Opinião: Assad deve estar rindo | Notícias internacionais e análises | DW | 13.09.2016
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Mundo

Opinião: Assad deve estar rindo

Se o cessar-fogo na Síria perdurar, EUA e Rússia pretendem, juntos, bombardear terroristas. Dessa forma, o governo americano pode acabar se tornando um agente do ditador sírio, opina o jornalista Björn Blaschke.

Björn Blaschke dirige estúdio de rádio da emissora pública alemã WDR no Cairo

Björn Blaschke dirige estúdio de rádio da emissora pública alemã WDR no Cairo

Certamente haverá retrocessos; troca de tiros que colocam o cessar-fogo em cheque. Pois o acordo russo-americano é tão complicado que, na verdade, deve fracassar. Só um exemplo: se – disse literalmente o secretário de Estado dos EUA, John Kerry – "houver uma redução real da violência", então Estados Unidos e Rússia pretendem instalar, num prazo de sete dias, uma central de comando conjunta, "identificar" terroristas e agir de forma coordenada contra eles.

No caso do "Estado Islâmico" (EI) isso é fácil, pois ele é visto como grupo terrorista por quase todo mundo. Mas e a Frente Fateh al-Sham? Sobre ela, as opiniões são muito divergentes. Só para lembrar: no início da guerra, a Fateh al-Sham (Frente para a Conquista da Síria), antes chamada de Frente al-Nusra, era composta por um punhado de islamistas próximos da Al Qaeda.

Na ocasião, os EUA, entre outros, reiteraram que apoiariam o moderado Exército Livre da Síria (ELS) em sua luta contra o regime do ditador sírio Bashar al-Assad. O que, aliás, eles não fizeram nem de conta. Por esse motivo, ao longo dos anos, muitos combatentes do ELS passaram para Frente al-Nusra, que recebia apoio verdadeiro de algumas fontes obscuras. Dessa forma se expandiu a atual Frente Fetah al-Sham.

O grupo se tornou hoje a principal força na disputa por Aleppo – contra as tropas fiéis ao regime. E ele é apoiado por mais de uma dúzia de outras milícias rebeldes. Algumas delas são consideradas moderadas. E são essas que os Estados Unidos pretendem convencer, num prazo de sete dias, a se distanciar da ex-al-Nusra para que jatos de combate americanos e russos possam bombardear "terroristas" em paz?

Isso vai ser difícil. Só não será mais difícil do que convencer a população desse plano. Embora a liderança da antiga Frente al-Nusra permaneça ideologicamente próxima à Al Qaeda, os seus combatentes, em geral, são cidadãos sírios comuns, enraizados na população.

É preciso deixar claro mais uma vez: inicialmente, os EUA deixaram de apoiar os chamados combatentes moderados, fazendo com que fossem levados para os braços de terroristas islâmicos. Então, os Estados Unidos declararam todos os combatentes da Frente al-Nusra per se terroristas e pretendem agora – de forma coordenada com a Rússia – bombardeá-los.

O presidente Bashar al-Assad deve estar rindo: há cinco anos ele combate uma grande parte de sua própria população, mas diz sempre estar lutando apenas contra "terroristas". Se o cessar-fogo realmente perdurar, se e somente se, então os EUA podem acabar se tornanando agentes de Assad!