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Leipzig - Jihard Darwech
Jihad Darwech diz que denunciaria qualquer pessoa que quisesse prejudicar a AlemanhaFoto: DW/F. von der Mark
Terrorismo

Os heróis sírios de Leipzig

Fabian von der Mark
11 de outubro de 2016

Uma tropa de elite da polícia alemã procurava Jaber al-Bakr, mas ele acabou sendo detido e entregue às autoridades por três compatriotas sírios, que se tornaram as estrelas de seu bairro na cidade da Saxônia.

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Jihad pode significar guerra santa, mas é também o nome de um homem sírio, residente em Leipzig, que nesta segunda-feira (10/10) veste uma jaqueta esportiva e um boné de basebol. À noite, ele escutou um barulho de helicóptero e, no dia seguinte, soube da noticia: sírios haviam entregado à polícia o suspeito de terrorismo Jaber al-Bakr. "Aí eu soube que aquele era um bom dia", diz Jihad Darwech.

Ele vive a poucos metros do prédio onde o homem mais procurado da Alemanha foi preso, por volta da 1h desta segunda-feira. Os policiais não encontraram muita resistência: na hora da captura, Bakr se encontrava amarrado e deitado no chão de um apartamento no quarto andar do edifício. Ele estava sendo vigiado por sírios.

Jihad alterna a conversa entre o alemão e o inglês. Ele chegou à Alemanha há um ano e meio e frequenta aulas de alemão todos os dias. Ainda que considere a ação de seus compatriotas um ato de bravura, afirma que ela não o surpreendeu: "99% dos sírios na Alemanha são gente boa e lutariam a qualquer momento pela Alemanha contra os terroristas. Existe um ditado árabe: 'Se você me oferece sua casa, eu lhe oferto meu sangue'. Os alemães nos ajudaram – mesmo em cem anos não teremos esquecido isso."

Leipzig - Ehemaliger Wohnort von Jihard Darwech
Na vizinhança de Jihad Darwech, sírios agora são heróisFoto: DW/F. von der Mark

Amarrado, fotografado – e entregue

Jihad cumprimenta um amigo sírio com um sorriso. Um garoto alemão de passagem dá uma olhada nos carros de imprensa e diz, com orgulho: "Este é o meu bairro." Na rua ouve-se vizinhos falarem com admiração sobre os sírios que prenderam Bakr, e novos detalhes surgem a todo momento. Até mesmo a chanceler federal Angela Merkel elogiou a coragem e a atuação dos vizinhos.

Aparentemente tudo começou de forma natural: os sírios queriam ajudar o compatriota. "Se alguém precisa de um lugar para dormir, é claro que vamos oferecer isso", explica Jihad. E foi justamente o que um dos sírios que entregou Bakr, Mohammed A., fez. Somente quando estava em casa, na rua Hartriegelstrasse, em Leipzig, Mohammed percebeu quem haviam convidado para pernoitar: Jaber al-Bakr, o fabricante de explosivos altamente perigosos que é acusado de planejar um atentado terrorista a mando do grupo "Estado Islâmico".

Com a ajuda de dois outros sírios, Mohammed amarrou Bakr. Os sírios então ligaram para a polícia, mas não conseguiu se fazer entender por causa da língua. Para resolver o problema de comunicação, decidiram fotografar o foragido, e um deles levou a foto para as autoridades. Na delegacia, os policiais finalmente entenderam o que os sírios estavam querendo dizer – e, mais importante, sobre quem estavam falando.

Jaber al-Bakr
Bakr teria tentado corromper os compatriotasFoto: picture-alliance/dpa/Polizei Sachsen

Mohammed relatou ainda que Bakr tentou comprar sua liberdade com dinheiro. "Dissemos a ele: 'Você pode nos oferecer quanto dinheiro quiser, mas não vamos lhe soltar'", relatou Mohammed à emissora RTL, acrescentando que ficou "extremamente irritado" com o compatriota. "Não posso aceitar algo assim, muito menos na Alemanha, o país que nos abriu as portas."

Sem perseguição policial

Depois disso, as coisas aconteceram rapidamente. Um helicóptero e um carro de polícia foram até o prédio da rua Hartriegelstrasse, onde os policiais capturaram o foragido, que estava amarrado e sendo vigiado. Desta vez não havia como os acontecimentos de sábado em Chemnitz se repetirem. Naquela ocasião, Bakr pôde escapar porque ele surpreendeu as forças de segurança fugindo do edifício onde se encontrava. Usando uniformes de proteção pesando 30 quilos, os policiais tiveram dificuldades para persegui-lo.

Nesta segunda-feira, quando as forças de segurança chegaram ao prédio em Leipzig, a maior parte do trabalho estava feita. "Eles o amarraram como um pacote", disse um investigador criminal mais tarde.

Jihad diz se irritar muito com o fato de um sírio se fazer passar por refugiado para executar atos terroristas. Ele e seus compatriotas não pretendem permitir que uma pequena minoria dos sírios arruíne a reputação de todos os outros, garante. "Mesmo se fosse meu irmão ou meu filho, eu denunciaria imediatamente às autoridades qualquer pessoa que quisesse prejudicar a Alemanha." Vindo de Damasco, Jihad chegou a Leipzig com a esposa e dois filhos. "Quando os vejo aqui, dormindo em paz, eu percebo tudo o que a Alemanha fez por nós."

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