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Gerhard Schröder governou a Alemanha de 1998 a 2005
Gerhard Schröder governou a Alemanha de 1998 a 2005Foto: Kay Nietfeld/dpa/picture alliance

Parlamento alemão corta privilégios de Gerhard Schröder

19 de maio de 2022

Decisão ocorre após ex-chanceler alemão se recusar a cortar seus lucrativos laços com estatais de energia da Rússia. Amigo pessoal de Putin, Schröder vai perder benefícios como funcionários e escritório oficial.

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O Bundestag (Parlamento alemão) votou nesta quinta-feira (19/05) pela remoção de uma série de privilégios que o ex-chanceler federal da Alemanha Gerhard Schröder tinha direito como ex-chefe de governo. A decisão foi tomada por causa da recusa de Schröder de cortar seus laços financeiros com empresas russas, entre elas a estatal petrolífera Rosneft e gigante do setor de gás Gazprom, ambas ligadas ao Kremlin.

"Os grupos parlamentares da coalizão de governo estabeleceram consequências para o comportamento do ex-chanceler e lobista Gerhard Schröder, em vista da invasão russa à Ucrânia", afirma a decisão do Bundestag.

"O escritório do ex-chanceler deverá ser suspenso", decidiram os parlamentares, acrescentando que Schröder não possui mais os privilégios do cargo. Ele não terá mais direito a benefícios como motoristas e funcionários, mas poderá manter a aposentadoria e equipe de segurança.

A decisão ocorreu no mesmo dia em que o Parlamento Europeu encaminhou uma resolução para pedir que Schröder seja alvo de sanções caso não rompa seus laços com a Rússia.

O texto da resolução do Parlamento Europeu, não juridicamente vinculativa, aprovado por ampla maioria, menciona também a ex-ministra do Exterior da Áustria Karin Kneissl, que, assim como Schröder, ocupa um lucrativo cargo na petrolífera Rosneft, além de manter um blog no site Russia Today (RT), controlado pela máquina de propaganda do Kremlin.

Os eurodeputados afirmaram que "exigem com veemência" que Schröder siga o exemplo de outros políticos europeus, com o ex-primeiro-ministro francês François Fillon, que em fevereiro deixou seus cargos bem-remunerados em duas empresas russas.

A resolução pede ainda que os Estados-membros "ampliem a lista de indivíduos que são alvos das sanções, para incluir os europeus que sejam membros de conselhos nas principais empresas russas"

A UE já bloqueou os bens de centenas de oligarcas russos e autoridades ligadas ao Kremlin, mas evitou agir diretamente contra cidadãos europeus que ocupam altos cargos em Moscou.

"Não faço mea culpa"

Schröder, que governou a Alemanha de 1998 a 2005, preside o conselho de supervisão da Rosneft e o comitê dos acionistas da companhia do gasoduto Nord Stream - cujo consórcio é controlado pela russa Gazprom -, além de continuar cadastrado como presidente administrativo da sociedade anônima Nord Stream 2.

Foi justamente Schröder, em seus últimos dias de governo, em 2005, que autorizou a concessão de uma garantia bilionária que facilitou a construção do Nord Stream, um gasoduto submarino, que liga a Rússia diretamente à Alemanha, contornando países como a Ucrânia e Polônia, cujos governos são adversários do Kremlin. 

Schröder aceitou o cargo no consórcio poucos dias após deixar a chancelaria. A partir de então, ele passaria a acumular uma série de cargos em empresas russas. E seu apetite não parece ter fim: três semanas antes da invasão da Ucrânia, ele foi nomeado para o conselho de administração da poderosa estatal energética russa Gazprom. O ex-chanceler deve assumir o novo cargo no final de junho, após uma reunião anual do comando da estatal.

Amigo pessoal de Vladimir Putin, Schröder não fez qualquer crítica pública ao presidente russo após invasão da Ucrânia.

Em entrevista recente ao jornal New York Times, o social-democrata de 78 anos mostrou-se teimosamente incontrito: "Eu não faço mea culpa", replicou, "não é o meu jeito." Ele só contemplaria renunciar a seus cargos nas estatais se a Rússia decidisse cortar o fornecimento de gás à Alemanha, algo que, alega, "não vai acontecer".

Schröder praticamente defendeu o Putin das acusações de crimes de guerra, ao especular que a ordem para os massacres no país invadido não teria partido dele, mas sim de oficiais de escalão mais baixo.

Na entrevista, o alemão disse que o Ocidente deve manter relações com a Rússia, apesar da guerra em curso, mas declinou de dar detalhes sobre sua conversa recente com o o líder do Kremlin: "O que eu posso lhe dizer é que Putin está interessado em terminar a guerra. Mas não é tão fácil assim. Há alguns pontos que necessitam esclarecimento."

Schröder também enfrenta a possiblidade de ser expulso de sua legenda, o Partido Social-Democrata, ao qual também pertence o atual chanceler federal, Olaf Scholz.

Scholz também instou repetidamente e publicamente o ex-líder a abandonar seus cargos em empresas da Rússia, mas sem sucesso.

rc/jps (DPA, AFP, Reuters)