OMS suspende testes com hidroxicloroquina | Notícias internacionais e análises | DW | 25.05.2020
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Coronavírus

OMS suspende testes com hidroxicloroquina

Medida é tomada como precaução após estudo revelar aumento do risco de morte nos pacientes com covid-19.

OMS decidiu suspender os testes clínicos com a hidroxicloroquina, como medida de precaução

OMS decidiu suspender os testes clínicos com a hidroxicloroquina, como medida de precaução

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu como medida de precaução suspender os testes clínicos com a hidroxicloroquina no tratamento contra a covid-19, que estavam sendo realizados em vários países.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse nesta segunda-feira (25/05) que a decisão foi tomada com base em um artigo publicado no jornal científico The Lancet  na semana passada, que indica que a aplicação do medicamento pode aumentar o risco de morte nos pacientes.

"Após lermos a publicação, decidimos, em meio às dúvidas, ser cautelosos e suspender temporariamente a adesão ao medicamento", afirmou a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan. A princípio, a medida não se aplica à cloroquina, da qual a hidroxicloroquina é derivada, cuja aplicação contra o coronavírus também está sendo avaliada nos estudos patrocinados pela OMS.

A OMS afirmou que continuará a coletar dados para confirmar o estudo publicado no The Lancet e revisará a decisão em reuniões com autoridades médicas dos países que realizam os testes dentro do programa Solidarity Trial, apoiado pela entidade, realizados em mais de 400 hospitais em 35 países, envolvendo em torno de 3,5 mil pacientes.

A hidroxicloroquina, normalmente utilizada no tratamento contra a artrite, vinha sendo alardeada pelo presidente americano, Donald Trump, como benéfica no combate à doença. Trump, inclusive, chegou a afirmar que estava se tratando preventivamente com o medicamento.

Trump fez a primeira menção à hidroxicloroquina em 21 de março, após o suposto potencial da droga ter sido propagado em círculos de extrema direita na internet que promovem teorias conspiratórias e desconfiança contra o establishment científico. 

A coisa toda teve origem em um anúncio do controverso pesquisador francês Didier Raoult, que no dia 17 de março que um estudo preliminar em 24 pacientes havia apontando que a hidroxicloroquina havia sido eficaz no tratamento da covid-19. No entanto, o estudo de Raoult foi criticado em círculos científicos por causa da sua amostra limitada.   

Em 23 de março, dois dias depois de Trump mencionar o remédio, foi a  vez do presidente Jair Bolsonaro seguir o exemplo do americano e passar a sistematicamente promover tanto a hidroxicloroquina quanto a cloroquina, mesmo sem estudos amplos que comprovassem a eficácia. Ele chegou a chamar os fármacos de “cura”.

Na semana passada, o Ministério da Saúde divulgou um protocolo permitindo que a cloroquina e a hidroxicloroquina sejam administradas até em casos leves da doença. A medida, que visa ampliar a possibilidade do uso desses medicamentos, foi tomada por insistência do próprio Bolsonaro e não foi assinada por nenhum médico. Dois ministros da Saúde deixaram o cargo em menos de um mês em parte por causa da insistência de Bolsonaro em promover os tratamentos. 

Entretanto, segundo o artigo publicado no jornal científico, os dois medicamentos podem causar efeitos colaterais graves, em particular, arritmia cardíaca, além de não trazerem benefícios aos pacientes com covid-19. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão após examinarem registros hospitalares de 96 mil pacientes em 671 de hospitais em seis continentes.

Outros testes clínicos patrocinados pela OMS avaliam a aplicação do antiviral Remdesivir , normalmente usado contra o ebola. Nos Estados Unidos, testes iniciais com o medicamento apresentaram resultados animadores no combate aos efeitos da covid-19.

RC/lusa/afp

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