Partidos laicos deverão participar do governo de transição na Tunísia | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 25.10.2011
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Mundo

Partidos laicos deverão participar do governo de transição na Tunísia

Procurando acalmar a comunidade internacional, o partido islâmico Ennahda, provável vencedor das eleições na Tunísia, afirma que convidará partidos seculares para formar um governo de coalizão.

Tunisianos de orientação ocidental temem por seus direitos civis

Tunisianos de orientação ocidental temem por seus direitos civis

Dois partidos laicos deverão fazer parte do governo na Tunísia, anunciaram nesta terça-feira (25/10) fontes do partido islâmico Ennahda, provável vencedor do pleito. Em janeiro deste ano, a população do país norte-africano derrubou o governo autocrático do presidente Ben Ali, desencadeando a chamada Primavera Árabe, que provocou a queda de outros regimes na região. Assim, o resultado eleitoral na Tunísia é visto como um barômetro do clima político em países como Egito ou Líbia.

Com a inclusão de forças políticas seculares, os islâmicos do Ennahda querem acalmar a comunidade internacional. O Ennahda rejeita, todavia, a participação de um terceiro partido laico num governo de coalizão.

Além do partido moderado Congresso da República, liderado por Moncef Marzouki, político que viveu muitos anos em exílio na França, o partido de esquerda Ettaktol também deverá fazer parte do governo. "Nós queremos formar um governo o mais amplo possível, com todos os partidos", disse Marzouki à agência de notícias Reuters.

Medo ocidental

Nas atuais eleições, os 217 deputados foram eleitos para um mandato de um ano. Eles deverão outorgar uma nova Constituição, eleger um governo de transição e implementar eleições parlamentares e presidenciais.

A vitória do partido islâmico Ennahda, no entanto, divide a população tunisiana – num momento em que o consenso social é considerado pré-requisito mais importante para conduzir o país do Norte da África a um futuro melhor.

A discussão é dominada, sobretudo, por questões da fé. Por um lado, questiona-se a existência de uma separação rigorosa entre Estado e religião. Por outro, pergunta-se até que ponto o partido Ennahda é confiável. Muitos tunisianos de orientação ocidental temem por seus direitos civis e de liberdade, como também pela reputação de seu país, considerado um dos mais liberais entre as nações muçulmanas.

Apesar do governo autocrático de Ben Ali, nas últimas décadas, a Tunísia foi considerada pelos europeus como um exemplo de país árabe e como um popular destino turístico. A vitória dos islâmicos poderia, agora, abalar essa imagem e trazer consequências catastróficas para a economia.

Entrelinhas

No entanto, quem folheia o programa eleitoral do Ennahda não encontra, a princípio, nenhuma passagem preocupante. O direito das mulheres ao trabalho e à liberdade de vestuário é enfatizado explicitamente. Igualdade de direitos, liberdades individuais e luta contra o desemprego são alguns dos temas recorrentes.

"Cabe a vocês decidir se acreditam em deus. Vocês podem beber álcool e viver sua própria vida", disse Rachid Ghannouchi, líder do Ennahda, dirigindo-se aos tunisianos liberais pouco antes da eleição.

Para os opositores do Ennahda, no entanto, todas essas afirmações são só fachada. Eles fazem alusão a tons sutis que podem ser lidos no programa do partido, onde está escrito que o "erro" do casamento tardio ou da grande quantidade de separações deve ser consertado.

Os críticos também chamam atenção para a proximidade de Ghannouchi com o extremismo islâmico através de opiniões sobre o conflito no Oriente Médio. O Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio (Memri) documentou afirmações de Ghannouchi feitas em 2001 sobre ataques-suicida por parte de jovens palestinos.

"Eu abençoo as mães que plantaram na abençoada Palestina a semente desses jovens, que deram uma lição ao sistema internacional e aos arrogantes israelenses apoiados pelos EUA", teria dito Ghannouchi na ocasião.

CA/rtd/dpa
Revisão: Roselaine Wandscheer

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