prevista uma reunião com representantes gregos. Por conta disso, Merkel adiantou sua viagem para o encontro do G20, que começa na próxima quinta-feira.

Rainer Brüderle, líder parlamentar dos liberais, um dos partidos da coalizão de governo em Berlim, se disse irritado com a ideia do referendo e considerou "estranho" o comportamento do governo grego. "A decisão parece indicar que a Grécia quer se livrar dos compromissos assumidos", disse Brüderle, que foi ministro alemão da Economia até maio último. "Não podemos aceitar que a Grécia não queira combater a própria miséria, mas espere receber generosas ajudas dos europeus", acrescentou Brüderle.

"Tanto a Alemanha quanto a Comissão Europeia e os outros países da zona do euro têm de se preparar para as consequências desta atitude da Grécia", assinalou. "Se o povo grego rejeitar os acordos existentes, chega-se a um ponto em que a Grécia não deve receber mais dinheiro, é necessário então evitar os riscos de contágio de uma bancarrota do país", acrescentou.

Já Frank-Walter Steinmeier, líder da bancada social-democrata, de oposição ao governo de Merkel, apelou aos gregos para que apoiem as reformas. Ele pediu que "sejam responsáveis não só pela Grécia, mas por toda a Europa". O presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, manifestaram em Bruxelas "total confiança" de que a Grécia cumprirá suas responsabilidades.

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Brüderle: Grécia deve cumprir seus compromissos

Segundo o ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, o referendo deverá realizar-se depois de serem conhecidos os pormenores sobre o acordo de reestruturação da dívida, um processo que pode durar até princípios de 2012.

Resgate e euro em perigo

Uma pesquisa de opinião neste fim de semana revelou que quase 60% da população grega são contrários ao pacote de resgate. Jörg Rocholl, presidente da Escola Europeia de Administração e Tecnologia em Berlim, disse que o referendo foi uma "decisão surpreendente, e também corajosa". Dependendo do resultado, alguns países da zona euro poderiam deixar de contribuir para os empréstimos de emergência à Grécia, possivelmente significando que "a Grécia não poderia permanecer na zona do euro", disse Rocholl à rede de televisão ZDF.

Não há precedente de um país ter deixado a zona do euro e Angela Merkel insistiu várias vezes que esta opção não estaria em debate.

Os mercados financeiros, que haviam reagido positivamente ao acordo sobre um novo pacote de ajuda à Grécia, demonstraram nervosismo nesta terça-feira. Depois de sofrer uma queda que chegou a 6,2% ao longo do dia, o índice DAX, da Bolsa de Valores de Frankfurt, fechou em 5% negativos. Ações de instituições financeiras sofreram quedas acentuadas – títulos do Commerzbank e do Deutsche Bank perderam mais de 11%. A Bolsa de Milão caiu mais de 7%.

"O risco de um 'não' ganhar o plebiscito pode fazer descarrilar completamente os esforços do resgate", ressaltou um operador da Bolsa de Valores de Paris.

Nos mercados de câmbio, o euro caiu mais de 1% em relação ao dólar e ao iene. "O referendo grego é um verdadeiro divisor de águas. Ninguém o previu e ele traz uma série de incertezas", explicou Steven Saywell, chefe de estratégia de câmbio do BNP Paribas.

RW/lusa/dpa/rtr
Revisão: Mariana Santos

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