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A imagem mostra cinco pessoas reunidas em uma empresa. Ao fundo, há um mapa-múndi sobre uma divisória transparente, de vidro. À mesa, estão sentados dois homens à esquerda. Um deles, de cabelo escuro e óculos, tem um laptop aberto à frente. O outro é grisalho e usa barba. Eles vestem ternos azul-marinho. À direita, há um homem ruivo também de terno e com um computador, ao lado de uma mulher loira de cabelos no ombro que veste blazer cinza. Na ponta da mesa, uma mulher loira de cabelos longos veste blazer também cinza e olha para o homem à direita da foto.
Semana de trabalho de quatro dias será colocada em prática na Bélgica, um experimento que deu certo na IslândiaFoto: Zeljko Dangubic/Westend61/picture alliance

Onde o sonho da semana de 4 dias de trabalho já é realidade

18 de fevereiro de 2022

Bélgica aprova que funcionários possam escolher entre trabalhar quatro ou cinco dias por semana. País não é o primeiro a colocar a proposta em prática. Esquema é discutido, elogiado e também criticado em outras nações.

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Quatro dias de trabalho, três dias de descanso, mais tempo com a família e, de preferência, com o mesmo salário. Parece uma jornada semanal ideal para muitos trabalhadores e trabalhadoras. Segundo os defensores do esquema, ele promete não só mais satisfação, como também produtividade mais alta.

Desde terça-feira (15/02), a Bélgica entrou para o grupo de países que dão ao trabalhador a opção de distribuir sua jornada semanal por quatro ou cinco dias – sempre mantendo-se a mesma carga horária total. De acordo com o primeiro-ministro belga, Alexander de Croo, a intenção do projeto é tornar a economia mais dinâmica e melhorar a compatibilidade entre família e trabalho.

O chefe de governo frisa que a flexibilidade vai mais longe: a jornada semanal clássica belga é de 38 horas, mas o empregado term a opção de  trabalhar 45 horas numa semana e deduzir as sete horas adicionais na seguinte. O regime de quatro ou cinco dias é uma decisão do próprio trabalhador, que poderá renovar ou alterar o pedido a cada seis meses.

Veja a seguir outros países que já adotaram ou pensam em adotar a semana de trabalho de quatro dias.

Na Islândia, jornada abreviada

Entre 2015 e 2019, a Islândia testou, com 2.500 trabalhadores e trabalhadoras, um projeto semelhante ao que a Bélgica vai implantar. As jornadas semanais, no entanto, foram reduzidas de 40 horas para 35 ou 36, mantendo-se a mesma remuneração.

O estudo foi promovido e avaliado pela Associação de Sustentabilidade e Democracia (Alda) e pelo think tank britânico Autonomy. Sua conclusão foi que o bem-estar dos funcionários melhorou significativamente, os processos de trabalho foram otimizados e estabeleceu-se uma cooperação mais estreita entre os colegas. Em grande parte, a produtividade permaneceu idêntica ou até aumentou.

Concluída essa fase de testes, sindicatos e associações começaram a negociar a diminuição permanente da jornada de trabalho. Atualmente, cerca de 86% dos trabalhadores islandeses têm direito a uma semana de quatro dias.

Escócia e País de Gales: experiência custosa

A Escócia está atualmente em fase de testes com a semana de quatro dias. Como apoio, empresas que participam do projeto recebem do governo um aporte em torno de 10 milhões de libras esterlinas.

No País de Gales, a pauta está em discussão. A Comissária das Gerações do Futuro, Sophie Howe, fez reivindicações nesse sentido, pelo menos para o setor público.

Após testes, Suécia se divide

Testes com uma semana laboral de quatro dias e pagamento integral se realizaram na Suécia já em 2015. As conclusões, neste caso, foram bastante ambivalentes.

Políticos suecos de esquerda acharam a implementação um tanto cara. Já as microempresas gostaram da ideia e adotaram até mesmo a redução da carga horária. A companhia automobilística Toyota, por exemplo, já abreviou os turnos dos mecânicos cerca de dez anos anos atrás, e mantém essa política desde então.

Na Finlândia, alarme falso

Também a Finlândia ocupou por um breve tempo as manchetes internacionais com uma redução dramática das jornadas de trabalho foi a Finlândia. Consta que a intenção era introduzir tanto a semana de quatro dias quanto o jornada diária de seis horas. Entretanto, segundo o noticiário alemão Tagesschau, tratava-se de uma notícia equivocada, que o governo finlandês rapidamente retificou.

Espanha a caminho dos testes

Na Espanha, a semana de quatro dias foi proposta a pedido do partido de esquerda Mais País. Cerca de 6 mil funcionários de 200 pequenas e médias empresas poderão prolongar o fim de semana em um dia, com pagamento integral. O experimento está programado para durar pelo menos um ano, mas ainda não tem data para começar.

Alemanha, Nova Zelândia e Japão

Na Alemanha, são principalmente as pequenas start-ups que têm experimentado com a semana mais curta.

No Japão, grandes companhias, como a Microsoft, estão dando aos funcionários um fim de semana longo por mês.

Na Nova Zelândia, a multinacional de alimentos e produtos farmacêuticos Unilever está testando a semana de quatro dias com a mesma remuneração por cerca de um ano. Se o modelo tiver sucesso, a empresa planeja expandi-lo para outros países.

gb/av (DW,ots)