Otan nega sinal político em exercícios militares na Geórgia | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 06.05.2009
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Mundo

Otan nega sinal político em exercícios militares na Geórgia

Os ânimos da Rússia se inflamam com o início de um mês de exercícios militares da Aliança Atlântica no território da Geórgia. A organização garante que não há objetivo político por trás e que Moscou estava informada.

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Manobras são parte do programa Associação para a Paz

Cerca de mil soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e de países parceiros iniciaram nesta quarta-feira (06/05) manobras militares na Geórgia, em uma base situada a leste da capital Tbilisi, a cerca de 70 quilômetros das tropas russas estacionadas na Ossétia do Sul.

O presidente russo, Dimitri Medvedev, reagiu ao que chamou de um perigoso "braço de ferro" com o envio de tropas russas para a fronteira com as províncias separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul, poucos dias antes do início dos exercícios militares denominados "Cooperative Longbow/Cooperative Lancer".

Proteste in Georgien gegen Mikhail Saakashvili

Presidente Saakashvili, da Geórgia, é alvo de críticas

A Rússia mantém aproximadamente 3.800 soldados em cada uma das duas províncias. Segundo autoridades do governo, a decisão de reforçar as tropas fronteiriças foi tomada muito antes de as manobras terem sido anunciadas e não está de forma alguma relacionada à desaprovação das mesmas por Moscou, informou a agência de notícias Interfax.

A reação russa surpreendeu a Otan, que alega que as manobras – que durarão um mês – não constituem uma missão da aliança em si, mas fazem parte do programa Associação para a Paz (PFP na sigla em inglês) e que a própria Rússia foi convidada a participar, embora tenha rejeitado o convite. Trata-se de um programa iniciado em 1994 a fim de intensificar práticas de cooperação bilateral entre países individuais e a aliança.

"Este não é um exercício da Otan", confirmou um porta-voz da organização à Deutsche Welle. "É um exercício de rotina que já acontece há anos e nem atingirá grandes dimensões. Por fazer parte da PFP, é aberto a todos, o que significa que todos já estavam inteiramente informados quando as manobras foram anunciadas na primavera [setentrional] do ano passado. Ninguém foi forçado a participar e a Rússia decidiu não fazê-lo", acrescentou.

"Mas eles sabiam o que estava acontecendo e nunca houve problema. Recentemente, quando disseram que estavam preocupados com a manobra, perguntamos se não queriam enviar observadores, apesar de o prazo de inscrições já haver terminado. Mas eles também recusaram. Do nosso ponto de vista, não há controvérsia alguma."

Ameaça psicológica, não militar

Alexander Rahr, diretor do programa Rússia/Eurásia da Sociedade Alemã de Política Externa (DGAP), acredita que a Rússia tem todo direito de se preocupar – não do ponto de vista militar, mas psicológico.

4. Handelsblatt-Jahrestagung Russland Alexander Rahr, DGAP Deutsche Gesellschaft für Auswärtige Politik e.V.

Alexander Rahr, da DGAP

"A Rússia achava que, depois da guerra no ano passado, as esperanças da Geórgia de entrar para a Otan haviam sido eliminadas. Agora a Otan está com suas tropas na Geórgia e, não importa qual seja a linha oficial, isso é um sinal de apoio que assinala que a Geórgia não foi esquecida. Moscou agora desconfia de que a Otan esteja oferecendo à Geórgia uma entrada pela porta dos fundos."

Embora a Otan insista em justificar que se trata apenas de exercícios multilaterais abertos a todos os membros da PFP, especialistas criticam a decisão de executá-los na zona de tensão que é o Cáucaso, questionando ainda mais o fato de a Otan ter escolhido especificamente a Geórgia em uma fase tão delicada das relações com a Rússia.

Afinal, não faz muito tempo que a Rússia e a Otan reataram seus contatos formais, interrompidos quando o Ocidente acusou Moscou de reagir de forma "desproporcional" à invasão das províncias separatistas pela Geórgia no ano passado.

A Otan, no entanto, rejeita críticas de que se trate apenas de uma medida provocadora. "Não há mistério, não há segredo e não há nenhum fundo político. O conflito aconteceu em agosto do ano passado e essas manobras já estavam marcadas antes disso. Muitos países haviam se candidatado, mas a Geórgia se apresentou como voluntária um ano atrás. Mas poderia ter sido qualquer outro país", informou o mesmo porta-voz da Aliança Atlântica.

Alexander Rahr, entretanto, vê aí mais que mera coincidência. "É uma resposta muito clara do Ocidente, uma reação direta às manobras militares empreendidas pela Rússia na Venezuela e, anteriormente, na China."

A Otan, além disso, reitera que os exercícios não são destinados a reforçar o apoio ao presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, que há semanas vem sendo alvo de protestos da oposição em Tbilisi. "Ninguém deveria instrumentalizar estes exercícios por razões políticas", reforçou o porta-voz.

Mas Alexander Rahr discorda. "Claro que isso é muito importante para Saakashvili e suas ambições de ingressar na Otan. Não importa o que se diga, trata-se de uma demonstração de apoio às lideranças georgianas e de um enorme impulso político e psicológico para Saakashvili. A atenção internacional mais uma vez se volta para ele, que fará questão de que os russos encarem o fato como um sinal da Otan de que a Geórgia não foi esquecida."

Autor: Nick Amies

Revisão: Simone Lopes

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