PM discutiu ″esquema″ na Saúde bem antes de suposto pedido de propina | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 07.07.2021

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Brasil

PM discutiu "esquema" na Saúde bem antes de suposto pedido de propina

Mensagens do celular do PM Luiz Paulo Dominghetti mostram que ele já falava sobre superfaturamento no ministério semanas antes de suposta cobrança de propina sobre doses de vacina denunciada à CPI da Pandemia.

Luiz Paulo Dominguetti Pereira

Celular de Dominguetti foi apreendido durante seu depoimento à CPI da Pandemia

Luiz Paulo Dominghetti Pereira, policial militar que também atuava como representante da empresa Davati Medical Supply e denunciou a cobrança de propina no Ministério da Saúde para a compra de vacinas, já falava sobre superfaturamento dentro da pasta semanas antes do suposto pedido de suborno, indicam mensagens de seu celular divulgadas nesta terça-feira (06/07) pelo Jornal Nacional.

Dominghetti disse em entrevista publicada em 29 de junho pelo jornal Folha de S.Paulo que Roberto Ferreira Dias, então diretor de Logística do Ministério da Saúde, cobrou propina de 1 dólar por dose para que a pasta fechasse a compra de 400 milhões de doses da vacina contra covid-19 produzida pela AstraZeneca. Dias foi exonerado do cargo no mesmo dia

Em depoimento à CPI em 1º de julho, Dominghetti repetiu a versão relatada à Folha e disse ter se reunido em 25 de fevereiro, em um restaurante de Brasília, com Dias e o tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco, que então era assessor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde. Ali, Dias teria feito o pedido de propina.

Nas mensagens agora divulgadas pelo Jornal Nacional, trocadas no início de fevereiro, Dominghtti conversa com um contato identificado como coronel Romualdo, que já havia sido citado por ele à CPI, sobre um suposto esquema de superfaturamento.

Em 8 de fevereiro, Romualdo escreve a Dominghetti ser "importante ver quem está nesse esquema lá no MS" e afirma que "para a coisa chegar no presidente... tem que ter informação correta", sem especificar se se referia ao presidente Jair Bolsonaro.

Aparentemente abordando o mesmo assunto, Dominghetti envia então uma imagem de outra mensagem ao coronel e escreve: "Cmt absurdo!". "Queriam que eu superfaturado o valor da vacina para 35 dólares". "Falei que ninguém fazia". Ao que Romualdo responde: "Absurdo".

Romualdo escreve então que Dominghetti tinha lhe falado sobre "um Dias no MS" e envia um link de uma reportagem perguntando se se tratava da pessoa citada no texto.

Junto com uma foto de Roberto Dias, Dominghetti responde: "Se for este, matou a charada". "Ele quem assina as compras e contratos no ministério".

Elementos suspeitos

A CPI da Pandemia removeu nesta terça-feira o sigilo das mensagens de celular de Dominghetti. O aparelho havia sido apreendido para perícia durante o depoimento à comissão no Senado.

Desde o início, a história contada pelo PM tem elementos suspeitos. A Davati, sediada nos Estados Unidos, foi formada em 2020 e tem apenas três funcionários. A AstraZeneca declarou que não negocia vacinas com entes privados, negou ter trabalhado com a Davati e afirmou que todas as vendas no Brasil foram tratadas com a Fiocruz.

Segundo informações reveladas pela Folha e pela TV Globo, no mesmo período em que Dominghetti trocou mensagens com o coronel Romualdo, Dias procurou Cristiano Carvalho, representante oficial da Davati no Brasil. Os contatos sobre a venda de doses de vacina entre os representantes do Ministério da Saúde e da empresa americana teriam começado em 3 de fevereiro.

Também é alvo da CPI uma mensagem enviada por Dominghetti ao coronel Blanco em 8 de março, em que o PM escreve: "Vamos depositar US$ 1 milhão agora". Não está claro se o valor foi de fato depósito, para quem e por quê.

Em outras mensagens do celular de Dominghetti às quais a Folha teve acesso, o PM conversa com o coronel Blanco e com Carvalho, representante  da Davati. Segundo o jornal, as conversas indicam que os três mantiveram expectativas de fechar contrato com o Ministério da Saúde até meados de março, ou seja, semanas depois do suposto pedido de propina por Dias.

A CPI da Pandemia ouvirá Dias nesta quarta-feira. A comissão também já aprovou a convocação de Blanco, que falará aos senadores em data a ser agendada.

lf (ots)

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