Os altos e baixos da social-democracia na Europa | Notícias internacionais e análises | DW | 08.06.2019
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Europa

Os altos e baixos da social-democracia na Europa

SPD alemão não é o único partido social-democrata da UE em apuros. Em outros países a situação da ala é bem pior. Contudo há também exemplos de centro-esquerda estável, e mesmo em ascensão. Qual é a receita de sucesso?

Após anos de jugo conservador no governo nacional e derrotas eleitorais, culminando com a recente renúncia da líder do Partido Social-Democrata (SPD), Andrea Nahles, a ala centro-esquerda está bastante debilitada na Alemanha. Em outros países da Europa, como a França, partidos social-democratas também acumulam seguidos fracassos, mas há alguns casos que desafiam essa tendência. 

Dinamarca

O mais recente exemplo de sucesso social-democrata na Europa é a Dinamarca, onde o partido se tornou o grupo parlamentar mais forte na eleição de 5 de junho. A jovem líder Mette Frederiksen apostou numa combinação de política de imigração severa e clássico bem-estar social esquerdista, que ressoou especialmente bem entre o eleitorado social-democrata tradicional.

Muitos dinamarqueses das classes operária e média-baixa, que há anos votavam no populista de direita Partido Popular Dinamarquês (DFP), retornaram ao Partido Social-Democrata. Frederiksen defende pontos de vista que seriam impensáveis entre os social-democratas de outros países: ela é a favor de colocar os solicitantes de refúgio em alojamentos no continente africano, sob supervisão das Nações Unidas; e, em vez de integração, reivindica o repatriamento de imigrantes europeus e refugiados. 

Líder social-democrata dinamarquesa Mette Frederiksen

Mette Frederiksen defende políticas impensáveis entre outros social-democratas da UE

França

Nenhum outro país ilustra tão bem o ocaso da social-democracia europeia quanto a França. O Partido Socialista (PS) teve seu apogeu na década de 1980 e início da de 90, sob o presidente François Mitterrand. Ainda em 2012, alcançou maioria absoluta na Assembleia Nacional, empossando François Hollande como presidente.

Aí veio a queda: nas eleições presidenciais de 2017, seu candidato obteve pouco mais de 6% dos votos, ficando em quinto lugar. No pleito para o Parlamento Europeu de maio de 2019, a legenda chegou a cair para sexto lugar.

O cientista político Uwe Jun analisa: "O PS ficou bem no foco da onda de desconfiança em relação à classe política, pois antes das eleições presidenciais e parlamentares ele era o principal partido do governo." Além disso, "decepcionou muito as promessas feitas antes das eleições, do ponto de vista dos eleitores".

Tradicionalmente, o PS francês é um grupo bastante esquerdista, bem mais do que o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), por exemplo. Hoje ele está encurralado entre o A República Em Marcha (LREM), do presidente Emmanuel Macron, forças ainda mais à esquerda do que ele próprio, e a ultradireitista Reunião Nacional, de Marine Le Pen, que igualmente atrai muitos franceses com sua política xenófoba e antiglobalização.

Holanda

O Partido do Trabalho (PvdA) da Holanda teve destino semelhante no pleito parlamentar nacional de 2017. A antes poderosa legenda, que no pós-guerra elegeu o primeiro-ministro por três vezes, teve o pior resultado de sua história: 5,7%, uma perda de nada menos do que 19 pontos percentuais em relação à votação anterior.

Uma das desvantagens que enfrenta o PvdA é a extrema multiplicidade do sistema partidário holandês: a ala à esquerda do centro se divide entre o Partido Socialista, o Esquerda Verde (GL) e o D66, todos focando a mesma faixa do eleitorado. Contudo, tão dramática quanto as perdas do PvdA em 2017 foi sua recuperação no pleito para o Parlamento Europeu de 2019, em que surpreendentemente se afirmou como principal força.

No entanto, o cientista político Jun considera essa vitória antes uma anomalia, em grande parte atribuível à pessoa do principal candidato socialista europeu, Frans Timmermans, de nacionalidade holandesa. No geral, o PvdA conta como "partido academizado do funcionalismo público, que se ocupa antes de temas pós-materialistas e quase não alcança grupos eleitorais tradicionais".

Reino Unido

O agora septuagenário Jeremy Corbyn era a grande esperança, sobretudo da geração jovem, ao assumir a presidência do Partido Trabalhista britânico em 2015. Após anos na oposição, ele parecia dar nova vida à tradicional legenda, e também impulsionou os social-democratas de outros países. Corbyn defende a política da velha esquerda de redistribuição de renda e estatização, de início até propondo a saída do Reino Unido da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Contudo, o sonho de um retorno ao governo se desfez com a briga pelo Brexit, dividindo não só os trabalhistas, mas o país como um todo. Na eleição europeia, a legenda só obteve 14% dos votos.

Uwe Jun explica que o comportamento "pouco convincente" de Corbyn na questão do Brexit "pesou sensivelmente no apoio do eleitorado". "Além disso, crescem as dúvidas se ele seria adequado como chefe de governo." Qual é a plataforma do partido? No momento, numerosos eleitores se colocam essa questão e voltam as costas aos trabalhistas.

Líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn

Antes grande esperança socialista, hoje a capacidade de Jeremy Corbyn de governar é questionada

Suécia

A Suécia é considerada o país-modelo da social-democracia. Em nenhum outro Estado europeu um grupo político teve tanto sucesso no longo prazo quanto lá. Em todas as eleições para o Parlamento nacional desde 1917, o partido foi o mais forte, mesmo que o primeiro-ministro não tenha sido sempre um social-democrata. Nas legislativas de 2018, ele de fato caiu para 28%, seu pior resultado em 110 anos, mas permaneceu o favorito. O mesmo ocorreu no pleito para o Parlamento Europeu.

No entanto, assim como em muitos outros países europeus, os populistas de direita, no caso os Democratas Suecos (SD), estão colocando os social-democratas sob pressão. Por sua vez, os verdes perderam justamente no país da ativista do clima Greta Thunberg.

Ainda assim os social-democratas seguem sendo a grande força integradora no país escandinavo. Para o cientista político Jun, a explicação é que "princípios social-democratas continuam mais presentes na Suécia do que em muitas outras sociedades europeias".

Áustria

O Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ) já viu tempos melhores – bem melhores até. Nos 28 governos desde 1945, 15 chanceleres federais eram social-democratas. Até 1990 a legenda sempre obteve mais de 40% nas eleições para o Conselho Nacional, nos áureos anos 70 chegando a mais de 50%.

Esses tempos ficaram bem atrás para o SPÖ, embora até agora ele tenha sido poupado de uma derrocada como a do SPD na Alemanha. Uma peculiaridade da situação austríaca são as frequentes grandes coalizões com o conservador Partido Popular (ÖVP). Por outro lado, estas também contribuíram para a ascensão dos populistas de direita do Partido da Liberdade (FPÖ).

Surpreendentemente, até o momento o SPÖ não lucrou com o escândalo dos vídeos do ex-líder do FPÖ Hans-Christian Strache e a consequente dissolução da coalizão ÖVP-FPÖ. Na eleição europeia, o ÖVP avançou, enquanto o SPÖ estagnou. Para Jun, a explicação é que atualmente falta aos social-democratas austríacos "um direcionamento estratégico claro".

Países do Leste Europeu

Em diversos Estados orientais da UE, os social-democratas já não podem ser considerados grandes partidos populares. O MSZDP da Hungria, por exemplo, é irrelevante desde o fim do comunismo, 30 anos atrás. Na época ainda chegava a 3,5% dos votos nas eleições para o Parlamento nacional, desde então fica abaixo de 1%. Seu papel é antes extraparlamentar, enquanto a aliança populista de direita Fidesz, do premiê Viktor Orbán, domina praticamente todo o espaço político.

Na Polônia, a antiga legenda governista social-democrata SLD só participou do pleito para o Parlamento Europeu como parte de uma aliança oposicionista pró-europeia. Quem dita o tom na política do país desde 2015 é o nacional-conservador Lei e Justiça (PiS).

Segundo Uwe Jun, a existência de sombras dos social-democratas nesses antigos Estados da "Cortina de Ferro" está ligada "ao passado estatal-socialista, porém ainda mais à ascensão do Fidesz e PiS como partidos nacional-populistas, com abrangentes programas de previdência". Em ambos os países, contudo, há também novos partidos de orientação social-democrata, os quais ganharam destaque desde as eleições europeias: na Polônia, o Wiosna; na Hungria, a Coalizão Democrática.

Na Eslováquia, o oficialmente social-democrático Smer apresenta perfil em parte nacional-populista (no tema migração), em parte conservador, como na política social (direitos de minorias e homossexualidade). Na Romênia, os social-democratas seguem no governo. No entanto, o PSD está acusado de reconfigurar o Judiciário de modo a blindar seus membros sob suspeita de corrupção. No pleito para o Parlamento Europeu, ele sofreu uma dura derrota, ficando com 23% dos votos.

Chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez

Pedro Sánchez: futuro da social-democracia europeia parte da Península Ibérica?

Espanha e Portugal

Talvez a maior esperança para a social-democracia da Europa venha da Península Ibérica. Após anos de agonia, em Portugal o socialista António Costa governa desde 2015 com bastante sucesso, ainda que sem maioria própria. No pleito europeu, os socialistas se reafirmaram como principal força política portuguesa.

Ainda mais motivos de alegrar-se têm os correligionários do chefe de governo Pedro Sánchez na Espanha. Seu Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) venceu com boa dianteira as legislativas em abril de 2019, e após as eleições europeias de 2019 os 20 deputados espanhóis formarão o maior contingente da bancada social-democrata em Estrasburgo.

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