Políticos alemães pró-refugiados recebem ameaça de morte | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 20.06.2019
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Alemanha

Políticos alemães pró-refugiados recebem ameaça de morte

Ao menos dois prefeitos são alvejados por mensagens de conteúdo xenófobo. Revelação ocorre semanas após o assassinato de um político simpático à acolhida de migrantes cujo suspeito seria de extrema direita.

Prefeita de Colônia, Henriette Reker

Esfaqueada em 2015 por extremista de direita, prefeita de Colônia, Henriette Reker, recebe ameaças

Pelo menos dois prefeitos de cidades alemãs receberam ameaças de morte por se engajarem em políticas pró-refugiados, afirmou nesta quinta-feira (20/06) a polícia alemã. O anúncio ocorre algumas semanas após o assassinato de um político no país por um suposto radical de extrema direita.

A polícia alemã disse que pelo menos dois prefeitos locais receberam ameaças de morte, mas se recusou a confirmar as informações da mídia de que as mensagens anônimas continham saudações nazistas.

Entre os alvos das ameaças estão a prefeita de Colônia, Henriette Reker, que foi esfaqueada no pescoço em 2015 por um extremista de direita durante um evento de campanha eleitoral, e Andreas Hollstein, prefeito da pequena cidade do oeste alemão de Altena, que também foi esfaqueado, em 2017.

Não ficou claro se há uma ligação direta com o assassinato em 2 de junho.do político Walter Lübcke, morto por um tiro à queima-roupa em sua casa, na região central da Alemanha. O caso, cujo principal suspeito é um suposto militante de extrema direita, chocou o país.

Lübcke, de 65 anos era chefe do conselho administrativo do distrito de Kassel e filiado à União Democrata-Cristã (CDU), partido da chanceler federal alemã, Angela Merkel. Ele foi encontrado morto no terraço da sua residência com um tiro na cabeça. A polícia rapidamente descartou a hipótese de suicídio ou disparo acidental. Nenhuma arma foi encontrada no local. A autópsia revelou que o disparo ocorreu à curta distância.

Lübcke era um defensor da decisão de Angela Merkel de receber refugiados sírios e em 2015 provocou a ira de extremistas de direita ao dizer que os alemães que não concordassem com a política de Merkel deveriam deixar o país.

O principal suspeito, identificado como Stephan E. , de 45 anos, está preso. Ele já teve ligação com grupos de extrema direita, entre eles, o núcleo do neonazista Partido Nacional-Democrático (NPD) do Estado de Hessen. Segundo as autoridades, há anos ele era militante de extrema direita e cometeu vários delitos por motivações políticas.

A Alemanha é lar de cerca de 12.700 membros de grupos de extrema direita potencialmente violentos, de acordo com o Departamento de Proteção à Constituição (BfV), o serviço de inteligência doméstica. Uma pesquisa divulgada nesta semana apontou que 60% dos alemães pensam que o governo está fazendo muito pouco para resolver o problema.

Annegret Kramp-Karrenbauer, presidente da CDU, acusou o partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) de também ser responsável pelo assassinato de Lübcke, por legitimar uma linguagem de ódio que alimenta a violência.

MD/afp/rtr

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