Opinião: Apagão na Venezuela, medo em Cuba | Notícias internacionais e análises | DW | 12.03.2019
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Opinião

Opinião: Apagão na Venezuela, medo em Cuba

Os cubanos temem poucas coisas tanto quanto o retorno dos dias negros da crise da década de 1990, que o governo batizou com o eufemismo "Período Especial", escreve Yoani Sánchez.

Silhueta de pessoa pode ser vista na beira de estrada entre dois carros, únicas fontes de luz no local afetado pelo prolongado apagão na Venezuela

Carros circulando no escuro em Caracas durante apagão

Como um trauma nacional, os longos cortes elétricos, o transporte público em colapso e as prateleiras vazias dos supermercados ficaram gravados na memória de várias gerações. Nos dias atuais, as imagens de obscuridade e caos emitidas pela Venezuela avivam novamente esse fantasma em Cuba.

No país com as maiores reservas de petróleo do mundo, a população caminha no escuro, cozinha apressada a comida para evitar que estrague por falta de refrigeração, e 21 pacientes morreram em hospitais por falta de eletricidade, segundo a ONG Médicos pela Saúde. A insegurança nas ruas se agrava com a falta de energia, e a falta de cobertura de celular mantém incomunicáveis centenas de milhares de famílias. A situação não poderia ser mais simbólica, como se uma longa noite tivesse acabado por pairar sobre o país. 

O Palácio de Miraflores culpa pelo fracasso um ataque descomunal pelos seus inimigos internos com "o apoio e a assistência dos Estados Unidos" e afirma ter provas que apresentará às Nações Unidas. Mas a verdade é que, durante a última década, os apagões se tornaram um cenário comum na Venezuela e que vozes alertando para a deterioração da rede elétrica têm se acumulado. Os primeiros testemunhos e relatos que estão sendo divulgados indicam que o que começou na quinta-feira passada (07/03) tem mais semelhança com um desastre anunciado do que com um golpe desestabilizador.

Como um gigante ferido no calcanhar, o país sul-americano vive momentos que poucos poderiam ter imaginado há duas décadas, quando milhões de venezuelanos levaram Hugo Chávez à presidência da República e iniciaram um processo de renovação que levou ao atual regime de Nicolás Maduro, este criticado por organizações internacionais, repudiado por grande parte da população e considerado por outros como um "traidor" do chavismo.

Nestes dias difíceis, em vez de implementar um mecanismo de emergência eficaz e de fornecer informações transparentes sobre a situação do sistema elétrico, Maduro preferiu assumir papel de vítima, aproveitar a ocasião para exclamar slogans políticos e refugiar-se no secretismo. Por sua vez, a Assembleia Nacional, com Juan Guaidó à frente, decidiu cortar todo o abastecimento de petróleo a Cuba e convocar manifestações contra quem chamam de "o usurpador".

A tensão cresce na Praça da Revolução de Havana à medida que se aprofunda a crise econômica interna e aumenta a ameaça de perder as remessas de petróleo que, apesar de terem diminuído nos últimos anos, continuam chegando à ilha vindas da Venezuela. Mas o que o governo cubano mais teme é a reação do povo, como se comportarão os cidadãos se o chamado "Período Especial" voltar, não como um fantasma, mas como uma realidade.

A cubana Yoani Sánchez é jornalista e apresenta o programa La voz de tus derechos  no canal de TV da DW em espanhol.

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