Operação mira Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 18.12.2019
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Brasil

Operação mira Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz

Franquia de chocolates do senador foi alvo de busca e apreensão. Promotores investigam se estabelecimento foi usado para lavar dinheiro de esquema de "rachadinha". Parentes de ex-mulher do presidente também foram alvos.

Caso Queiroz gera incômodos a Flávio e Jair Bolsonaro

Caso Queiroz gera incômodos a Flávio e Jair Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, e vários de seus ex-assessores, entre eles o ex-PM Fabrício Queiroz, foram alvos de mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (18/12).  

A ação tem relação com o caso da chamada "rachadinha", um esquema de divisão de salários que teria ocorrido no gabinete de Flávio à época em que ele atuava como deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). 

Entre os alvos da operação conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) está uma franquia de chocolates de Flávio em um shopping na Barra da Tijuca. 
Agentes chegaram ao local por volta das 6h30. Eles deixaram a loja cerca de quatro horas depois.

A loja foi citada num relatório do antigo Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf). O documento descreveu oito transferências que somam 120 mil reais da loja para o senador entre agosto de 2017 e janeiro de 2018. Os investigadores apuram se o local foi usado para lavar recursos desviados dos salários de ex-assessores de Flávio na Alerj.

O Ministério Público não solicitou buscas na residência de Flávio. Ao todo, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão. 

Também foram alvo da operação uma série de parentes da ex-mulher de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Valle, que residem em Resende, no sul do estado do Rio de Janeiro. 

Entre eles estão José Procópio Valle, ex-sogro de Bolsonaro; Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada de Bolsonaro; Francisco Diniz e Juliana Vargas, primos de Ana Cristina; Daniela Gomes, Guilherme dos Santos Hudson, Ana Maria Siqueira Hudson, Maria José de Siqueira e Silva e Marina Siqueira Diniz, tios de Ana Cristina.

Endereços ligados a Queiroz também foram alvos de buscas. Os investigadores ainda tinham mandados contra a mulher de Queiroz, Marcia Aguiar, e sua enteada, Evelyn Mayara. Todos estiveram lotados no gabinete de Flávio em diferentes momentos de seu mandato como deputado na Alerj.

Queiroz, que trabalhou por mais de uma década como assessor e motorista do senador, se tornou o centro de uma investigação sobre Flavio Bolsonaro, o filho mais velho do presidente, Jair Bolsonaro, e outras 101 pessoas físicas e jurídicas. O MPF obteve em maio a autorização para a quebra dos sigilos fiscal e bancário de 96 pessoas e empresas, incluindo o senador e seu ex-assessor.

A investigação foi iniciada em julho do ano passado. Meses antes, o agora extinto Coaf – substituído pela Unidade de Inteligência Financeira – havia alertado o MP sobre movimentações atípicas na conta de Queiroz.

O compartilhamento das informações foi questionado como sendo ilegal e o caso ficou parado até novembro deste ano, até o Supremo Tribunal Federal decidir que o compartilhamento de informações ocorreu dentro da lei.
Queiroz e Jair Bolsonaro se conheceram em 1984. Ele trabalhou para Flávio entre os anos de 2007 e 2018.

Segundo a revista Crusoé, o MP-RJ apontou que o ex-assessor Fabrício Queiroz recebeu pelo menos 2.062.360,52 de reais por meio de 483 depósitos feitos por assessores de Flávio Bolsonaro. Segundo o MP-RJ, os valores foram transferidos por 13 servidores do gabinete do parlamentar.

A defesa de Queiroz se disse "surpresa" com a operação de busca, afirmando através de nota que a ação seria "absolutamente desnecessária", uma vez que ele "sempre colaborou com as investigações, já tendo, inclusive, apresentado todos os esclarecimentos a respeito dos fatos".

Já o advogado do senador Flávio Bolsonaro, Frederick Wassef, informou que a nova ação do Ministério Público do Rio foi encarada por seu cliente com "tranquilidade".

"Recebemos a informação sobre as novas diligências com surpresa, mas com total tranquilidade. Até o momento, a defesa não teve acesso à medida cautelar que autorizou as investigações e, apenas após ter acesso a esses documentos, será possível se manifestar. Confirmo que a empresa do meu cliente foi invadida, mas garanto que não irão encontrar nada que o comprometa. O que sabemos até o momento, pela imprensa, é que a operação pode ter extrapolado os limites da cautelar, alcançando pessoas e objetos que não estão ligados ao caso", declarou Wassef, segundo o G1.

JPS/RC/ots

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