Para Rummenigge, fim da ″Lei Beckham″ é justo | Siga a cobertura dos principais eventos esportivos mundiais | DW | 06.11.2009
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Esporte

Para Rummenigge, fim da "Lei Beckham" é justo

Em entrevista exclusiva à DW-WORLD, Karl-Heinz Rummenigge, diretor do Bayern de Munique e presidente da Associação de Clubes Europeus, fala da nova lei tributária no futebol espanhol e suas consequências.

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Rummenigge diz que nova lei traz benefício social

Na Espanha, os jogadores de futebol vão ter que pagar mais impostos futuramente. A chamada "Lei Beckham" será reformada e os craques internacionais da primeira divisão do país terão que contribuir com 43% de sua renda, no lugar dos atuais 24%.

Na Alemanha, a medida foi bem recebida. Deutsche Welle conversou com exclusividade sobre o tema com Karl-Heinz Rummenigge, diretor do Bayern de Munique e presidente da Associação dos Clubes Europeus (ECA, na sigla em inglês). A entidade representa os interesses dos 103 maiores times da UEFA.

Deutsche Welle: O governo de José Luis Rodríguez Zapatero está disposto a acabar com as vantagens tributárias para jogadores estrangeiros, que se aproveitam de uma legislação que abriu as portas da primeira divisão espanhola aos craques mais importantes e caros do futebol internacional. Qual a sua opinião sobre essa medida, como funcionário do Bayern de Munique e como porta-voz da ECA?

Karl-Heinz Rummenigge: A princípio, essa é uma história que só diz respeito aos espanhóis, eles são quem decidem de forma autônoma sobre essa vantagem tributária para os clubes de futebol. Graças a ela, eles pagavam a metade por seus jogadores, como no caso de Cristiano Ronaldo, se comparamos as cargas tributárias do Real Madrid com as do Manchester United.

Essa lei era acusada de causar uma distorção da competição esportiva na Europa.

Não. Para mim não significava uma distorção, era simplesmente uma vantagem que não seria possível na Alemanha, porque imediatamente as pessoas iriam protestar. Não critico os espanhóis por essa característica da legislação, a qual todos desfrutaram e que nos causava dificuldades – na Alemanha e na Europa – porque pagávamos mais. A reforma nos fará mais competitivos, já que as cargas de impostos serão igualadas.

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Quem se beneficiou desse regime tributário?

Todos os clubes espanhóis, todos. Claro que, para os grandes, como Real Madrid e Barcelona, ele foi ainda mais lucrativo.

Na Espanha, os clubes reclamam que o fim da “Lei Beckham” será também o fim da qualidade do campeonato.

Eu entendo os colegas espanhóis, porque o que eles tinham era maravilhoso. Também entendo as preocupações deles, mas eles terão que se adaptar à nova situação. Não é fácil para eles renunciar a condições favoráveis, mas isso não é o fim. Não creio que significará uma perda dramática de qualidade na primeira divisão.

O que significa para o mundo do futebol a eliminação das vantagens tributárias anunciadas na Espanha?

É um passo para a Europa e o mundo para igualar seu futebol. Nós vivemos com essa desvantagem e sabemos do que estamos falando. Para os jogadores, significará uma diminuição de seus salários, mas eles já ganham bem o suficiente. Para os clubes os contratos agora serão mais caros.

A “Lei Beckham” chegou a ser tema de debate dentro da ECA?

Não, ela não esteve nunca sobre a mesa de discussões, porque desde muito cedo foi tomada a decisão de que os temas tributários e de direitos de televisão eram da alçada de cada liga.

Seria essa uma oportunidade para a Alemanha manter suas estrelas como, no caso do Bayern de Munique, de Ribéry, cobiçado pelo Real Madrid e pelo Barcelona?

Não há tantos jogadores da primeira divisão alemã que terminem no futebol espanhol. O caso de Ribéry é uma exceção e não a regra. Acho que esse efeito será sentido muito mais na Itália e na Inglaterra.

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Seria esse um caso em que a política se intromete nos assuntos do esporte?

Não, no final das contas foi o mesmo governo que criou essas vantagens, aclamadas na época pelos clubes espanhóis da mesma forma que choram agora diante da iminência da reforma. É claro que em momentos de crise financeira, como a que atravessa o mundo atualmente, os países que sofrem com ela, como é o caso da Espanha, têm que eliminar as subvenções, e a "Lei Beckham” não era outra coisa que uma subvenção.

Karl-Heinz Rummenigge, o homem, o funcionário, gostou da medida?

Eu a considero muito justa do ponto de vista social. Aqui estamos falando de benefícios para gente que ganha muito, muitíssimo dinheiro e que economizava uma quantidade enorme de impostos, sem pensar em sua responsabilidade social.

O senhor é muito amigo de Joan Laporta, presidente do Barcelona. Já teve oportunidade de falar com ele sobre o tema?

Não, ainda não. Mas com certeza falarei com ele nos próximos dias e então direi a ele, como disse a Florentino Pérez, que entendo suas preocupações, mas que minha convicção é que tanto o Barcelona como o Real Madrid continuarão sendo grandes clubes.

Autor: Daniel Martínez (md)

Revisão: Carlos Albuquerque

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