Planalto suspende indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixada nos EUA | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 18.10.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Brasil

Planalto suspende indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixada nos EUA

Desgaste político e crise no PSL minam nomeação do filho do presidente, que dificilmente passaria no Senado, afirma imprensa. Após derrota de Eduardo para liderança na Câmara, Bolsonaro nega ter desistido de indicação.

Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro perde disputa interna no PSL e teve suspensa a indicação para embaixada em Washington

O Palácio do Planalto decidiu deixar em suspenso a indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, para assumir a embaixada brasileira nos Estados Unidos, em meio a uma crise política envolvendo o chefe de Estado e seu partido, o PSL.

A informação foi antecipada nesta quinta-feira (17/10) por Guilherme Amado, colunista da revista Época, e confirmada por outros veículos da mídia brasileira com fontes próximas ao governo.

Embora o anúncio da intenção da indicação tenha ocorrido há três meses, o início do processo formal no Senado vinha sendo postergado devido aos temores de falta de apoio ao nome de Eduardo entre os parlamentares, que precisam dar o aval para a escolha de Bolsonaro.

Numa sabatina na Casa, o filho do presidente teria de provar que é capaz de exercer o cargo em Washington, embora não tenha qualquer experiência diplomática.

Apesar de realizar um corpo a corpo no Senado para tentar angariar apoio em torno de seu nome, Eduardo não teria conseguido garantir sustentação para sua indicação e corria o risco de se tornar o pivô de uma amarga derrota para o presidente.

Segundo a imprensa brasileira, a suspensão da indicação seria vista pelo Planalto como uma "saída honrosa" para Eduardo. O presidente adotaria um discurso oficial de que desistiu de indicar seu filho para que ele pudesse permanecer na articulação política do governo, e que Eduardo teria a maioria do Senado a seu favor caso seu nome fosse submetido a uma votação.

Mas, segundo apurou o jornal Correio Brasiliense, Eduardo não conseguiria nem a metade dos votos dos 81 senadores.

Nesta sexta-feira, ao deixar o Palácio da Alvorada em Brasília, o presidente foi questionado por jornalistas sobre a indicação de Eduardo e negou que seus planos tenham mudado. "Por enquanto, sem alteração", respondeu Bolsonaro.

Na véspera, o filho do presidente também negou que a decisão de suspender a indicação tenha sido tomada, contradizendo uma declaração que havia dado na quarta-feira, quando disse que a nomeação tinha ficado em segundo plano devido a sua tentativa de assumir a liderança do PSL na Câmara.

"Nem eu nem Jair Bolsonaro falamos nenhum fato novo sobre a embaixada. Parecem estar confundindo as coisas, querendo pôr mais lenha na fogueira", afirmou Eduardo nesta quinta-feira à revista Crusoé.

No mesmo dia, a ala bolsonarista do PSL tentou dar ao deputado o posto de líder do partido na Câmara, em meio ao acirramento da crise entre o presidente e as lideranças da legenda. Contudo, após uma guerra de listas para definir o líder da bancada e a invalidação de assinaturas de parlamentares, os aliados de Bolsonaro acabaram derrotados.

A indicação de Bolsonaro é vista com bons olhos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os EUA já haviam formalizado seu aval para a nomeação do filho do presidente para o comando da embaixada brasileira no país. O cargo de embaixador em Washington está vago há quase dez meses.

Derrotas para Bolsonaro em disputa interna no PSL

Tudo isso ocorre em meio a uma barulhenta briga entre Bolsonaro e o presidente nacional do PSL, o deputado Luciano Bivar (PE), pelo controle do partido. A crise interna eclodiu na semana passada com troca de farpas entre os dois.

Nesta quinta-feira, em meio à disputa pública, Bolsonaro sofreu duras derrotas. Dois filhos do presidente – o deputado Eduardo e o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) – foram destituídos dos comandos dos diretórios da legenda em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente.

Outro revés foi com a manutenção do deputado Delegado Waldir (GO) como líder da bancada do PSL na Casa. Na véspera, aliados do governo haviam tentado tirar Waldir do posto para entregá-lo ao deputado Eduardo Bolsonaro.

Segundo as regras da Câmara, a mudança do líder de um partido na Casa é oficializada com um documento direcionado ao presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) e assinado pela maioria absoluta dos parlamentares da legenda. O PSL tem atualmente 53 deputados.

Assim, uma lista com 27 assinaturas foi protocolada na quarta-feira pela ala bolsonarista, pedindo a substituição de Waldir por Eduardo. Segundo a imprensa brasileira, Bolsonaro atuou pessoalmente para influenciar o processo.

Ainda na quarta, o filho do presidente chegou a se pronunciar como novo líder da bancada no Salão Verde da Câmara. Mas não durou muito: aliados de Bivar logo protocolaram outra lista pela manutenção de Waldir, essa com 32 assinaturas.

Como as duas listas somavam 59 assinaturas, e o PSL possui somente 53 deputados, a área técnica da Câmara precisou fazer uma conferência dos documentos. Nesta quinta, após a contagem dos nomes, a Casa validou a lista em apoio ao Delegado Waldir, a única que continha assinaturas válidas de mais da metade dos deputados do PSL.

Racha com líder do PSL na Câmara

Para piorar a crise, foi vazado um áudio de Waldir afirmando que vai implodir o governo de Bolsonaro, em conversa gravada no gabinete do deputado na quarta-feira.

"Vou fazer o seguinte, eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele, eu tenho a gravação. Não tem conversa, eu implodo o presidente, acabou, cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo, cara. Eu votei nessa porra, eu andei no sol 246 cidades, no sol gritando o nome desse vagabundo", afirma Waldir no áudio, revelado pelo site R7.

Mais tarde, aos ser questionado sobre o áudio, Waldir recuou, afirmando que a declaração foi dada num "momento de emoção". Ele disse não ter nada contra o presidente e que é possível "pacificar" a bancada do PSL, segundo noticiou o portal G1.

"Nós somos Bolsonaro. Nós somos que nem mulher traída. Apanha, não é? Mas mesmo assim ela volta ao aconchego", afirmou. "Não tem nenhuma ruptura, não tem nenhuma perseguição, não tem nada."

Nesta sexta-feira, Waldir voltou a endurecer e disse que "não retira nada" do que falou na gravação. "Nada do que eu falei [no áudio] é mentira. Se você for traído, como vai se sentir? Eu fui traído. O presidente pessoalmente está interferindo para me tirar da liderança. Isso não é traição, isso não é vagabundagem?", declarou.

RC/ots

______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube
App | Instagram | Newsletter

 

Leia mais