Políticos e juristas lamentam morte de Teori Zavascki | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 19.01.2017
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Brasil

Políticos e juristas lamentam morte de Teori Zavascki

Em homenagem a ministro do STF, Temer decreta luto oficial de três dias. Envolvidos nas investigações da Operação Lava Jato destacam contribuição do magistrado no caso.

Temer decreta luto oficial em homenagem a Teori

Temer decreta luto oficial em homenagem a Teori

Em um pronunciamento à imprensa, o presidente Michel Temer disse nesta quinta-feira (19/01) que recebeu com profundo pesar a notícia do falecimento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki. Em homenagem ao magistrado, Temer decretou três dias de luto oficial.

"Neste momento de luto, manifesto eu e minha equipe aos familiares do ministro e demais integrantes do voo, meus sentimentos de pesar. Teori era homem de bem e orgulho para todos os brasileiros", disse Temer, ao lado dos ministros da Justiça, Alexandre de Moraes, das Relações Exteriores, José Serra, e da Advogada-Geral da União, Grace Mendonça.

O presidente lamentou ainda a perda de um homem "cuja trajetória impecável ao favor do direito e da justiça sempre o distinguiu".

A presidente do STF, Cármen Lúcia, prestou solidariedade aos familiares de Teori e afirmou que o trabalho feito pelo ministro permanecerá para sempre. 

"A morte põe fim a uma vida, mas não acabam a amizade, a convivência nobre, gentil e fecunda do amigo dos amigos. Nem a generosidade com todos que caracterizava o ministro Teori Zavascki. O sentimento de dor e de saúde servirá de permanente lembrança para os compromissos que marcaram a vida do ministro, uma responsabilidade nossa, a fim de nos perseverarmos, também em sua homenagem, na mesma trilha", disse Cármen Lúcia.

Colegas de Teori no STF lamentaram a tragédia. "Teori era um homem íntegro, preparado e trabalhador. Perco um amigo querido, que eu recebia em casa com frequência. O Tribunal perde um juiz especialmente vocacionado. E o país perde um grande homem. Somos todos vítimas de uma trapaça da sorte", disse o ministro Luís Roberto Barroso.

O ministro Marco Aurélio Mello classificou Teori como um grande juiz. "Ele preservava o bom humor e atuava com desassombro. Para ele, processo não tinha capa, tinha conteúdo", disse em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

A ex-presidente Dilma Rousseff, quem indicou Teori ao cargo no STF, classificou a morte do ministro como uma tragédia. "Como juiz e cidadão, Teori se consagrou como um intelectual do Direito, zeloso das leis e da Justiça", disse, em comunicado.

Dilma destacou que o ministro desempenhou suas funções no STF com "destemor" e "como um homem sério e íntegro". Ela lamentou ainda a dor da família e de amigos de Teori.

Pesar na Lava Jato

A morte de Teori também foi recebida com pesar pelos envolvidos nas investigações da Operação Lava Jato. O ministro era o relator dos processos referentes aos inquéritos do caso que tramitavam no Supremo Tribunal Federal. Estas ações envolviam o presidente, ministros do governo Temer e parlamentares.

"Sem ele, não teria havido a Operação Lava jato", declarou o juiz federal Sérgio Moro, responsável em primeira instância pelos julgamentos de processo do caso. "Espero que seu legado, de serenidade, seriedade e firmeza na aplicação da lei, independente dos interesses envolvidos, ainda que poderosos, não seja esquecido", disse o magistrado, em nota.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, destacou que Teori "não hesitou em adotar medidas inéditas" durante as investigações da Operação Lava Jato. "É inegável e inquestionável a grande contribuição que o ministro Teori Zavascki deu ao Estado Democrático de Direito brasileiro a partir de sua atuação como magistrado", ressaltou.

A sede da força-tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, a Procuradoria da República no Paraná, afirmou que Teori teve uma trajetória marcada pela lisura e seriedade, honrando o Supremo e prestando um serviço louvável ao país.

Tristeza entre parlamentares

Parlamentares também lamentaram o acidente. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), afirmou que ministro se destacava por sua seriedade. "Trata-se de um magistrado que ganhou respeitabilidade pelo senso de justiça, legalismo, equilíbrio e devoção às leis. O Brasil, a sociedade e o mundo jurídico perdem um de seus maiores expoentes", acrescentou.

O senador Romero Jucá (PMDB), líder do governo no Congresso afirmou que a morte do magistrado afeta o país e a Justiça brasileira.

O senador Aécio Neves (PSDB) disse estar profundamente impactado com a morte de Teori. "O Brasil tem uma grande dívida de reconhecimento e gratidão com o ministro pela forma equilibrada e responsável com que ele conduziu um dos momentos mais difíceis da história do país. Ele honrou a cadeira que ocupou na nossa mais alta Corte", destacou.

O senador Humberto Costa (PT) lamentou a tragédia e mostrou-se preocupado com atrasos ou recomeço dos processos da Lava Jato no STF e afirmou que a indicação de uma nova relatoria pode ser muito ruim para a investigação.

O senador Antonio Anastasia (PMDB) afirmou que a queda do avião precisa ser investigada. "Esperamos todos agora uma apuração cuidadosa e técnica sobre as causas desse acidente".

 O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou solidariedade aos familiares de Teori. "O Brasil perdeu hoje um cidadão que honrou a Magistratura em todos os postos que ocupou", destacou.

Teori Zavascki, de 68 anos, morreu num acidente de avião em Paraty. A aeronave onde ele estava caiu a menos de 2 quilômetros do centro histórico da cidade.

CN/abr/ots

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