Países europeus defendem vacina de Oxford em meio a dúvidas | Notícias internacionais e análises | DW | 08.02.2021

Conheça a nova DW

Dê uma olhada exclusiva na versão beta da nova DW. Sua opinião nos ajudará a torná-la ainda melhor.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Europa

Países europeus defendem vacina de Oxford em meio a dúvidas

Governos britânico, alemão e francês reiteram confiança na vacina produzida pela Astrazeneca após África do Sul adiar vacinação alegando eficácia limitada do imunizante contra variante do coronavírus.

Vacina

Tanto a vacina da AstraZeneca como a da Pfizer previnem formas graves de covid-19 e mortes, afirmou Boris Johson

O Reino Unido, a França e a Alemanha saíram nesta segunda-feira (08/02) em defesa da vacina contra covid-19 da AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, após a África do Sul adiar o início da vacinação com o imunizante alegando falta de eficácia.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou estar confiante de que tanto a vacina da AstraZeneca como a da Pfizer previnem formas graves de covid-19 e mortes. Essas são as duas vacinas que o Reino Unido está utilizando para vacinar a sua população.

O ministro britânico responsável pela vacinação, Nadhim Zahawi, afirmou que o governo vai continuar usando o imunizante da AstraZeneca e acrescentou que o governo tem confiança no plano de vacinação em andamento no país. O ministro da Saúde, Edward Argar, disse que apenas 147 infecções com a variante sul-africana foram registradas no Reino Unido.

O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, afirmou que as evidências atualmente disponíveis sugerem que as três vacinas já aprovadas na União Europeia – Astrazeneca, Pfizer e Moderna – oferecem proteção contra casos graves de covid-19. 

O ministro da Saúde francês, Olivier Veran, manifestou apoio à vacina da Astrazeneca, argumentando que o imunizante oferece proteção suficiente contra "quase todas as variantes" do coronavírus.

A variante sul-africana do coronavírus (chamada B1351) é uma das que mais preocupam atualmente os cientistas, juntamente com as identificadas no Reino Unido (B117) e no Brasil (B1128).

O ministro da Saúde da África do Sul, Zweli Mkhize, explicou que a decisão de suspender temporariamente o uso da vacina da AstraZeneca foi tomada depois de uma pesquisa científica indicar que a vacina oferece proteção limitada contra casos leves e moderados da variante também chamada de 501Y.V2, que é dominante no país.

Mkhize acrescentou que, nas próximas semanas, o governo sul-africano vai recorrer às vacinas produzidas pela Johnson & Johnson e pela Pfizer, desenvolvida em parceria com a empresa alemã Biontech.

Eficácia de apenas 22% contra variante

A pesquisa científica foi realizada pelas universidades de Witwatersrand, na África do Sul, e de Oxford, no Reino Unido, e envolveu 2 mil participantes com idade média de 31 anos.

De acordo com os resultados preliminares da pesquisa, o risco de desenvolver uma forma de leve a moderada de covid-19 foi apenas 22% menor para quem tomou a vacina da AstraZeneca, considerando as infecções com a variante sul-africana do coronavírus.

A proteção contra formas de moderada a grave não puderam ser avaliadas porque os participantes da pesquisa eram muito jovens.

Vacina da Pfizer é eficaz

Já um outro estudo, publicado na revista científica Nature Medicine nesta segunda-feira, mostrou que a vacina da Pfizer-Biontech é eficaz também contra as variantes britânica e sul-africana do vírus.

O estudo, conduzido pela Pfizer e pela Universidade do Texas, mostrou que, em laboratório, havia anticorpos suficientes para neutralizar as mutações do coronavírus no sangue de 20 pessoas que receberam a vacina.

O estudo já havia sido divulgado no final de janeiro, quando os dados ainda não haviam sido revisados por outros cientistas.

A vacina de Oxford no Brasil

O primeiro lote do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) para a produção das vacinas Oxford/AstraZeneca pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) chegou no sábado ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. O material deve finalmente possibilitar a produção dessa vacina contra a covid-19 em território nacional, após seguidos atrasos.

Os termos do acordo entre a Fiocruz, a AstraZeneca e a Universidade de Oxford preveem que, inicialmente, o Brasil vai produzir a vacina com IFA importado. Posteriormente, Bio-Manguinhos vai nacionalizar a produção do insumo, o que deve ocorrer no segundo semestre, a partir de um processo de transferência de tecnologia. Após a nacionalização do IFA, a Fiocruz prevê produzir mais 110 milhões de doses até o fim deste ano, chegando a um total de mais de 210,4 milhões de doses.

Até o momento, 2 milhões de doses prontas da vacina de Oxford importadas da Índia foram as únicas que o governo federal conseguiu distribuir até o momento. O grosso da campanha de imunização vem sendo executada com doses de Coronavac, a vacina promovida pelo governo de São Paulo e que havia sido inicialmente rejeitada pelo Planalto.

as/lf (Reuters, ARD, Lusa)

Leia mais