ONU alerta para violência sexual contra mulheres em conflitos armados | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 20.10.2010
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Mundo

ONU alerta para violência sexual contra mulheres em conflitos armados

Embora raramente liderem guerras, as mulheres são sua principal vítima. Relatório das Nações Unidas denuncia gravidade dos riscos que as mulheres sofrem nos países em desenvolvimento, sobretudo em regiões em guerra.

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Mulheres são principais vítimas de conflitos

A violência sexual é frequentemente usada como instrumento de guerra em conflitos armados, constatou o relatório anual das Nações Unidas sobre a população mundial. "As mulheres raramente fazem guerra, mas costumam sofrer suas piores consequências", constata o estudo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em colaboração com a Fundação Alemã para a População Mundial (DSW) e o Ministério da Cooperação Econômica em Berlim. A violência contra a mulher é uma "arma hedionda cada vez mais corrente" que causa sofrimento não só às vítimas, mas a todo o seu entorno.

O relatório da ONU analisa "como os traumas decorrentes de estupros continuam tendo efeito depois do fim das guerras e podem desestabilizar gerações inteiras", declarou Bettina Maas, representante da UNFPA. A fim de que as vítimas possam retornar à "normalidade", elas precisam da ajuda de organizações não governamentais e de assistentes sociais especializados. Mulheres e meninas estariam menos expostas ao risco de estupro se seus direitos de igualdade fossem reconhecidos, acrescentou Maas.

Demokratische Republik Kongo Vergewaltigungsopfer FLAH-Galerie

No Congo, milhares de mulheres foram vítimas de violência sexual durante confrontos de 2007

Visadas como alvo de violência durante distúrbios da ordem social

"A tarefa mais urgente é romper o círculo vicioso da impunidade", declarou a enviada especial das Nações Unidas para regiões em conflito, Margot Wallström, por ocasião da divulgação do relatório de 116 páginas, nesta quarta-feira (20/10). Wallström também advertiu que nenhum Estado poderia usar "costumes populares" como pretexto para negligenciar o cumprimento dos direitos humanos e fundamentais.

As mulheres também costumam correr risco de violência sexual após catástrofes naturais, como terremotos e enchentes, ou seja, sempre que haja distúrbios temporários da ordem social. O estudo analisou países que se encontram em fase de estabilização após conflitos armados ou catástrofes, entre os quais a Bósnia e Herzegovina, os territórios palestinos, o Haiti e diversos países africanos.

O relatório das Nações Unidas sobre a população mundial se dedicou este ano ao tema da violência contra a mulher por ocasião dos 10 anos da resolução 1.325 da ONU. Com essa resolução que passou a vigorar em 2000, o Conselho de Segurança das Nações Unidas conclamou todas as partes envolvidas em guerras a proteger mulheres e meninas da violência sexual e observar seus direitos em acordos de paz.

Mortalidade materna

Além disso, o relatório aponta a falta de acesso a anticoncepcionais e a falta de cuidados médicos durante a gravidez e o parto, sobretudo em regiões em crise ou abaladas por catástrofes. As principais vítimas são mulheres das camadas mais pobres da sociedade, com baixo nível educacional, nos países em desenvolvimento.

Illustration Kinder und Müttersterblichkeit

Uma mulher com malária e seu filho esperam por ajuda médica em um hospital do Sudão

O acesso a anticoncepcionais poderia reduzir um terço da mortalidade de mães durante o parto. A cada dia, mil mulheres morrem em decorrência de problemas relacionados à gravidez ou ao parto; ao todo, são 350 mil mortes anuais, das quais 99% ocorridas nos países em desenvolvimento.

A maioria dessas mortes poderia ser evitada por meio de cuidados médicos, confirmou a diretora da DSW, Renate Bähr, acrescentando que apenas dois terços dos partos são acompanhados por profissionais.

Cerca de 215 milhões de pessoas interessadas em usar métodos anticoncepcionais não têm acesso a preservativos ou pílulas, informou Bähr. Nos países em desenvolvimento, 80 milhões de mulheres engravidam involuntariamente a cada ano, por não terem acesso a anticoncepcionais.

Gudrun Kopp, vice-ministra no Ministério alemão do Desenvolvimento, anunciou uma iniciativa de planejamento familiar para marcar a alta prioridade desse problema nos países em desenvolvimento. O ministério liberou um orçamento anual de 80 milhões de euros para o projeto, a ser desenvolvido em cooperação com governos locais por meio de campanhas de esclarecimento e cursos de planejamento familiar.

População mundial daqui a quatro décadas

Segundo os prognósticos das Nações Unidas, a população mundial deverá aumentar dos atuais 6,8 bilhões de pessoas para 9,15 bilhões em 2050.

Segundo comunicou o UNFPA em Genebra, a Europa será o único continente onde o número de habitantes deverá cair nas próximas quatro décadas. Hoje, 732 milhões de pessoas vivem entre o Cabo Norte e o Estreito de Gibraltar; em 2050, serão apenas 691 milhões, apontam as estimativas da ONU. A baixa taxa de natalidade de países como a Alemanha, por exemplo, contribuirá para essa tendência.

A Ásia continuará sendo o continente mais populoso em 2050, com aproximadamente 5,2 bilhões de pessoas. Hoje se calcula que haja 4,1 bilhões de asiáticos. Quanto à África, o número de habitantes deverá duplicar para 2 bilhões dentro de 40 anos.

SL/afp/dapd/epd
Revisão: Carlos Albuquerque

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