Política europeia de matérias-primas vai agravar pobreza no mundo, dizem ONGs | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 27.01.2011
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Economia

Política europeia de matérias-primas vai agravar pobreza no mundo, dizem ONGs

Estratégia visa garantir matérias-primas e uso moderado de recursos naturais, alega UE. Para organizações de ajuda ao desenvolvimento, o bloco europeu impõe seus interesses sem considerar necessidades dos países pobres.

UE quer retirada de impostos de importação para metais de terras raras

UE quer retirada de impostos de importação para metais de terras raras

A União Europeia anunciou na quarta-feira (26/01) que pretende mudar sua política de matérias-primas para incentivar o consumo moderado dos recursos naturais. Do ponto de vista europeu, o uso eficiente de recursos como água, minério e alimentos visa proteger o meio ambiente e a economia. Para as organizações alemãs de ajuda ao desenvolvimento Oxfam e WEED, no entanto, a UE está mais preocupada com a aquisição de matérias-primas baratas, e com isso pode agravar a pobreza no mundo.

A Comissão Europeia pretendia anunciar o projeto de sua futura política já na quarta-feira, mas a divulgação foi adiada devido a pontos controversos. Segundo um porta-voz da UE, as autoridades europeias querem investigar melhor os impactos do projeto na especulação sobre os preços de mercado de matérias-primas. A nova versão do plano deve ser apresentada no final da próxima semana.

Além do aumento no preço dos alimentos, a UE está preocupada com a escassez de matérias-primas essenciais à indústria, como os metais preciosos. Para assegurar o abstecimento, a União Europeia pretende utilizar três mecanismos, ligados principalmente a acordos comerciais.

O primeiro passo seria discutir no âmbito da Organização Mundial do Comércio o fim de restrições a importações – como taxas alfandegárias de exportação – por parte dos países fornecedores. Em segundo lugar, a UE quer promover a utilização de recursos naturais de países dentro do bloco. O terceiro passo seria intensificar a reciclagem.

O lado mais fraco

24.02.2008 DW-TV JOURNAL WIRTSCHAFT MINIREPORTAGE ROHSTOFFE

Países da África, Caribe e Pacífico serão os mais afetados

De acordo com um estudo realizado em conjunto pelas organizações Oxfam e WEED, a nova política de commodities da Europa pode agravar maciçamente a pobreza nos países em desenvolvimento. A principal crítica das organizações é o fato de a UE exigir, nos novos acordos de livre comércio, que muitos países em desenvolvimento renunciem a seus impostos de exportação sobre matérias-primas como metais, madeira, substâncias químicas e couro.

"A União Europeia tenta fazer valer seus interesses econômicos de forma agressiva, sem levar em conta as necessidades dos países em desenvolvimento", critica o especialista em comércio da Oxfam, David Hachfeld.

De acordo com o estudo "A nova caça por recursos: Como a política comercial e de recursos naturais da UE ameaça o desenvolvimento", o consumo de recursos naturais per capita na Europa é três vezes maior do que na Ásia e quatro vezes maior do que na África.

"Em vez de olhar para dentro de casa e começar reduzindo o consumo excessivo de recursos naturais, a UE quer implantar uma política de matérias-primas que garanta para si o acesso aos recursos naturais de outros países", diz a especialista em comércio da organização WEED, Nicola Jaeger.

A situação deve ficar mais crítica para países da África, do Caribe e do Pacífico, explicou à Deutsche Welle Roland Süss, da organização alemã Attac. "Os países mais pobres serão pressionados a retirar suas taxas alfandegárias de exportação, o que vai reduzir as receitas do Estado e impactar o desenvolvimento social do país. Ao mesmo tempo, a UE mantém o seu protecionismo em forma de subvenção para exportações de empresas europeias, agravando ainda mais a precária situação dos países afetados", completa Süss.

Autora: Francis França
Revisão: Augusto Valente

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