O que está em jogo para a Rússia na Venezuela | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 28.01.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Mundo

O que está em jogo para a Rússia na Venezuela

Se Nicolás Maduro deixar o poder, o Kremlin será um dos grandes perdedores, e não somente devido a uma possível inadimplência de empréstimos.

Nicolás Maduro se encontra com Vladimir Putin

A Rússia de Putin é um dos governos que sempre apoiou Maduro

Uma troca de poder está ocorrendo na Venezuela, e o regime de Nicolás Maduro, que há muito tempo tem contado com o apoio da Rússia, está ameaçado. A pergunta que surge é o que a perda desse aliado de longa data significaria para a Rússia.

No momento, todos os olhares têm se voltado para a empresa petrolífera estatal russa Rosneft, cujo conselho de administração é comandado pelo ex-chanceler federal da Alemanha Gerhard Schröder. A Rosneft possui participação em cinco projetos da estatal venezuelana de petróleo e gás PDVSA, com fatias entre 26% e 40% nos empreendimentos. Qual é a probabilidade de perda desses ativos?

Se Maduro for mesmo alijado do poder, é pouco provável que um novo governo faça desapropriações de ativos que tenham sido adquiridos legalmente por estrangeiros. Assim, é também possível que os investidores que venderam ações da Rosneft na bolsa de valores de Moscou, na quinta-feira passada, tenham agido rápido demais.

Igor Setchin, presidente da Rosneft, com um operário da PDVSA na Venezuela

Igor Setchin, presidente da Rosneft, com um operário da PDVSA na Venezuela

Em 2017, a Rosneft concedeu um empréstimo à Venezuela no valor de 6 milhões de dólares. Esse crédito é reembolsado pelas participações nos cinco projetos e pela extração de petróleo. Recentemente ocorreram atrasos na entrega, e o presidente-executivo da Rosneft, Igor Setchin, precisou voar para Caracas em novembro de 2018 para negociar a situação. O contrato expira em 2019, mas a maior parte do valor já deve ter retornado à estatal russa.

Mais complicada que essa questão são os empréstimos concedidos pela Rússia para a compra de armamentos pela Venezuela. De acordo com a mídia russa, Moscou pode ter transferido cerca de 11 bilhões de dólares para Caracas nos últimos 20 anos. Não se sabe ao certo quanto Caracas devolveu a Moscou, mas há relatos de que a dívida venezuelana foi restruturada e assumiu condições mais favoráveis.

Não está claro se um possível novo governo venezuelano pagaria de volta esses créditos. Afinal, a Rússia apoiou o regime de Maduro. A Ucrânia, por exemplo, se nega até hoje a pagar um crédito de 2013 à Rússia, dado o apoio russo ao antigo presidente ucraniano Viktor Yanukovytch. Mesmo assim, o dinheiro investido na Venezuela não teria sido totalmente perdido para a Rússia, pois ele foi gasto em fuzis Kalashnikov, aviões de combate, helicópteros, tanques e outros equipamentos de guerra de fabricação russa.

Armas russas na Venezuela

Armas russas na Venezuela

No total, é possível assumir que as perdas russas no caso de uma troca de poder na Venezuela chegariam a cerca de 11 bilhões de dólares. Mas isso não seria nada em comparação com as consequências de um eventual aumento da produção de petróleo venezuelana, o que pressionaria os preços mundiais da commodity para baixo.

A Venezuela é frequentemente descrita como o país com as maiores reservas de petróleo do mundo. Mas cerca de 20 anos de regime socialista, primeiramente sob o comando de Hugo Chávez e depois de Maduro, levaram à decadência da economia petrolífera local. A situação é tão dramática que hoje a Venezuela tem um papel praticamente insignificante no mercado mundial.

Caso uma troca de poder torne a produção de petróleo novamente eficiente, e caso as empresas ocidentais, principalmente americanas, voltem ao país, a extração de petróleo subiria a ponto de a Venezuela poder elevar suas exportações.

Certamente isso não ocorreria rapidamente. Mas haveria um ponto de partida para contratos de entregas futuras, o que poderiam baratear o petróleo nos mercados mundiais. E este, sim, seria um cenário terrível para Moscou.

______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube 
WhatsApp | App | Instagram | Newsletter

Leia mais