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Polícia de Berlim dispersa manifestação contra quarentena

26 de abril de 2020

Protesto pelo fim de medidas para conter pandemia foi convocado por grupos extremistas e propagadores de teorias conspiratórias. Mais de cem pessoas devem sofrer sanções por participação em aglomeração ilegal.

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Deutschland Berlin | Coronavirus | Demonstration
Manifestante é detido pela polícia de Berlim. O cartaz diz: "De ser humano para paciente. Intimidado e desprovido de direitos"Foto: picture-alliance/AP Photo/M. Schreiber

A polícia de Berlim dispersou neste sábado (25/04) uma manifestação ilegal que pedia o fim das medidas de isolamento social impostas pelo governo alemão para conter a pandemia de coronavírus.

Cerca de 1.000 pessoas participaram do protesto, que se concentrou na Praça Rosa Luxemburgo, na região central de Berlim.  Segundo as autoridades, 105 pessoas foram brevemente detidas ou tiveram seus dados registrados pela polícia.

Elas devem sofrer sanções por violação das regras de quarentena. A polícia também informou que deve indiciar alguns participantes por divulgação de símbolos ou mensagens anticonstitucionais e agressões contra policiais. Pelo menos cinco policiais ficaram feridos no sábado. 

Houve também o registro de um protesto similar em Stuttgart, que atraiu cerca de 300 pessoas.

Há pelo menos um mês, a capital alemã vem sendo palco de protestos semanais contra as medidas de isolamento social, que incluem proibição de grandes eventos, fechamento de escolas e de parte do comércio.

As manifestações têm atraído algumas centenas de pessoas. Elas são convocadas principalmente por grupos de extrema-direita e figuras que transitam no submundo de páginas da internet que promovem teorias conspiratórias.

Deutschland Berlin | Coronavirus | Demonstration
Polícia bloqueia acesso para a Praça Rosa LuxemburgoFoto: picture-alliance/dpa/J. Carstensen

O discurso predominante dessas manifestações tem sido de denunciar as restrições impostas pelo governo como uma medida contra os direitos individuais.

Alguns participantes e páginas na internet que promovem os protestos também acusam as medidas de afrontarem a Constituição. Sem qualquer base histórica, eles chegam a traçar paralelos entre as medidas e as ações da ditadura nazista (1933-1945).

Outros organizadores e participantes também aproveitam para disseminar teorias conspiratórias, afirmando que a quarentena seria um complô da indústria farmacêutica, do bilionário Bill Gates e até mesmo dos "sionistas”.

Ao longo do sábado, a polícia de Berlim pediu vezes para que os manifestantes se dispersassem. As autoridades afirmaram que haviam concedido permissão para que os organizadores distribuíssem folhetos, mas proibiu qualquer aglomeração.

Pelas regras de isolamento social em vigor em Berlim, são proibidas aglomerações de mais de duas pessoas e eventos com mais 20 participantes precisam de autorização das autoridades e só são permitidos se forem observadas regras como distância mínima de 1,5 metro.

Para impedir que mais pessoas se juntassem ao protesto, a polícia convocou 180 agentes e chegou a bloquear acessos à praça. Mais tarde, depois da detenção temporária de alguns participantes, os manifestantes acabaram por se dispersar.

Há duas semanas, uma advogada de Heidelberg que havia convocado uma manifestação similar passou a ser investigada pela promotoria local por convocar um protesto ilegal em tempos de pandemia. 

Beate Bahner, de 54 anos, havia se tornado uma espécie de heroína dos negacionistas da pandemia de coronavírus na Alemanha após ingressar com uma ação contra as medidas de isolamento no Tribunal Constitucional da Alemanha (BVerfG, na sigla em alemão), a instância jurídica mais alta do país. Posteriormente, Bahner, que mantinha um site que espalhava teorias conspiratórias, foi detida após agir de maneira confusa na rua e agredir um policial. Ela acabou sendo internada em uma clínica psiquiátrica.

Uma pesquisa divulgada no dia 13 de abril mostrou que 78% dos alemães afirmaram respeitar totalmente as medidas de restrição impostas pelo governo; 18%, apenas parcialmente e 2%, muito pouco. No início do mês, uma pesquisa também apontou que 72% dos alemães estao satisfeitos com a forma que o governo da chanceler federal Angela Merkel vem lidando com a pandemia.

A Alemanha é o quinto país do mundo com mais casos de covid-19, com pelo menos 156 mil testes que tiveram resultado positivo. No entanto, a mortalidade tem sido significativamente mais baixa do que em países com números similares de casos. A Alemanha registrou 5.640 mortes até o momento, enquanto a França e o Reino Unido acumulam mais de 20 mil cada.

JPS/ots

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