Papa expulsa da Igreja mais dois sacerdotes chilenos | Notícias internacionais e análises | DW | 13.10.2018
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Mundo

Papa expulsa da Igreja mais dois sacerdotes chilenos

Acusados de abusos sexuais, ex-bispos se somam a outros clérigos do país exonerados pelo pontífice. Chile apura dezenas de casos de assédio na Igreja Católica, que levaram toda a cúpula eclesiástica chilena a renunciar.

Papa Francisco e o presidente do Chile, Sebastián Piñera, conversando no Vaticano durante audiência

Papa Francisco durante audiência com presidente do Chile, Sebastián Piñera

O papa Francisco expulsou do sacerdócio neste sábado (13/10) os ex-bispos chilenos Francisco José Cox Huneeus, de 85 anos, da cidade de La Serena, e Marco Antonio Órdenes Fernández, de 54 anos, de Iquique, ambos acusados de abusos sexuais.

O Vaticano informou que o pontífice "renunciou ambos do estado clerical", medida que os expulsa do sacerdócio, depois de terem sido submetidos a uma investigação da Congregação para a Doutrina da Fé, órgão da Santa Sé. Essa é a punição mais severa da Igreja Católica contra um membro do clero e é raramente adotada contra bispos.

As duas expulsões se somam às dos sacerdotes chilenos Fernando Karadima Fariña e Cristián Prech, confirmadas nas últimas semanas.

"A decisão foi tomada pelo papa Francisco em 11 de outubro e não admite recurso", comunicou o Vaticano, que comunicou a medida logo após o pontífice ter recebido o presidente do Chile, Sebastián Piñera, em audiência privada.

Cox Huneeus está aposentado e vive desde 2002 em um mosteiro na cidade de Vallendar, na Alemanha, pertencente a uma congregação do Movimento de Schönstatt. Ele foi transferido ao local para viver uma vida de "silêncio, oração e penitência" quando começaram a circular as primeiras acusações.

Em 2004, Cox Huneeus foi acusado de abusos sexuais contra menores de idade no Chile. Mais recentemente, a Congregação para a Doutrina da Fé abriu uma nova investigação contra o bispo aposentado, dessa vez envolvendo abusos contra um menino de 17 anos na Alemanha.

O Movimento de Schönstatt em Santiago, capital do Chile, disse ter recebido a notícia sobre a expulsão de Cox Huneeus com "muita vergonha pelos danos causados às vítimas". Afirmou, no entanto, que o ex-arcebispo deve seguir um membro da comunidade de sacerdotes Padres de Schönstatt, por desejos da congregação de mantê-lo sob seus cuidados.

Órdenes Fernández, por sua vez, foi acusado de cometer abusos sexuais contra um menino, levando-o a renunciar ao cargo de bispo de Iquique anos atrás. A renúncia foi aceita pelo então papa Bento 16 em 2012, mas até então ele seguia um membro da Igreja. Acredita-se que ele ainda more no Chile.

A decisão de Francisco foi anunciada após uma reunião entre o pontífice e o presidente chileno no Vaticano, onde foi discutida a crise de abusos sexuais envolvendo membros do clero no país.

"Compartilhamos a esperança de que a Igreja possa passar por um renascimento e recuperar o carinho e a proximidade do povo de Deus, para que continue desempenhando o importante papel que ela tem em nosso país", afirmou Sebastián Piñera a repórteres.

A Igreja Católica chilena, por sua vez, pediu perdão neste sábado às famílias e às comunidades do país que "sofreram abusos e danos causados pelos bispos".

Vários membros da Igreja Católica do Chile envolvidos em casos de abuso, incluindo alguns bispos, levaram o clero chileno à pior crise da sua história.

Em maio, todos os 34 bispos chilenos apresentaram a sua renúncia depois de três encontros com o papa Francisco, no Vaticano, na sequência de uma série de erros e omissões na gestão de casos de abuso sexual. Até então, o pontífice aceitou sete demissões.

De acordo com um relatório publicado no final de agosto, existem no Chile 119 investigações em curso contra 167 pessoas relacionadas com a Igreja e 178 vítimas identificadas, 79 das quais eram menores quando os casos ocorreram.

Nos Estados Unidos, a Igreja Católica também vem lutando contra um grande escândalo de abusos. Na sexta-feira, foi anunciado que o papa Francisco aceitou a renúncia do arcebispo de Washington. O cardeal Donald Wuerl estava sob pressão há semanas porque estaria envolvido no encobrimento de casos de abuso no clero durante seu tempo em que foi bispo de Pittsburgh, na Pensilvânia.

MD/EK/dpa/efe/lusa/rtr

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