Oposição iraniana desafia governo e continua nas ruas de Teerã | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 17.06.2009
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Mundo

Oposição iraniana desafia governo e continua nas ruas de Teerã

Governo do Irã tem que reagir a protestos de massa que o pegaram de surpresa. Para especialistas, no entanto, uma mera investigação do resultado eleitoral não deverá aparar as arestas da situação.

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Mussavi e correligionários querem anulação do pleito

Apesar da proibição de passeatas, milhares de pessoas voltaram a protestar pelo quinto dia consecutivo, nesta quarta-feira (17/06) em Teerã, contra a reeleição de Mahmud Ahmadinejad. Muitos dos manifestantes usavam trajes verdes, um sinal de apoio ao candidato presidencial líder da oposição iraniana, Mir Hussein Mussavi.

Em sua página de internet, Mussavi convocou para esta quinta-feira uma grande passeata em protesto contra o resultado das eleições presidenciais e o procedimento violento da polícia iraniana contra seus correligionários em manifestações anteriores.

Mussavi convocou seus correligionários a um "dia de luto" na praça Haft-e Tir, no centro de Teerã, em memória das vítimas das recentes manifestações.

Um dia após ter conclamado seus simpatizantes a manterem-se longe de manifestações, Mussavi desafiou o apelo do líder religioso e maior instância política do Irã, aiatolá Ali Khamenei , para que desista de suas pretensões em torno do pleito eleitoral iraniano.

Além disso, o líder da oposição reiterou sua exigência de anulação das eleições presidenciais. "Nós ainda continuamos com o objetivo de anulação e repetição do pleito". "E de forma que essa vergonhosa fraude não se repita", afirmou Mussavi.

"Vitória do sistema"

Ali Khamenei / Seyyed Ali Chamene'i / Ajatollah Ali Chamenei

Ali Khamenei, líder religioso iraniano

Na sexta-feira passada, os iranianos elegeram seu novo presidente. Já no dia seguinte, o resultado eleitoral foi anunciado. Segundo dados oficiais, o atual presidente Mahmud Ahmadinejad foi reeleito com 62% dos votos, o que corresponde a cerca de 25 milhões de votos. Após o anúncio do controverso resultado, o aitolá Ali Khamenei parabenizou o ainda jubiloso Ahmadinejad.

Em declaração pública, Khamenei elogiou no último sábado o resultado do pleito como uma "vitória do sistema", dando aos números da eleição um caráter definitivo. Com os protestos subsequentes, o líder religioso logo anunciou que o Conselho de Guardiães do Irã iria investigar as denúncias de fraude.

Embora não seja esperado que tal investigação venha a alterar o resultado eleitoral, com essa decisão, o líder religioso do Irã – que segundo a Constituição do país está acima da lei e do direito – questiona pela primeira vez sua autoridade.

Dez dias para investigações

Caso se confirme a suspeita de fraude, tal passo atingiria diretamente a reputação de Ali Khamenei, cujas palavras estariam impregnadas de incredulidade. A acusação de fraude também mancharia a honra do Conselho de Guardiães, já que foi estabelecido e aprovado por Khamenei.

Segundo o embaixador iraniano em Berlim, Ali Reza Attar, o Conselho de Guardiães do Irã precisará de cerca de 10 dias para investigar as acusações de Mussavi. "O Sr. Mussavi disse que haveria diversas inconsistências nas eleições e mencionou oito diferentes temas. O Conselho de Guardiães recebeu agora tais temas. O Conselho dos Ministros precisa agora de cerca de 10 dias, até que tenha avaliado tudo", afirmou o embaixador à emissora alemã Phoenix, na noite de terça-feira.

Anulação do pleito

Iran Wahlen Reaktionen Demonstration Mir Hossein Mussawi

O líder da oposição Mir Hossein Moussavi, ao centro

O governo do Irã tem agora que reagir aos protestos de massa que o pegaram de surpresa. Para especialistas, no entanto, uma mera investigação do resultado eleitoral não deverá aparar as arestas da situação.

Em entrevista à Deutsche Welle, o professor de ciências políticas da Universidade de Teerã, Sadegh Sibakalam, disse que os acontecimentos no Irã não são somente uma reação ao resultado eleitoral, mas também à política e à forma de ação de Ahmadinejad nos últimos quatro anos. "Grande parte do furor remonta à Ahmadinejad", declarou o professor. Quanto à intensidade dos protestos, o professor declarou que foi uma surpresa para todos, inclusive para ele.

Essa também é a opinião de Rajabali Mazroui, antigo membro do Parlamento iraniano. O ex-parlamentar declarou que "ninguém podia imaginar que os eleitores fossem tão decididos. O governo foi tomado de surpresa. Eles pensavam que com o anúncio do resultado a eleição teria acabado. Eles não estavam preparados para a situação atual e não souberam reagir. O emprego da violência foi errado", afirmou.

Mazroui afirmou ainda que ninguém sabe para onde os protestos podem levar e pede que as autoridades abdiquem do uso da violência e ganhem novamente a confiança do povo. Na opinião de Sibakalam, no entanto, os iranianos não estão indo às ruas para exigir uma investigação de fraude. "As pessoas que estão nas ruas, inclusive o próprio Moussavi, só querem uma coisa: a anulação do pleito."

CA/dw/ap/afp

Revisão: Alexandre Schossler

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